Os Esquecidos – Nº4 Grant Hill “o próximo Michael Jordan”

Durante 10 dias vamos nomear os 10 jogadores mais underrated da história da NBA. São jogadores que marcaram o jogo de uma maneira ou de outra mas que no final foram esquecidos por muitos fãs da NBA.

  • Anos: 1994-2013
  • Pontos: 16.7 por jogo ( 17137 no total – 95º em Ranking )
  • Rebounds: 4.1 por jogo( 4252 no total – 98º e Ranking )
  • Win Shares: 99.93 ( 90º em Ranking )

Durante muitos anos tentamos encontrar o próximo Michael Jordan e Kobe Bryant é ,provavelmente, o que mais se aproximou. Contudo, em 1993, depois da primeira “reforma” de Jordan, apareceu Grant Hill. Este senhor foi um jogador como nunca antes se tinha visto e encheu os fãs de alegria (foi desde cedo apelidado como o próximo Jordan). Um jogador extremamente completo que no seu pico poderia ser facilmente comparado a Lebron James.

Antes da NBA

Nascido em Dallas, Texas, Grant Hill começou a jogar basquetebol em Reston Virginia e desde logo chamou à atenção. No final do seu último ano do secundário, o documentário “Beyond the Glory” da Fox Sports decidiu cobrir a escolha de universidades de Hill (este acabou por escolher a Universidade de Duke).

Ficou ao serviço dos Blue Devils durante 4 anos onde ganhou 2x NCAA tournament (1991 e 1992), ACC Player of the Year (1994) e NABC Defensive Player of the Year (1994).

O jogo de 1992 frente a Kentucky é considerado por muitos uma das melhores finais da história do basquetebol universitário. Esta final ficou famosa pelo passe de Hill de um lado ao outro do campo para Christian Laettner que fez o buzzer beater, dando o título à Universidade de Duke.

1994 NBA Draft e os Detroit Pistons

Em 1994, Hill decide-se declarar para o NBA Draft e é escolhido pelos Detroit Pistons que tinham a 3ª pick. Na sua primeira época, este Small Forward, fez 19.9 ppg, 6.4 rpg, 5.0 assists e 1.77 steals e tornou-se o primeiro Rookie desde Isiah Thoma (em 1981-82) a marcar 1000 pontos. No final da época vence co-Rookie of the Year juntamente com Jason Kidd e torna-se o primeiro jogador dos Pistons a ganhar o troféu desde Dave Bing (em 1966-67). Ainda nesse ano torna-se o 1º rookie a liderar os votos dos fãs para o NBA All-Star com 1.289.585 votos. Tornou-se ainda no primeiro rookie dos 4 desportos principais americanos (basquetebol, basebol, futebol americano e hoquei no gelo) a liderar a votação dos fãs para um jogo de All-Star.

Na sua segunda época volta a liderar as votações do All-Star ultrapassando Michael Jordan , que tinha regressado à NBA. Ainda na época 1995-96, mostra toda a sua qualidade de all around player e lidera a NBA em triplos-duplos (10). Nesse ano conquista a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atalanta.

Na época 1996-97, tem médias de 21.1 ppg, 9.0 rpg, 7.3 assists e 1.8 steals por jogo. Torna-se o primeiro jogador desde Larry Bird com médias de 20 pontos, 9 Rebounds e 7 assists numa época, algo que só viria a ser duplicado na época 2016-17 por Russell Westbrook. Mais uma vez lidera a liga em triplo-duplos (com 13). Nesse ano conquista o IBM Award (1984-2002), patrocinado pela IBM, que media a contribuição estatística de um jogador na sua equipa (basicamente era muito similar ao PER atual). Na votação para MVP, Hill acaba em terceiro lugar e fica atrás de Karl Malone e Michael Jordan.

Entre as épocas 1995-96 e 1998-99, Hill torna-se o jogador com mais assistências (sem contar com os bases) e lidera a equipa em pontos, ressaltos e assistências. Hill e Chamberlain são os únicos jogadores na história da NBA a liderar as equipas nessas mesmas categorias durante 3 épocas (Russel Westbrook teria igualado esse feito caso Paul George no ano anterior não fosse o líder em pontos dos Thunder).

Na época 1999-2000, Hill marca 25.8 ppg em 49% de eficácia e só fica atrás em pontos do MVP Shaquille O’neal e de Allen Iverson. Apesar de sempre ter feito boas épocas individuais, em termos coletivos nunca consegui fazer uns bons playoffs. A 15 de Abril de 2000, 7 dias antes dos Playoffs, Hill lesiona-se no tornozelo mas decide jogar os Playoffs. A lesão piorou e uma coisa que parecia ser simples transformou-se numa lesão que o ia atormentar para o resto da sua carreira.

Até à sua lesão (6ª época na NBA) Hill tinha um total de 9393 pontos, 3417 rebounds e 2720 assistências. Ocupa a 4ª posição em performance ao fim de 6 anos na NBA, ficando atrás de Oscar Robertson, Larry Bird e Lebron James.

Orlando Magic

Em 2000 faz um sign-and-trade para os Orlando Magic para se juntar a Tracy Mcgrady como dynamic duo da NBA. Durante as primeiras 4 épocas em Orlando, Hill jogou 47 jogos de um total de 328 (mínimo) , ou seja, compareceu a 14,3% dos jogos. Tudo isto devido à lesão que teve em Detroit. Durante a sua primeira época, nos 14 jogos que disputou, Hill sentia dores no calcanhar mas continuou a jogar. Depois de uma entrada mais dura descobriu que tinha (desde o início da época) micro-fraturas no calcanhar, que foram piorando à medida que ia jogando.

Em 2003, 5 dias depois de ser operado, Hill é levado para as urgências e fica às portas da morte devido a uma infecção contraída no calcanhar durante a operação. Teve internado uma semana e foi obrigado a tomar medicamentos intravenosos durante 6 meses.

Em 2004-05 regressa à competição ao fim de 4 anos praticamente sem jogar. Vence player of the week durante 15-21 de Novembro e acaba a época com 19.7 ppg em 50.7% de eficiência. Nesse mesmo ano é votado para participar nos All-Stars como membro integrante do 5 inicial. Vence ainda o Joe Dumar’s Trophy que é dado pela vitória do NBA Sportsmanship Award.

Na época de 2005-06: mais lesões, desta vez uma hérnia que o deixa jogar apenas 21 jogos. Nesta altura Hill pensa em retirar-se do basquetebol.

Phoenix Suns e Final de Carreira

Em 2007 assina pelos Phoenix Suns e reinventa-se como jogador. Outrora visto como um jogador possante e atlético (similar a Lebron), torna-se um jogador mais parado que usa principalmente o seu jump-shot.

Permaneceu em Phoenix até 2012, onde teve a sua melhor fase em termos coletivos e em 2010 quase conseguiam chegar à final da NBA Continuou a contribuir para a equipa, marcando sempre pelo menos 10.0 ppg.

Retirou-se do Basquetebol em 2013.

Contas Finais

No final da sua carreira Hill conta com:

  • 7x All-Star
  • 1x All-NBA First Team
  • 4x All-NBA Second Team
  • NBA Co-Rookie of the Year
  • NBA All-Rookie Team
  • Hall of Fame (2018)

Apesar de em termos coletivos nunca ter ganho nada na NBA e em termos individuais nunca ter conquistado um MVP, Hill era um jogador que enchia as medidas aos espectadores (prova disso foram as nomeações para All-Star). Se não fossem as lesões, hoje recordaríamos Hill como um dos melhores de sempre e provavelmente teriamos sido capazes de ver o duo Hill-Mcgrady a funcionar. Ainda assim quem o viu jogar não o esquece; por tudo aquilo que ele trazia para campo como por tudo que ele fazia fora do campo. Ocupa o top 5 do nosso Ranking porque foi dos jogadores mais espectaculares da NBA que as lesões nunca deixaram voar mais alto.

Facto Curioso

Grant Hill é assumidamente do partido democrático e no dia da noite de draft recebeu uma chamada do então presidente dos EUA, Bill Clinton. Hill apoiou publicamente as candidaturas presidenciais de John Kerry em 2004 e Barack Obama em 2008. Aqui ficam os seus melhores momentos.

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