Lendas da NBA: N°5 – Kobe Bryant

Hoje na 5a posição da nossa lista de melhores jogadores de sempre temos Kobe Bryant, o Black Mamba.

Kobe Bryant nasceu numa família de basquetebolistas, e desde cedo começou a jogar basquete. No basket a nível de liceu evidenciou-se de tal forma que já chamava a atenção da imprensa, e decidiu com apenas 17 anos declarar-se para o draft de 96, numa altura em que apenas ele e Kevin Garnett passaram do liceu para a NBA sem jogar a nível universitário.

No draft de 1996 Kobe foi sem surpresa escolha de 1a ronda, tendo sido a 13a escolha, pelos Charlotte Hornets. Os Lakers viram nele potencial para ser o futuro da NBA e adquiriram os seus direitos, numa troca por Vlade Divac. Nesse mesmo ano, os Lakers iriam contratar Shaquille O’Neal, com quem Kobe Bryant faria uma das melhores duplas de sempre na NBA.

Na sua primeira época tornou-se num jogador muito admirado pelos fãs, com grande velocidade, agilidade, versatilidade, jogo de pés, ética profissional e uma competitividade ao nível de um Larry Bird ou Michael Jordan, percebeu-se que estava ali o futuro Deus da modalidade. Kobe Bryant nessa época de estreia venceria o concurso de afundanços, e teria médias de 7.6 pontos, 1.9 ressaltos e 1.3 assistências, em apenas 15.5 minutos por jogo, excelentes médias para alguém tão jovem, e em tão pouco tempo de jogo.

Na época seguinte Kobe Bryant jogou muito mais tempo, e participou no all-star game pela 1a vez, ao mesmo tempo que surgiam rumores de tensões no balneário dos Lakers entre a estrela emergente e o líder da equipa Shaquille O’Neal. Kobe Bryant teve médias de 15.4 pontos, 3.1 ressaltos e 2.5 assistências, já com 26 minutos de média por jogo.

Contudo, a sua época de explosão surgiu em 1998-1999, quando se tornou numa peça essencial para os Lakers, jogando todos os jogos de início, e sendo dos melhores da liga na sua posição, a de n°2 de shooting guard, ele que também poderia jogar a small forward. Teve nessa época médias de 19.9 pontos e 5.3 ressaltos e 3.8 assistências.

Contudo, com Phil Jackson veio o melhor período de Bryant nos Lakers, a nível colectivo e individual, primeiro como parte do equipa extraordinária que varreria tudo e todos durante 3 anos, depois já sem O’Neal e com Gasol a servir de Robin a Bryant, quando os Lakers chegariam a mais 3 finais.

O nível de Kobe Bryant com Phil Jackson subiu muito, Kobe Bryant ia amadurecendo e trabalhando no seu jogo, ganhando reputação por ser um jogador com uma mentalidade férrea, e com gelo nas veias. Nos 3 primeiros campeonatos com Phil Jackson de 2000 a 2002, foi ganhando cada vez mais protagonismo, e dividindo o estrelato com Shaquille O’Neal, ainda o jogador mais importante daquela equipa, tendo no ano de 2002 tido prestações ainda acima das do Diesel até às finais, onde mais uma vez foi Shaquille O’Neal o mais importante dos Lakers, não tendo Kobe Bryant ainda um título de MVP das finais, apesar de já ter 3 títulos no CV.

Mais que nunca, Kobe Bryant tinha que se assumir como a estrela da equipa, pelo talento, pela idade, e pelo facto de se esperar que elevasse o seu jogo a um novo patamar. Esse patamar surgiu na época 2002/2003, com Kobe Bryant a apresentar números dignos de Michael Jordan, que estava na sua última época, marcando uma nova era na NBA, tendo médias de 30 pontos, 6.9 ressaltos, 5.9 assistências e 2.2 roubos de bola por jogo. Contudo, e por incrível que pareça, não deu para o MVP, pois na mesma época, Tim Duncan, outro gigante da NBA, fazia uma excelente temporada também, mas com a sua equipa a ter melhor registo na fase regular, equipa essa que impediu Kobe Bryant de ser campeão outra vez, com os Spurs a serem superiores aos Lakers nas meias-finais de conferência, num ano em que Kobe a ser campeão teria oportunidade de ser MVP das finais.

O ano de 2003 foi agridoce, apesar de ter elevado o seu jogo, cada vez estava mais convencido que tinha de ser a única super-estrela na sua equipa, deteriorando a sua relação com Shaquille O’Neal. O seu egocentrismo tornou-o numa figura muito impopular para muitos. Em 2003 teria também o seu momento extra-desportivo mais polémico e delicado, seria acusado de violação, numa queixa que seria depois retirada.

Contudo, a reputação de Kobe Bryant foi abalada, e o seu basket no início sofreu muito, tendo Kobe Bryant estagnado a sua ascensão que parecia imparável, com os seus números a baixarem, ao invés de subirem como seria de esperar para um jogador jovem em ascensão, além de ter estado abaixo do esperado nas finais perdidas contra os Detroit Pistons.

Contudo Kobe Bryant deu a volta e após ter conseguido ser a única super-estrela dos Lakers, quando O’Neal foi para os Miami Heat, voltou a ter números próximos do que nos habituara, 27.6 pontos, 5.9 ressaltos e 6 assistências por jogo, apesar de época dos Lakers ter sido desastrosa, já sem Phil Jackson também, e com mudança de treinador, com os Lakers a falharem os play-offs pela primeira vez em muitos anos.

Kobe Bryant foi muito criticado por colocar o seu ego à frente da equipa, levando à saída de colegas e a críticas de Phil Jackson, que o considerou como impossível de treinar, razão pela qual abdicou do seu cargo nos Lakers.

Mas Phil Jackson haveria de se voltar a entender com Kobe e voltaria a ser treinador da equip a Californiana.

Kobe Bryant em 2005-2006 teve uma época ainda superior à de 2002-2003 e foi finalmente o jogador que o Mundo esperava que ele fosse, o herdeiro de Jordan. Com uma capacidade para marcar de outro planeta, Kobe Bryant teve nessa época a sua melhor média de pontos, com 35.4, verdadeiramente assombrosa, tendo marcado 81 pontos frente aos Toronto Raptors, não lhe valendo o MVP porque mais uma vez venceu um jogador de uma equipa com melhor registo, Steve Nash, dos Phoenix Suns, que também seria a equipa a eliminar os Lakers dos playoffs.

Bryant mudaria de número na camisola, deixava o n° 8 e passaria a ser o N°24, numa manobra que muitos entenderam como uma alusão a Jordan, e de marketing também.

Nessa época o nível de Kobe Bryant continuou elevadíssimo, apesar de algumas atitudes reprováveis em jogo, que lhe valeram suspensões, como a agressão a Manu Ginóbili ou a Kyle Korver. Seria MVP do all-star game pela 2a vez em 2007, 5 anos depois da o ter sido pela primeira vez. Mais uma vez os seus Lakers não conseguiriam passar da 1a ronda dos play-off, sendo outra vez eliminados pelos Phoenix Suns.

Kobe Bryant terá chegado à conclusão que sem outra estrela na equipa não seria possível vencer, ele que tão ambicioso era, e a partir da época de 2007-2008 os Lakers iriam contar com o poste Espanhol Pau Gasol.

Os Lakers foram sempre uma força a ter em conta, e com Kobe a um nível estratosférico chegariam a 3 finais da NBA seguidas, sendo derrotados pelos Celtics de Paul Pierce, Ray Allen, Rajon Rondo e Kevin Garnett na 1a final, no ano em que finalmente Kobe Bryant seria MVP, os Lakers seriam campeões em 2009 e 2010, com Kobe a ser o MVP de ambas as finais, em 2009 contra os Orlando Magic, e em 2010 na vingança a 7 jogos contra os Celtics, quando Pau Gasol também teve grandes atuações. Era a confirmação do estatuto de Kobe Bryant entre os Deuses da NBA, conseguia ser o melhor jogador da liga, vencer os prémios individuais, e ainda ser campeão e ser ele o homem das decisões.

Pelo meio, Kobe Bryant seria fundamental para a equipa dos Estados Unidos voltar a trazer o ouro olímpico, numa grande final contra os Estados Unidos.

Em 2010-2011 surgiu uma nova era na liga, com os Big 3 de Miami, e LeBron James a ocupar o lugar que até então era de Bryant, contudo, por pouco não voltava às finais da NBA, sendo só afastados pelos eventuais campeões Dallas Mavericks, de Dirk Nowtizki. Seria também em 2011 que seria pela 4a e última vez MVP do all-star game.

Em 2011-2012 Kobe Bryant teve outra época fenomenal, apesar de algumas lesões, não sendo melhor marcador da liga por muito pouco, precisando de 38 pontos para o ser, mas abdicou de tentar por questões de precaução no último jogo da fase regular. Nos play-offs, os Lakers perderiam nas meias-finais, para os eventuais campeões de conferência, os Oklahoma City Thunder de Kevin Durant.

Nesse ano seria outra vez campeão olímpico pelos Estados Unidos.

Kobe Bryant ainda teria mais uma fantástica época, em 2012-2013, quando já era um veterano na liga, mas numa equipa com Mike D’Antoni a treinador, e com outros veteranos como Steve Nash, Kobe Bryant fez o que melhor sabia, ser ele a pegar na batuta da equipa, e decidir jogos, tendo fantásticas sequências de pontos e também assistências, e levando os Lakers aos play-offs, numa equipa muito debilitada por lesões, e com um plantel de pouca qualidade, mas que não diminuiu a ambição do Black Mamba, que se sacrificou em prol da equipa como nunca antes visto, lesionando-se a poucos jogos do final da época, não conseguindo voltar para jogar os play-offs. Sem ele os Lakers perderiam 4-0 para os San Antonio Spurs, eventuais campeões de conferência.

Essa seria a última grande época de Kobe Bryant, depois de 2013 surgiu um calvário de lesões que o impediram de voltar a ser o jogador que era, e com os Lakers a ressentirem-se disso, não mais voltando aos play-offs. Contudo, houve mais alguns momentos mágicos de Kobe, como no seu último jogo em 2015-2016, no Staples Center, contra os Utah Jazz, quando marcou 60 pontos, num dos momentos mais marcantes da NBA moderna.

Foi o fim da carreira de um dos jogadores mais apaixonantes de sempre, ele que em Novembro de 2015 anunciou que iria terminar a carreira no final da época.

Kobe Bryant foi alvo de muitas homenagens, até em pavilhões onde costumava ser vaiado, a sua arrogância e egocentrismo que o tinham tornado numa jogador amado-odiado ficavam esquecidas, e o que cada vez mais ficava eram as memórias de um jogador que fez do basket um desporto vistoso e belo, tal como antes o tinha feito Michael Jordan, assim como a sua competitividade e instinto assassino, tendo decidido inúmeros jogos de forma memorável, e criando o legado do Black Mamba, que irá ficar na história da modalidade pelas melhores razões.

Os Lakers retiraram as suas 2 camisolas, a 8 e a 24, sendo Kobe Bryant o único da história a ter 2 camisolas retiradas pela mesma equipa.

No seu legado estão 5 títulos da liga, 2 MVP das finais, MVP da fase regular em 2008, 18 presenças em all-star, 4 MVPs do all-star, 2 títulos de melhor marcador, 11 inclusões na primeira equipa da NBA, 9 inclusões na 1a equipa defensiva da liga e ainda 2 títulos olímpicos.

Sem dúvida um dos maiores e mais laureados jogadores de sempre.

Para a revista Slam, Kobe Bryant foi o 5° melhor jogador de sempre.

Pedro Ribeiro

Formado em Ciências da Comunicação, trabalhou como Jornalista e Assessor de Comunicação. Fã da NBA, participou em vários projetos sobre esta liga. Fundador do site www.nbaportugal.com https://twitter.com/pedrofmribeiro

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