O regresso aos grandes palcos: a ascensão dos Portland Trail Blazers

Os Portland Trail Blazers terminaram a sua campanha na temporada 2025/26 da NBA com a eliminação diante dos San Antonio Spurs na primeira ronda dos playoffs da Conferência Oeste.

Comandados por Tiago Splitter, após a situação de Chauncey Billups, os Trail Blazers fizeram uma época de destaque. Após o 12º lugar no Oeste na temporada passada, a franquia de Oregon almejava alcançar a pós-temporada em 2026. E tal ambição se concretizou. Liderados dentro de campo por Deni Avdija, All-Star e terceiro na votação para o “Most Improved Player”, e com a chegada a Portland de Jrue Holiday, negociado por Anfernee Simons, foram cumprindo os objetivos ao longo da temporada.

Terminaram em oitavo lugar e garantiram a presença no play-in com um recorde de 42-40. Para além de Avdija e Holiday, a base foi sustentada por jogadores como Toumani Camara, Donovan Clingan, Jerami Grant, Shaedon Sharpe, Robert Williams III e Scoot Henderson. Com algumas ausências na primeira fase, surgiram Caleb Love e Sidy Cissoko como destaques, ambos com acordos two-way, tendo Cissoko assinado um contrato standard por dois anos em fevereiro.

Blake Wesley teve bons momentos, Kris Murray apresentou-se como uma peça útil no esquema de Splitter e chegou Vit Krejci na deadline, trocado por Duop Reath. Rayan Rupert foi dispensado, Matisse Thybulle esteve maior parte do tempo lesionado e o novato Yang Hansen passou despercebido numa temporada onde jogou principalmente na G-League. Javonte Cooke, Chris Youngblood e Jayson Kent marcaram presença nesta época dos Blazers como jogadores two-way.

Chegaram ao play-in e defrontaram os Phoenix Suns fora de casa no jogo entre o sétimo e o oitavo classificados. Brilhou Avdija, ao preencher a folha estatística com 41 pontos, 12 assistências e sete ressaltos e os Trail Blazers venceram por 114-110, regressando aos playoffs pela primeira vez desde 2021. Grande jogo e objetivo cumprido, os adversários seriam os San Antonio Spurs de Victor Wembanyama. As expectativas em Portland eram de testar o nível de competitividade da equipa ao mais alto escalão, diante dos Spurs que venceram 62 jogos na temporada regular.

E diria que não se deram mal. Holiday, Scoot, Avdija, Camara e Clingan formaram sempre o cinco inicial. Grant, Williams III, Sharpe e Thybulle foram as principais opções do treinador brasileiro a sair do banco, com Cissoko, Murray e Krejci a terem reduzida minutagem. Scoot destacou-se nos primeiros três jogos e foi o melhor marcador, com 31 pontos, da vitória dos Blazers no jogo dois por 106-103. Este foi o único resultado positivo para o conjunto de Splitter, numa série que teve cinco duelos.

Na minha opinião, os principais motores foram Avdija e Holiday. Clingan esteve muito incapacitado perante uma estrutura dura dos Spurs e excedeu a quantidade de triplos lançados, ao acertar apenas cinco em 25 (20%). Camara foi cumprindo na defesa, mas ficou muito ofuscado no lado ofensivo. Pouco envolvido, tornou-se dependente do triplo, e converteu somente sete em 27 (25.9%). Scoot marcou 18, 31 e 21 pontos nos primeiros três confrontos, ficou em branco em pontos no quarto duelo e marcou apenas cinco no último jogo.

Sharpe disputou apenas 13.4 minutos por jogo, Thybulle não correspondeu no ataque e Williams III foi das principais figuras. O poste que está em final de contrato teve 21.6 minutos por jogo de média. Assinalou 9.6 pontos por jogo, 7.4 ressaltos e 1.2 desarmes de lançamento, acabando com mais minutagem do que Clingan e uma relevância maior nos dois lados do campo.

A série ficou caracterizada para os Blazers por terem perdido duas vantagens de dois dígitos na segunda parte a jogar em casa nos jogos três e quatro. A vitória no jogo dois contou com a ausência de Wembanyama na segunda parte da partida, que falhou assim o jogo três. Na última oportunidade, em San Antonio, a equipa de Splitter correu sempre atrás do resultado e nas poucas aproximações que teve, pouco duraram.

Assim acabou a temporada 25/26 dos Portland Trail Blazers. Sob nova gerência, esperam-se mudanças na offseason e o papel de treinador principal é a maior incógnita. Portland conta com um bom núcleo de jogadores, numa mistura de experiência e juventude. Uma ótima capacidade defensiva, mas o ataque é a principal lacuna. Para ajudar a colmatar essas dificuldades, Damian Lillard regressa na próxima temporada, após a lesão no tendão de aquiles.

Os Blazers pretendem elevar as ambições para 26/27. Capazes de formar um pacote aliciante de modo a trocarem por uma peça que complete o coletivo, esses ativos dão valor à franquia também fora das quatro linhas. Espera-se uma boa fase em Portland para os próximos anos, em crescente após várias épocas nos últimos lugares da classificação da NBA.

Marco Torres

Adepto de desporto, NBA e dos Portland Trail Blazers. A estudar Ciências da Comunicação.

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