Equipa E ao fundo

E as apostas mais ousadas acabaram por se confirmar: os Estados Unidos, crónicos favoritos a vencer qualquer competição de basquetebol em que participem, foram derrotados pela França por 89-79. É a primeira vez desde 2002 que a Team USA nem sequer chega aos últimos quatro. O Mundial terá assim forçosamente um novo campeão desde 2006, uma vez que os americanos foram os vencedores das últimas duas edições e já não perdiam uma partida do Mundial há 13 anos.

Quanto ao encontro, o primeiro período foi de perfeito equilíbrio: 18-18. Até ao intervalo, Fournier começou a abrir o livro, construindo uma diferença pontual de 6 pontos para a sua equipa. Mas no terceiro quarto começou a aparecer em grande forma Donovan Mitchell, que presenteou o público com finalizações de todas as maneiras e feitios, sem defesa que o conseguisse parar. Até que chegamos ao último período, onde a França simplesmente esteve mais forte, apareendo Rudy Gobert para resolver, ofensiva e defensivamente: a 2:52 do fim, começou por colocar o jogo a 4 pontos com um poderoso afundanço. Depois começou o festival de lançamentos livres falhados pelos americanos, falhanços que se revelaram fatais: começou com Marcus Smart (0/2). Gobert continuava a dominar as tabelas, ao mesmo tempo que Frank Ntilikina decidiu finalmente aparecer ofensivamente neste torneio, com um quase-triplo na cara do seu oponente. De seguida, novamente Gobert, a desarmar em jogadas consecutivas infiltrações de Walker e Mitchell. E por fim, a machadada final nas aspirações americanas: Walker ganha falta para ir 3 vezes à linha de lance livre (convertendo todos os lançamentos o jogo ficaria a 3 pontos), mas apenas converte um. Até final, a Team USA não teve alternativa que não forçar faltas para parar o relógio, mas os franceses não tremeram da linha de lance livre.

Do lado francês, o grande herói foi Rudy Gobert. O defensor do ano da NBA explodiu com 21 pontos, 16 ressaltos (máximo de um jogador francês na competição desde 1994), 2 assistências e 3 desarmes de lançamento. Realizou o melhor jogo na competição até ao momento, sendo capaz de travar ou limitar as penetrações dos jogadores norte-americanos e ainda dominar a zona interior do ponto de vista ofensivo. Fournier também esteve ao nível habitual, com 22 pontos, 3 ressaltos, 4 assistências e um sem número de lançamentos de enorme dificuldade concretizados. De Colo contribuiu do banco com 18 pontos e não tremeu nos lançamentos decisivos, Batum esteve discreto no ataque mas muito competente na defesa, assim como Ntilikina: o base fez uso da sua enorme envergadura para a posição de base e esteve exemplar a limitar os ball handlers americanos. Como bónus ainda fez 7 pontos no último período, acabando com 11.

Do lado norte-americano, Pop realizou uma rotação mais curta, emergindo o talento de Donovan Mitchell. O Spida carregou as investidas americanas com 29 pontos (máximo de um jogador norte-americano no torneio), 6 ressaltos, 4 assistências e 2 steals, mas pareceu sempre o único capaz de contornar a teia defensiva francesa. Kemba ficou-se pelos 10 pontos e, embora seja individualmente o melhor jogador da equipa, demonstrou a falta que faz uma base FIBA (como Chris Paul) às equipas americanas nestas competições. Também Smart passou chegou aos dois dígitos, mas sofreu do mesmo problema de Kemba: a dificuldade em criar jogo para os seus companheiros.

Em suma, este foi um jogo que se decidiu na luta das tabelas (28-44 para os franceses), assim como no aproveitamento de turnovers adversários, campo estatístico que premeia a defesa de elite que Vincent Collet montou para parar a Team USA.

A França fica assim com uma enorme chance de levantar o troféu em Pequim no domingo: os favoritos Sérvia e EUA estão fora, e não parece agora haver um adversário teoricamente mais forte. O confronto com a Argentina é já esta sexta feira às 13 horas. Já os Estados Unidos jogarão amanhã com a Sérvia no mini torneio para aferir os lugares de quinto a oitavo.

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