Lendas da NBA: Lista completa

Neste artigo iremos mostrar aos nossos leitores a nossa lista de melhores jogadores de sempre num só artigo.

N°10 – Hakeem Olajwon

Na 10a posição da nossa lista encontra-se o fabuloso poste de origem Nigeriana Hakeem “The Dream” Olajwon, um dos jogadores mais marcantes de sempre da história da liga, e da mesma geração de outras lendas como Jordan, Ewing, Stockton, Malone, Pippen, Barkley ou Drexler.

Hakeem Olajwon nasceu na Nigéria e cedo se interessou por basket, mostrando um enorme talento, viajou para os Estados Unidos para jogar pela universidade de Houston, onde chegaria por três vezes à final four das finais universitárias. Em 1984 foi a 1a escolha do draft, escolhido pelos Houston Rockets, à frente de outros mitos como Michael Jordan, Charles Barkley ou John Stockton, entre outros.

Nos Houston Rockets, e numa era em que os “Big men” estavam na moda, fez uma dupla lendária com Ralph Sampson, ficando a dupla conhecida como as “twin towers”, tendo ambos levado os Rockets às finais de 1986 contra os Celtics de Larry Bird, perdendo em 6 jogos.

Hakeem Olajwon estava então a tornar-se numa grande estrela da NBA, com um jogo de pés nunca antes visto, com o seu famoso movimento, que ficaria conhecido como o “dream shake”, que seria dos mais espetaculares e peculiares da história da NBA, que Hakeem diz ter aprendido a jogar futebol, nos seus dias na Nigéria.

Ralph Sampson seria então trocado para os Warriors, e aí Hakeem Olajwon passava a ser o líder incontestado da equipa.

Com a sua grande capacidade defensiva, sendo dos melhores defensores de sempre, e não só na área pintada, aliada à sua versatilidade, liderança e estatura, Hakeem Olajwon era um poste único, a quem só lhe faltava a glória suprema da NBA, isto é, títulos, que era algo difícil de alcançar pois no final da década de 80/início da década de 90 a concorrência era imensa, mesmo na sua conferência, com os Lakers de Magic Johnson a serem a equipa dominante. A nível individual, Hakeem Olajwon ia conseguindo alcançar grandes feitos, sendo o melhor ressaltador em 89 e 90, e líder em desarmes de lançamento em 90, 91 e 93, algo incrível, tendo em conta o número de pontos que marcava também, e pelo facto de nessa época jogarem vários dos melhores ressaltadores da história da liga como Dennis Rodman ou Charles Barkley, ou dos melhores a desarmar como Dikembe Mutombo, outro Africano.

Hakeem Olajwon e os seus Houston Rockets foram a equipa que aproveitou o hiato de Michael Jordan, ganhando o título dois anos seguidos, em 94 e 95, com Hakeem Olajwon a ser o herói das vitórias, e o MVP de ambas as finais. Em 1994 os Rockets bateram os New York Knicks, outra grande equipa que não tinha ganho o título por causa dos Bulls de Jordan, por 4-3. Essa final ficou marcada por um duelo intenso com Patrick Ewing, com quem tinha uma rivalidade saudável, já dos tempos universitários, onde aí a equipa de Ewing levou a melhor.

Era o auge na carreira de Hakeem Olajwon, que em 1994 tornou-se o primeiro e único jogador a ser MVP, Defensive Player of the Year e MVP das finais. Em 1995 o adversário foi os Orlando Magic dos emergentes Shaquille O’Neal e Penny Hardaway, desta vez os Rockets venceram as finais por esclarecedores 4-0, com Hakeem mais uma vez a vencer o duelo de postes, dando lições ao jovem O’Neal, com médias de 32.8 pontos, 11.5 ressaltos, 5.5 assistências, 2 roubos e 2 desarmes de lançamento, noutra performance coroada com MVP.

Hakeem Olajwon venceria o ouro Olímpico em 96, em Atlanta, onde jogou com Shaquille O’Neal, e a partir daí inciava a curva descendente da sua ilustre carreira, não conseguindo voltar a replicar os feitos individuais e coletivos, apesar de ainda contar com bons números, e tendo em 96-97 ter tido excelentes momentos junto a Charles Barkley.

Hakeem continuou até 2000-2001 nos Houston Rockets, tendo jogado a sua última época, em 2001-2002, nos Toronto Raptors, acabando por se retirar no Outono do ano de 2002, alegando uma lesão nas costas.

Os Houston Rockets justamente retiraram a sua camisola, a n°34.

Chegava ao fim a carreira de um dos mais ilustres da história, talvez o poste mais versátil de sempre, e alguém cujo jogo de pés ainda é hoje uma referência.

Hakeem Olajwon apesar de ter também nacionalidade Americana, não deixou nunca se ser cidadão Nigeriano, sendo um exemplo para milhões de Africanos, entre eles o cada vez mais importante na NBA actual Joel Embiid, que tem em Hakeem Olajwon a sua maior referência.

Para além dos 2 títulos e já referidos MVPs dessas finais, Hakeem Olajwon foi também o MVP de 94, o Defensive Player of the Year de 93 e 94, melhor ressaltador de 89 e 90, jogadores com mais desarmes de lançamento em 90, 91 e 93, 12× all-star, 6× all-NBA first team e 5× all-defensive first team, isto numa das eras mais marcantes de sempre da NBA, senão a mais marcante.

Ainda hoje Hakeem Olajwon é dos jogadores com mais pontos, ressaltos, roubos de bola e desarmes de lançamento, nessa categoria é o líder absoluto, à frente de Mutombo e Kareem Abdul Jabbar, embora no início da carreira de Jabbar os desarmes não fossem contabilizados.

Em 2016, a ESPN colocou Hakeem Olajwon em 10° lugar na sua lista de melhores jogadores de sempre. Enquanto para a revista Slam, Hakeem Olajwon foi o 13° melhor jogador da história, referente a uma publicação de 2009.

N° 9 – Tim Duncan

Em 9° lugar temos um dos mais influentes jogadores da era moderna, Tim Duncan, o The Big Fundamental.

Tim Duncan nasceu nas Ilhas Virgens Americanas, e só se interessou pelo basket após largar a sua primeira paixão, a natação, após um furacão ter destruído a única piscina olímpica na sua terra natal.

Tim Duncan jogaria basket universitário pela universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, onde também jogaria Chris Paul anos mais tarde. Duncan já no basket universitário se evidenciava, tendo ganho inúmeros prémios individuais, o mais importante o Naismith college player of the year, prémio também ganho por Kareem Abdul Jabbar, Larry Bird, Patrick Ewing, Michael Jordan, David Robinson ou Kevin Durant, e que distingue os melhores jogadores universitários.

Sem surpresa, foi a primeira escolha do draft em 1997, escolhido pelos San Antonio Spurs, tendo de imediato feito impacto na equipa, formando uma dupla memorável com David Robinson, que ficaria conhecida como as torres gémeas de San Antonio, e que traria glória à equipa já treinada por Gregg Popovich. Duncan foi eleito Rookie do ano no final da época de 1997-1998, e o futuro parecia brilhante para o jovem Duncan, que jogava na posição n°4, a de power forward, ou extremo-poste em Português.

Duncan encaixava que nem uma luva no estilo eficaz, colectivo e com grande rigor defensivo dos Spurs, parecendo uma extensão das ideias do treinador. Duncan era eficaz, com grande capacidade de ressalto, com muita inteligência, defensor de alto nível, e com um movimento de lançamento, o bank shot, terrivelmente eficaz, e parecendo que nem precisava de se esforçar para executar. Durante a época da sua afirmação como nova estrela da NBA, os Spurs conseguiram vencer o título, numa final contra os New York Knicks, que voltaram a não aproveitar a saída de Jordan da NBA, o resultado foi de 4-1 e Tim Duncan foi o MVP das finais com médias estratosféricas de 27.4 pontos, 14 ressaltos, 2.2 desarmes de lançamento, 2.4 assistências e 1 roubo de bola.

Seria a 1a de muitas vitórias de um jogador destinado a marcar a história da competição, sendo os Spurs com ele uma equipa sempre candidata a pelo menos chegar às finais de conferência.

Após o domínio dos Lakers no início do novo milénio, Tim Duncan e os Spurs conseguiram quebrar essa superioridade da equipa Californiana, com Tim Duncan a contribuir mais uma vez de forma decisiva, sendo MVP da liga na fase regular, já depois de ter ganho no ano anterior em 2002, e MVP das finais mais uma vez, numa final ganha por 4-2 contra os New Jersey Nets de Jason Kidd, já depois de terem derrotado a super equipa de Kobe Bryant e Shaquille O’Neal na caminhada.

Esse ano de 2003 foi para muitos o melhor da carreira de Duncan, quer na época regular, quer nos play-offs, com números fora do normal, com o MVP das finais a não ter contestação, com inacreditáveis 24.2 pontos, 17 ressaltos, 5.3 desarmes de lançamento, 5.3 assistências e 1 roubo de bola, numa equipa de transição, com Tony Parker e Manu Ginóbili ainda por se afirmarem por completo, e David Robinson e Steve Kerr em final de carreira.

Tim Duncan falhou o objetivo de trazer o ouro olímpico para os Estados Unidos em 2004, em Atenas, quando ele e Allen Iverson foram as únicas mega estrelas de uma equipa que falhou redondamente nos seus objetivos.

Pelos Spurs a glória continuava, com mais uma título em 2005, e outro prémio de MVP das finais, apesar de para muitos Manu Ginóbili ter sido o melhor. Era a afirmação plena de um dos melhores trios de sempre na NBA, Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili. As finais foram contra os Pistons, talvez a final mais difícil da carreira de Duncan, com a o título a ser decidido no jogo 7.

Tim Duncan ia acumulando presenças na 1a equipa da NBA e no all-star game, e mantendo uma consistência exibicional comparável à de Kareem Abdul Jabbar, com muito poucas quebras de rendimento, tal como a sua equipa.

Em 2007 veio talvez a vitória mais estrondosa dos Spurs em finais, com um 4-0 sobre os Cavaliers do jovem LeBron James, que levou uma lição do experiente Duncan, desta vez, e não sem alguma controvérsia também, Tim Duncan não levou o prémio de MVP das finais, esse levou Tony Parker, que só em pontos esteve melhor estatisticamente que Tim Duncan.

Os Spurs começaram a perder o fulgor, o plantel ficou cada vez mais veterano, e no Oeste apareceram novos reis, os Los Angeles Lakers, com Kobe Bryant e Pau Gasol, a serem a equipa a ocupar o lugar dos Spurs.

Tim Duncan individualmente perdeu fulgor no final da década 2000 e início da década de 2010, contudo, a sua capacidade de liderança, qualidade, fundamentos do jogo, e carisma conseguiram voltar a colocar os San Antonio Spurs outra vez no topo, com um plantel muito veterano, mas já com sangue novo em Kawhi Leonard e Green, os Spurs jogaram mais 2 finais da NBA, em 2013 e 2014, perdendo a de 2013, única final perdida por Duncan, Spurs e Popovich, e vencendo de forma categórica a de 2014, por 4-1. Kawhi Leonard foi o MVP das finais, e Tim Duncan tinha já econtrado um sucessor na única equipa em que jogou na liga.

Tim Duncan jogaria ainda mais duas épocas na NBA, muitos longe daquilo que produzia no seu auge, tendo na sua última época, a de 2015-2016, também a última época de Kobe Bryant, tido pela primeira vez média de pontos abaixo dos 2 dígitos, 8.6, decidindo assim por um fim a uma carreira das mais ilustres de sempre.

Os Spurs em sua homenagem retiraram a sua camisola, a n°21

Como prova da sua ilustre carreira estão 5 títulos da NBA, 3 MVP das finais, 2 prémios de MVP, prémio de rookie do ano, 15 presenças no all-star game, MVP do all-star game de 2000, 10 inclusões na all-NBA first team e 8 presenças na equipa defensiva do ano, para mencionar só os maiores feitos.

Em 2009, a revista Slam colocou Tim Duncan no 8° lugar na sua lista de melhores jogadores de sempre. Para a Sports Illustrated, Tim Duncan foi o melhor jogador da década de 2000.

Tim Duncan é amplamente considerado pelos seus colegas de profissão como o melhor power forward de sempre, por cima de nomes como Karl Malone, Charles Barkley ou Dirk Nowtizki.

N°8 – Bill Russell

Bill Russell nasceu na década de 30, em plena época de segregação racial nos Estados Unidos, encontrando no desporto e no basket uma maneira de se afirmar e conseguir uma vida digna.

No liceu, Bill Russell tardava em afirmar-se no basket, até que um treinador reparou na sua capacidade atlética fora do normal, e encorajou Bill a trabalhar no fundamentos do jogo, de forma a tirar proveito do seu enorme potencial atlético.

Bill Russell trabalhou duro, e passado pouco tempo era já um jogador com potencial para ser estrela, vendendo todos os campeonatos a nível estadual e nacional, incluíndo na universidade o NCAA por 2 anos seguidos 1955 e 1956, onde já mostrava as qualidades que fariam dele um campeão na NBA.

Sem surpresa, e após ter sido campeão olímpico com os Estados Unidos em 1956, Bill Russell foi escolhido na 1a ronda do Draft, sendo a 2a escolha. Russell não jogou na equipa que o escolheu, os St. Louis Hawks, que o trocaram por Ed Macauley, também poste, e estrela na NBA na altura, que jogava nos Boston Celtics, a equipa que seria a única da carreira de Bill Russell.

Nos Celtics, e tal como já havia acontecido nos seus últimos anos de universidade, Bill Russell quase só conheceu o sucesso. Com a sua capacidade inigualável para ressaltar, sentido colectivo fora do comum, e uma defesa ao homem nunca antes vista antes ou depois, Bill Russell conduziu a equipa mais laureada da NBA ao título por 11 vezes, ainda hoje um recorde, sendo figura de proa dos Celtics em todas as conquistas.

Bill Russell tornou-se também conhecido pela sua rivalidade saudável com Wilt Chamberlain, também poste como Bill Russell, e outra lenda da NBA, sendo Bill Russell mais discreto dentro do court, mas também com mais sentido colectivo, não sendo surpresa que tenha ganho mais que o seu rival a nível colectivo.

Logo na sua 1a época, e tendo jogado só a partir de Dezembro, fruto da sua participação nos Olímpicos, Bill Russell tornou-se logo no melhor ressaltador da liga, categoria que seria líder várias vezes na carreira, e seria também campeão, não sendo MVP das finais porque só em 1969 o prémio foi introduzido.

No ano seguinte, em 1958, Bill Russell seria MVP da liga pela 1a vez, e seria selecionado para o all-star game pela 1a de 12 vezes seguidas, ele que jogaria apenas 13 anos na NBA. Curiosamente, em 1958 os Celtics não venceram o título, o único ano em que Bill Russell voltaria a não vencer o título seria em 1967.

Com os 8 títulos seguidos e vários prémios individuais, Bill Russell construiu um legado ímpar na NBA, não tendo ainda mais reconhecimento porque na altura não havia a contagem de desarmes de lançamento, algo em que Bill Russell era tremendo, tal como a ressaltar, e que elevaria ainda mais o seu legado, tal como o já referido finals MVP, que seguramente teria em Bill Russell o seu recordista se o prémio já existe no em que Bill Russell se estreou em finais, ou mesmo o defensive player of the year, que seria certamente ganho por Bill Russell várias vezes também.

Mas tudo isso é secundário para Bill Russell, um dos jogadores mais colectivos de sempre, verdadeiro altruísta, para quem ganhar estava acima de tudo.

Antes de se retirar, Bill Russell conseguiu a proeza de ser jogador-treinador ao mais alto nível, uma prova da sua mentalidade vencedora e carácter fortíssimo, e grande capacidade de liderança. Bill Russell ganhou assim os seus 2 últimos títulos como jogador-treinador, algo que mais ninguém conseguiu, fazendo de Russell uma lenda única no jogo, ele que ao assumir o cargo de treinador já se tinha tornado no primeiro Afro-Americano a ser treinador principal na liga.

Bill Russell retirou-se em grande em 1969, com a sala de troféus a abarrotar, e deixando um legado único.

Os Boston Celtics em sua homenagem retiraram a n°6, para sempre a camisola do maior vencedor da liga.

Bill Russell ainda hoje tem números difíceis de alcançar, que só não são recorde absoluto porque no seu tempo havia outro monstro sagrado na NBA, Wilt Chamberlain. Bill Russell conseguiu num só jogo 51 ressaltos, algo que só Chamberlain faria melhor com 55, para além da média incrível de ressaltos por jogo na fase regular, 22.5, atrás outra vez de Wilt Chamberlain.

O prémio de MVP das finais passou a denominar-se Bill Russell award, em sua honra.

Em 2009 a revista Slam colocou Bill Russell em 3° na sua lista de melhores jogadores de sempre.

N°7 – Wilt Chamberlain

Wilt Chamberlain tinha uma capacidade atlética fora do normal, que cedo o fez destacar-se no basket, tendo batido recordes de pontos e ressaltos pela universidade do Kansas, onde se tornaria uma celebridade mesmo antes de se tornar profissional, sendo capa de inúmeras revistas.

Antes de se estrear na NBA, Wilt Chamberlain fez parte dos Harlem Globetrotters, em 1958-1959.

A sua estreia profissional decorreu na época de 1959-1960, pelos Philadelphia Warriors, equipa onde jogaria até 1966.

O seu impacto na NBA foi imenso, a nível estatístico sem precedentes, com Wilt a dominar as tabelas como mais ninguém na história da modalidade, e marcar pontos como quem respirava, sendo o poste mais dominante da era, e construindo uma grande rivalidade com Bill Russell, outra lenda da NBA.

Logo na sua 1a época, Wilt Chamberlain teve médias de 37.6 pontos e 27 ressaltos, que eram recorde absoluto na altura, não esquecendo que na altura não havia contagem de desarmes de lançamento, algo em que Wilt Chamberlain era enorme também. Contudo, o seu jogo ainda não tinha o sentido colectivo que era necessário para vencer ao mais alto nível, uma das críticas na altura feitas ao jogo de Wilt Chamberlain. Foi então MVP e rookie do ano na sua primeira época, algo que só em 1969 Wes Unseld conseguiria alcançar.

Wilt Chamberlain continuou a bater recordes individuais que ainda hoje perduram, como o de 100 pontos num jogo, na época de 1961-1962 contra os Knicks, ele que nesse dia esteve impecável da linha de lance livre, algo raro, já era um dos seu calcanhares de aquiles, ou o de maior número de ressaltos num só jogo, 55 contra os Celtics, em 1960-1961.

Wilt Chamberlain tinha uma energia e domínio debaixo das tabelas que mais nenhum jogador conseguiu igualar, nem mesmo Shaquille O’Neal, que tal como ele também tinha nos lances livres o seu maior defeito. Durante toda a sua carreira foi sempre capaz de jogar todos os jogos, e de jogar os 48 minutos sempre com a mesma energia e intensidade.

Mas o título continuava a fugir-lhe, Wilt Chamberlain teve o azar de na sua primeira final encontrar a maior máquina vencedora da história da Liga, os Celtics de Bill Russel, no ano de 1963-1964, conseguindo o tão desejado título apenas em 1967, quando já se encontrava nos Sixers, também em Filadélfia.

Wilt Chamberlain perderia mais uma final para os Celtics de Bill Russell em 1969, perdendo a de 70 também para os Knicks, já quando estava nos Lakers com um tal Jerry West, com quem venceria o título em 72 antes de perder outra final, em 1973.

Wilt Chamberlain já estava no ocaso da carreira, já não era mais indiscutivelmente o líder da NBA em termos estatísticos, apesar de ainda ser um monstro e dominante nas tabelas.

E assim pensou Wilt Chamberlain em abandonar a carreira brilhante, já depois de ter mudado muito o seu jogo, ter sido campeão 2× e MVP das finais em 1972, apenas um ano antes da sua retirada.

A modalidade despedia-se assim do N°13 mais mítico da história da liga, até altura considerado o melhor jogador individual de sempre, e melhor marcador de sempre até o aparecer de um tal Michael Jordan.

A N°13 foi retirada por todas as equipas onde jogou, os Warriors, Sixers e Lakers. A universidade do Kansas já o tinha feito antes.

Para agigantar a sua lenda, para além dos 2 anéis, Wilt Chamberlain foi 4× MVP, 13× all-star, sendo o MVP do all-star em 1960, rookie do ano, MVP das finais de 1972, 7× incluído na all-NBA first team, 7× melhor marcador, 11× melhor ressaltador e ainda líder em assistências em 1968, quando já tinha mudado bastante o seu jogo.

Terminou a carreira com médias de 30.1 pontos, a mais alta até Michael Jordan, e 22.9 ressaltos por jogo, a maior de sempre, para além de 4.4 assistências por jogo.

Em 2009, a revista Slam colocou Wilt Chamberlain em 2° lugar na sua lista de melhores jogadores de sempre.

N°6 – Larry Bird

Larry Bird era um jogador com uma competitividade fora do comum, com uma vontade de ganhar sem limites, e com uma energia e garra enorme dentro de campo.

Cedo se percebeu que Larry Bird seria uma estrela, a nível universitário e a jogar pela universidade de Indiana construiu grande reputação como um lançador extraordinário e grande ressaltador, para além de ser um jogador que nos momentos decisivos aparecia sempre, o chamado clutch player. Aí construiu a rivalidade que iria se transpor para a NBA e seria das mais apaixonantes de sempre, Larry Bird Vs Magic Johnson, que embora a nível universitário tenha sido favorável a Magic Johnson, pois a sua equipa venceu o título universitário na final contra a equipa de Bird, foi Larry Bird quem venceu os prémios individuais no final da época, como o Naismith college player of the year award, na frente de Magic Johnson.

A aguardada estreia na liga ocorreu em 1979, um ano depois de ser a 6a escolha do draft pelos Boston Celtics, a equipa com mais títulos da NBA, Larry Bird estreava-se numa equipa que para além dele tinha Pete Maravich, Cedric Maxwell e Tiny Archibald.

O impacto de Larry Bird foi imediato, e logo na 1a época foi para além de rookie do ano, eleito para o all-star game e incluído na all-NBA first team. Os Celtics com ele melhoraram imenso e foram a equipa com melhor registo da sua conferência, e indo até às finais de conferência, onde perderiam para os mais experientes Sixers de Moses Malone e Julius Irving.

As suas médias no final da época foram de 21.3 pontos, 10.4 ressaltos, 4.5 assistência e 1.7 roubos de bola.

Na época seguinte veio a plena confirmação do estatuto de estrela de Larry Bird, com uma equipa já com McHale e Parish, os Celtics varreram a concorrência e foram campeões frente aos Houston Rockets, com Larry Bird a estar em grande na época toda, apesar de não ter sido MVP das finais, perdendo para Cedric Maxwell, apesar dos seus 15.3 pontos, 15.3 ressaltos e 7 assistências.

Assim que Larry Bird ia acumulando honras na NBA crescia a sua rivalidade com Magic Johnson, já campeão da NBA também, e com os 2 a serem as vedetas das suas respectivas conferências, Magic Johnson destacava-se pela visão e qualidade de passe, Larry Bird embora fosse um excelente passador, destacava-se pela capacidade de lançamento, Magic era um Mr. Nice Guy, Larry era ultra competitivo, e talvez o maior Trash talker da história do jogo. Magic Johnson era vistoso, Larry Bird embora também desse espetáculo era muito eficaz e colectivo, sendo também um grande defensor para além da já referida capacidade de ressaltado. Era uma nova era na NBA, Larry e Magic, líderes das duas melhores equipas da NBA, e as com mais títulos também. Impossível falar de um e não do outro.

Contudo, a nível individual Larry continuava a levar a melhor, com o MVP do all-star game em 1982, ano em que foi 2° no prémio de defensor do ano, atrás de Moses Malone, uma prova do grande defensor que era Larry Bird.

Após uma época em que não foram à final, os Celtics de Bird voltaram a ser impossíveis de conter, mesmo para os showtime Lakers, e venceram o título em 84, com Larry Bird a ser o MVP da fase regular, e também o MVP das finais, numa das finais mais espetaculares de sempre, a ser decidido no jogo 7, com Bird a ter médias de 27 pontos e 14 ressaltos, era o auge da rivalidade Bird vs Magic e Celtics vs Lakers.

No ano seguinte os Lakers deram o troco, mas Larry Bird continuava a ser intocável, sendo outra vez eleito MVP da fase regular, e tendo números fantásticos mesmo nas finais perdidas.

Em 1986 formou-se para muitos a melhor equipa de sempre dos Celtics, com Bird, McHale, Parish, Bill Walton e Dennis Johnson, todos hall of famers, varrendo tudo o que lhes aparecia à frente, a final foi ganha aos Rockets com um tal Hakeem Olajwon, por 4-2, e Bird, que era indiscutivelmente o melhor do Mundo, voltava a ser MVP, campeão e MVP das finais, era o auge da carreira de Bird, numa liga dominada por ele e Magic Johnson, onde já despontavam Michael Jordan, Hakeem Olajwon, Patrick Ewing ou Charles Barkley. Nessas finals Bird teve médias de 24 pontos, 9.7 ressaltos, 9.5 assistências e 2.7 roubos de bola.

Em 1986-1987 Larry Bird voltou a conduzir os Celtics a mais uma final, para variar contra os Lakers, que com Magic Johnson melhor que Bird venceram por 4-2.

O corpo de Bird ia acumulando desgaste, pois o seus estilo de jogo muito competitivo sacrificava muito o corpo, e iam aparecendo outras equipas na sua conferência capazes de fazer frente aos Celtics, como os Pistons ou Bulls, com isso, Larry Bird não mais jogaria uma final da NBA, e depois de 1988, a sua última grande época na NBA, onde chegou às finais de conferência, perdidas para os Pistons, Larry ficaria quase sem jogar uma época inteira, falhando o all-star game pela 1a vez desde a sua estreia, apesar de voltar em 1990, 1991 e 1992, mais em jeito de respeito e homenagem que pela forma do jogador, que ainda era um grande jogador e com excelentes médias, mas longe do jogador que no seu auge era o mais temível lançador da NBA, e um campeão com uma vontade de vencer sem limites.

Seria campeão olímpico como parte do Dream Team de 1992, apesar de não ter jogado muito tempo.

Devido a constantes lesões, que o haviam impedido de manter o seu nível habitual de forma constante, Larry Bird anunciou no ano de 1992 a sua retirada da modalidade, tendo os Celtics retirado a sua camisola, a n°33 de imediato, como antes o havia feito a universidade de Indiana.

Larry Bird continuou a ter sucesso no basket após o final da carreira, sendo treinador do ano e também executivo do ano, algo que fez de Larry Bird o único a conseguir ser campeão, MVP, Finals MVP, rookie do ano e também treinador e executivo do ano.

No legado de Bird estão 3 títulos de campeão, 2 finals MVP, 3 MVPs da fase regular, 12× incluído no all-star, sendo MVP do jogo em 1982, 9× incluído na all-NBA first team, rookie do ano, e ainda 3× campeão do concurso de tripos do all-star.

Larry Bird até ao aparecer de LeBron James era amplamente considerado o melhor small forward de sempre, sendo que para alguns ainda o é.

É considerado um dos jogadores mais clutch de sempre, assim como um dos melhores lançadores de 3.

N°5 – Kobe Bryant

Kobe Bryant nasceu numa família de basquetebolistas, e desde cedo começou a jogar basquete. No basket a nível de liceu evidenciou-se de tal forma que já chamava a atenção da imprensa, e decidiu com apenas 17 anos declarar-se para o draft de 96, numa altura em que apenas ele e Kevin Garnett passaram do liceu para a NBA sem jogar a nível universitário.

No draft de 1996 Kobe foi sem surpresa escolha de 1a ronda, tendo sido a 13a escolha, pelos Charlotte Hornets. Os Lakers viram nele potencial para ser o futuro da NBA e adquiriram os seus direitos, numa troca por Vlade Divac. Nesse mesmo ano, os Lakers iriam contratar Shaquille O’Neal, com quem Kobe Bryant faria uma das melhores duplas de sempre na NBA.

Na sua primeira época tornou-se num jogador muito admirado pelos fãs, com grande velocidade, agilidade, versatilidade, jogo de pés, ética profissional e uma competitividade ao nível de um Larry Bird ou Michael Jordan, percebeu-se que estava ali o futuro Deus da modalidade. Kobe Bryant nessa época de estreia venceria o concurso de afundanços, e teria médias de 7.6 pontos, 1.9 ressaltos e 1.3 assistências, em apenas 15.5 minutos por jogo, excelentes médias para alguém tão jovem, e em tão pouco tempo de jogo.

Na época seguinte Kobe Bryant jogou muito mais tempo, e participou no all-star game pela 1a vez, ao mesmo tempo que surgiam rumores de tensões no balneário dos Lakers entre a estrela emergente e o líder da equipa Shaquille O’Neal. Kobe Bryant teve médias de 15.4 pontos, 3.1 ressaltos e 2.5 assistências, já com 26 minutos de média por jogo.

Contudo, a sua época de explosão surgiu em 1998-1999, quando se tornou numa peça essencial para os Lakers, jogando todos os jogos de início, e sendo dos melhores da liga na sua posição, a de n°2 de shooting guard, ele que também poderia jogar a small forward. Teve nessa época médias de 19.9 pontos e 5.3 ressaltos e 3.8 assistências.

Contudo, com Phil Jackson veio o melhor período de Bryant nos Lakers, a nível colectivo e individual, primeiro como parte do equipa extraordinária que varreria tudo e todos durante 3 anos, depois já sem O’Neal e com Gasol a servir de Robin a Bryant, quando os Lakers chegariam a mais 3 finais.

O nível de Kobe Bryant com Phil Jackson subiu muito, Kobe Bryant ia amadurecendo e trabalhando no seu jogo, ganhando reputação por ser um jogador com uma mentalidade férrea, e com gelo nas veias. Nos 3 primeiros campeonatos com Phil Jackson de 2000 a 2002, foi ganhando cada vez mais protagonismo, e dividindo o estrelato com Shaquille O’Neal, ainda o jogador mais importante daquela equipa, tendo no ano de 2002 tido prestações ainda acima das do Diesel até às finais, onde mais uma vez foi Shaquille O’Neal o mais importante dos Lakers, não tendo Kobe Bryant ainda um título de MVP das finais, apesar de já ter 3 títulos no CV.

Mais que nunca, Kobe Bryant tinha que se assumir como a estrela da equipa, pelo talento, pela idade, e pelo facto de se esperar que elevasse o seu jogo a um novo patamar. Esse patamar surgiu na época 2002/2003, com Kobe Bryant a apresentar números dignos de Michael Jordan, que estava na sua última época, marcando uma nova era na NBA, tendo médias de 30 pontos, 6.9 ressaltos, 5.9 assistências e 2.2 roubos de bola por jogo. Contudo, e por incrível que pareça, não deu para o MVP, pois na mesma época, Tim Duncan, outro gigante da NBA, fazia uma excelente temporada também, mas com a sua equipa a ter melhor registo na fase regular, equipa essa que impediu Kobe Bryant de ser campeão outra vez, com os Spurs a serem superiores aos Lakers nas meias-finais de conferência, num ano em que Kobe a ser campeão teria oportunidade de ser MVP das finais.

O ano de 2003 foi agridoce, apesar de ter elevado o seu jogo, cada vez estava mais convencido que tinha de ser a única super-estrela na sua equipa, deteriorando a sua relação com Shaquille O’Neal. O seu egocentrismo tornou-o numa figura muito impopular para muitos. Em 2003 teria também o seu momento extra-desportivo mais polémico e delicado, seria acusado de violação, numa queixa que seria depois retirada.

Contudo, a reputação de Kobe Bryant foi abalada, e o seu basket no início sofreu muito, tendo Kobe Bryant estagnado a sua ascensão que parecia imparável, com os seus números a baixarem, ao invés de subirem como seria de esperar para um jogador jovem em ascensão, além de ter estado abaixo do esperado nas finais perdidas contra os Detroit Pistons.

Contudo Kobe Bryant deu a volta e após ter conseguido ser a única super-estrela dos Lakers, quando O’Neal foi para os Miami Heat, voltou a ter números próximos do que nos habituara, 27.6 pontos, 5.9 ressaltos e 6 assistências por jogo, apesar de época dos Lakers ter sido desastrosa, já sem Phil Jackson também, e com mudança de treinador, com os Lakers a falharem os play-offs pela primeira vez em muitos anos.

Kobe Bryant foi muito criticado por colocar o seu ego à frente da equipa, levando à saída de colegas e a críticas de Phil Jackson, que o considerou como impossível de treinar, razão pela qual abdicou do seu cargo nos Lakers.

Mas Phil Jackson haveria de se voltar a entender com Kobe e voltaria a ser treinador da equip a Californiana.

Kobe Bryant em 2005-2006 teve uma época ainda superior à de 2002-2003 e foi finalmente o jogador que o Mundo esperava que ele fosse, o herdeiro de Jordan. Com uma capacidade para marcar de outro planeta, Kobe Bryant teve nessa época a sua melhor média de pontos, com 35.4, verdadeiramente assombrosa, tendo marcado 81 pontos frente aos Toronto Raptors, não lhe valendo o MVP porque mais uma vez venceu um jogador de uma equipa com melhor registo, Steve Nash, dos Phoenix Suns, que também seria a equipa a eliminar os Lakers dos playoffs.

Bryant mudaria de número na camisola, deixava o n° 8 e passaria a ser o N°24, numa manobra que muitos entenderam como uma alusão a Jordan, e de marketing também.

Nessa época o nível de Kobe Bryant continuou elevadíssimo, apesar de algumas atitudes reprováveis em jogo, que lhe valeram suspensões, como a agressão a Manu Ginóbili ou a Kyle Korver. Seria MVP do all-star game pela 2a vez em 2007, 5 anos depois da o ter sido pela primeira vez. Mais uma vez os seus Lakers não conseguiriam passar da 1a ronda dos play-off, sendo outra vez eliminados pelos Phoenix Suns.

Kobe Bryant terá chegado à conclusão que sem outra estrela na equipa não seria possível vencer, ele que tão ambicioso era, e a partir da época de 2007-2008 os Lakers iriam contar com o poste Espanhol Pau Gasol.

Os Lakers foram sempre uma força a ter em conta, e com Kobe a um nível estratosférico chegariam a 3 finais da NBA seguidas, sendo derrotados pelos Celtics de Paul Pierce, Ray Allen, Rajon Rondo e Kevin Garnett na 1a final, no ano em que finalmente Kobe Bryant seria MVP, os Lakers seriam campeões em 2009 e 2010, com Kobe a ser o MVP de ambas as finais, em 2009 contra os Orlando Magic, e em 2010 na vingança a 7 jogos contra os Celtics, quando Pau Gasol também teve grandes atuações. Era a confirmação do estatuto de Kobe Bryant entre os Deuses da NBA, conseguia ser o melhor jogador da liga, vencer os prémios individuais, e ainda ser campeão e ser ele o homem das decisões.

Pelo meio, Kobe Bryant seria fundamental para a equipa dos Estados Unidos voltar a trazer o ouro olímpico, numa grande final contra os Estados Unidos.

Em 2010-2011 surgiu uma nova era na liga, com os Big 3 de Miami, e LeBron James a ocupar o lugar que até então era de Bryant, contudo, por pouco não voltava às finais da NBA, sendo só afastados pelos eventuais campeões Dallas Mavericks, de Dirk Nowtizki. Seria também em 2011 que seria pela 4a e última vez MVP do all-star game.

Em 2011-2012 Kobe Bryant teve outra época fenomenal, apesar de algumas lesões, não sendo melhor marcador da liga por muito pouco, precisando de 38 pontos para o ser, mas abdicou de tentar por questões de precaução no último jogo da fase regular. Nos play-offs, os Lakers perderiam nas meias-finais, para os eventuais campeões de conferência, os Oklahoma City Thunder de Kevin Durant.

Nesse ano seria outra vez campeão olímpico pelos Estados Unidos.

Kobe Bryant ainda teria mais uma fantástica época, em 2012-2013, quando já era um veterano na liga, mas numa equipa com Mike D’Antoni a treinador, e com outros veteranos como Steve Nash, Kobe Bryant fez o que melhor sabia, ser ele a pegar na batuta da equipa, e decidir jogos, tendo fantásticas sequências de pontos e também assistências, e levando os Lakers aos play-offs, numa equipa muito debilitada por lesões, e com um plantel de pouca qualidade, mas que não diminuiu a ambição do Black Mamba, que se sacrificou em prol da equipa como nunca antes visto, lesionando-se a poucos jogos do final da época, não conseguindo voltar para jogar os play-offs. Sem ele os Lakers perderiam 4-0 para os San Antonio Spurs, eventuais campeões de conferência.

Essa seria a última grande época de Kobe Bryant, depois de 2013 surgiu um calvário de lesões que o impediram de voltar a ser o jogador que era, e com os Lakers a ressentirem-se disso, não mais voltando aos play-offs. Contudo, houve mais alguns momentos mágicos de Kobe, como no seu último jogo em 2015-2016, no Staples Center, contra os Utah Jazz, quando marcou 60 pontos, num dos momentos mais marcantes da NBA moderna.

Foi o fim da carreira de um dos jogadores mais apaixonantes de sempre, ele que em Novembro de 2015 anunciou que iria terminar a carreira no final da época.

Kobe Bryant foi alvo de muitas homenagens, até em pavilhões onde costumava ser vaiado, a sua arrogância e egocentrismo que o tinham tornado numa jogador amado-odiado ficavam esquecidas, e o que cada vez mais ficava eram as memórias de um jogador que fez do basket um desporto vistoso e belo, tal como antes o tinha feito Michael Jordan, assim como a sua competitividade e instinto assassino, tendo decidido inúmeros jogos de forma memorável, e criando o legado do Black Mamba, que irá ficar na história da modalidade pelas melhores razões.

Os Lakers retiraram as suas 2 camisolas, a 8 e a 24, sendo Kobe Bryant o único da história a ter 2 camisolas retiradas pela mesma equipa.

No seu legado estão 5 títulos da liga, 2 MVP das finais, MVP da fase regular em 2008, 18 presenças em all-star, 4 MVPs do all-star, 2 títulos de melhor marcador, 11 inclusões na primeira equipa da NBA, 9 inclusões na 1a equipa defensiva da liga e ainda 2 títulos olímpicos.

Sem dúvida um dos maiores e mais laureados jogadores de sempre.

Para a revista Slam, Kobe Bryant foi o 5° melhor jogador de sempre.

N°4 – LeBron James

LeBron James teve uma infância difícil em que encontrou no basket e Michael Jordan, ele que cresceu no Ohio, uma motivação e referência para chegar longe e vencer na vida.

Cedo se destacou no desporto, sendo um fenómeno a nível escolar, jogando contra rapazes mais velhos, a na maior parte das vezes vencedo-os.

LeBron James tornou-se um fenómeno a nível de popularidade quando ainda jogava no liceu, com os seus jogos a já serem transmitidos pela ESPN, e LeBron James a ser capa da Sports Illustrated, e a ser já denominado de King.

A expectativa era muita, a ponto de LeBron James nem sequer ter jogado a nível universitário, tal como Kobe Bryant, saltando do liceu para a NBA, sendo sem grande surpresa a 1a escolha do draft em 2003, escolhido pelos Cleveland Cavaliers. Nesse mesmo draft, um dos melhores de sempre, também estiveram Dwyane Wade, Carmelo Anthony, Chris Bosh, Boris Diaw, Carlos Delfino ou Leandro Barbosa.

Na sua época de estreia, e com apenas 18 anos, LeBron James superou as expectativas e atingiu médias impensáveis para um adolescente, fazendo 19 anos já em Dezembro. Nessa equipa dos Cavaliers apenas Ilgauskas era um nome digno de registo, sendo que nem com as boas prestações de ambos os Cavaliers alcançaram os play-offs. LeBron James no final da sua época de estreia na NBA teve médias de 20.9 pontos, 5.9 assistências e 5.5 ressaltos, incrível para um adolescente, e que lhe valeu o prémio de rookie do ano, na frente de Carmelo Anthony.

LeBron James não parou de evoluir e conseguiu na sua 2a época estar entre os melhores marcadores da liga, com média de 27.2 pontos, a juntar a 7.2 assistências e 7.4 ressaltos por jogo, numa época que começou quando ainda tinha 19 anos, e que lhe valeu a presença no all-star game e na 2a equipa da NBA. Contudo, LeBron James ainda não conseguia fazer dos Cavaliers uma equipa de play-offs, mas pouco faltaria.

Na sua 3a época, LeBron James explodiu e tornou-se sem dúvida num dos melhores jogadores da liga, tendo nessa mesma época a sua melhor média de pontos, 31.4, e fazendo dos Cavaliers uma das melhores equipas da conferência Este, tendo conseguido jogar os play-offs pela primeira vez, e com apenas 21 anos, sendo eliminado na 2a ronda pelos Detroit Pistons. LeBron seria MVP do all-star game, e 2° no MVP atrás de Steve Nash, dos Phoenix Suns. Era difícil pedir mais a alguém tão jovem, que em campo mostrava uma liderança de veterano.

Na época de 2006-2007, LeBron James cimentou o seu estatuto de mega estrela e conduziu os Cleveland Cavaliers a uma inédita final da NBA, apesar de terem sido varridos pelo Big-3 dos San Antonio Spurs, de Tim Duncan, Manu Ginóbili e Tony Parker. Contudo, ficariam momentos memoráveis como a exibição no jogo 5 das finais de conferência, frente aos Detroit Pistons, com LeBron James a marcar 29 dos últimos 30 pontos da sua equipa, numa das suas melhores exibições em play-offs, com 48 pontos, 9 ressaltos e 7 assistências.

Na época seguinte seria melhor marcador da NBA pela 1a e única vez, com média de 30 pontos por jogo, não sendo MVP por causa de um tal Kobe Bryant, que ainda detinha o estatuto de melhor jogador da NBA. Contudo, a forma da sua equipa na fase regular cairia muito, o que significaria que os Cavaliers iriam encontrar a melhor equipa da conferência, os Boston Celtics, na 2a ronda, que seria resolvida só no jogo 7, com um grande duelo entre Paul Pierce e LeBron James, apesar dos 45 pontos do King, os Celtics prevaleceriam e seriam também campeões da NBA nesse ano. LeBron James seria pela 2a vez MVP do all-star game nessa época, e também campeão olímpico junto a Kobe Bryant e Dwyane Wade. Contudo, o título continuava a fugir-lhe e não era fácil, tendo em conta o poderio de equipas como os Lakers e Celtics.

Em 2008-2009 foi pela 1a vez MVP, por culpa de grandes exibições que fizeram dos Cavaliers a equipa com melhor registo na fase regular, com Mo Williams a ajudar LeBron James a conseguir um registo de 66-16, o melhor de sempre dos Cavaliers então. Discutia-se já se era o melhor do Mundo por cima de Kobe Bryant, apesar de ainda não ter títulos, e que também não chegaria naquele ano, perdendo nas finais de conferência para os Orlando Magic de Dwight Howard em 6 jogos. A época de LeBron James foi incrível em termos estatísticos, liderando a sua equipa em pontos, ressaltos, assistências, desarmes de lançamento e roubos de bola, algo incrível.

Em 2009-2010 seria a última oportunidade de LeBron James conseguir o título pelos Cavaliers antes da famosa decisão, acabando em frustração, perdendo na 2a ronda dos play-offs para os Boston Celtics em 6 jogos, com LeBron James a ser muito criticado pela sua performance no 5° jogo da série. Contudo, nem tudo foi decepção, pois seria MVP da fase regular pela 2a vez seguida.

Mas LeBron James sabia que para estar ao nível dos melhores de sempre tinha de ganhar títulos, e em 2010, anunciou a famosa decisão, num programa de TV em directo, que estava de partida para os Miami Heat.

Nos Miami Heat juntou-se ao seu amigo Dwyane Wade, e também ao contratado Chris Bosh, todos da classe de 2003.

Em Miami, LeBron James teve talvez os melhores anos da sua carreira, quer a nível individual quer a nível colectivo, formando um Big-3 que entraria para a história da NBA. Os Miami Heat eram a equipa a abater, chegando à finais nas 4 épocas de LeBron James na equipa.

Não tendo ganho o MVP, numa corrida perdida para Derrick Rose dos Bulls, LeBron James teve a oportunidade de finalmente vencer um anel no seu primeiro ano nos Heat, contudo, a sua 1a final pelos Heat foi um pesadelo, tendo tido talvez o pior jogo da sua carreira no decisivo jogo 4 das finais contra os Dallas Mavericks, quando anotou apenas 8 pontos, e 0 no último período, os Mavericks, que eram a equipa surpresa da época, venceriam a final por 4-2, com LeBron James a ser muito criticado e até culpabilizado pela derrota.

LeBron James não baixou os braços, e regressou em grande na próxima época, sendo MVP da fase regular pela 3a vez, e chegando às finais também pela 3a vez na carreira. Caso para dizer que à 3a foi de vez para King James, sendo campeão e MVP das finais, LeBron James finalmente tinha aquilo que perseguia, o anel de campeão. Nas finais teve médias de 28.6 pontos, 10.2 ressaltos e 7.4 assistências por jogo, ajudando os Heat a derrotarem os Oklahoma City Thunder de Kevin Durant em 5 jogos, a sua post-season seria considerada como uma das melhores de sempre. Seria outra vez campeão olímpico em 2012, em Londres.

LeBron James manteve a forma e ambição, e na época seguinte voltou a ser MVP e campeão, sendo 2° na votação para Defensive Player of the Year, perdendo para Marc Gasol, com atuações incríveis dos 2 lados do campo, LeBron James era cada vez mais colocado ao lado de Michael Jordan, apesar da idade jovem e ainda não ter muitos títulos no currículo.

Sem surpresas, os Heat chegaram à final, onde teriam um adversário duro de roer, LeBron James precisou de 7 jogos, e do milagroso triplo de Ray Allen, para não perder as finais frente a uns Spurs muito veteranos, mas com sangue novo em Kawhi Leonard, que muito seria elogiado pela marcação a LeBron James nas finais. LeBron James foi de novo MVP das finais, e cada vez mais tornava-se uma lenda da NBA.

No ano seguinte teria um dissabor ao não vencer o título pelo 3° ano seguinte, perdendo por margem record para os San Antonio Spurs, que com Kawhi Leonard em grande, venceriam por 4-1 as finais. Kawhi Leonard seria o MVP das finais, e Kevin Durant seria o MVP da fase regular. Foi nesse ano que marcou o máximo número de pontos num jogo, 61 frente aos Charlotte Bobcats.

LeBron James chegava assim ao fim do seu reinado em Miami, sendo agora um jogador muito mais experiente, e com 2 títulos no currículo. Assim, LeBron James anunciava o seu regresso aos Cleveland Cavaliers.

Na sua 2a passagem pelos Cleveland Cavaliers, LeBron James era já um jogador muito diferente, que parecia só dar tudo de si nos play-offs e quando mais interessava, valendo-lhe elogios pelo facto de saber poupar o corpo para os momentos decisivos, mas também críticas por não dar tudo, também surgiram críticas à sua falta de esforço na defesa. Contudo, LeBron James voltou a não falhar nos momentos decisivos, indo às finais nos 4 anos em um esteve em Cleveland, perdendo 3 finais para uma das melhores equipas de sempre, os Golden State Warriors, e vencendo os mesmos em 2015-2016, numa época em que os Warriors tiveram uma época regular de 73-9.

Nas finais de 2014-2015, LeBron James não contou com os lesionados Kevin Love e Kyrie Irving, tendo os Warriors vencido em 6 jogos, apesar das grandes exibições de LeBron James.

No ano da vingança, e com os Cavaliers em plena força, LeBron James foi decisivo ao longo de toda a série, tirando proveito da suspensão de Green para forçar um jogo 7 nas finais, que ficaria marcado pelo seu desarme de lançamento a Iguodala nos últimos momentos, antes de Kyrie Irving selar o triunfo da equipa de Cleveland. Foi o maior feito da carreira de LeBron James, ser campeão na equipa do estado de Ohio, derrotando os super favoritos, e com o MVP das finais mais que justo, tendo actuações dignas de um Deus nas finais. LeBron James tornou-se o 1° jogador da história a liderar ambas as equipas em termos estatísticos numa final, com médias de 29.7 pontos, 11.3 ressaltos, 8.9 assistências, 2.3 desarmes de lançamento e 2.6 roubos de bola. Números inacreditáveis, e numa final contra uma grande equipa.

Surgiu então um debate que se mantém até hoje, se LeBron James conseguiu alcançar Jordan ou até superar his airness como melhor jogador da história.

Os próximos 2 anos foram bem sucedidos, mas não dava para mais que jogar as finais, com os Warriors a juntarem Kevin Durant ao seu plantel. Mesmo assim LeBron James conseguiu exibições fantásticas nas finais, ao marcar 51 pontos no 1° jogo das finais de 2018, num jogo decidido no prolongamento, e marcado pelo erro de J.R Smith. Os Cavaliers seriam varridos em 2018 depois de terem perdido 4-1 no ano anterior.

LeBron James tornou-se assim free agent outra vez, e decidindo desta vez jogar no Oeste.

LeBron James seria contratado pelos Los Angeles Lakers, uma equipa que não jogava os play-offs desde 2012-2013.

No Oeste, LeBron James até começou bem, mas uma série de lesões e outros contratempos fizeram os Lakers passarem de equipa bem colocada para os play-offs a 10a na conferência Oeste, numa época para esquecer a todos os níveis, com King James lesionado com gravidade pela 1a vez muito tempo.

LeBron James tem agora o desafio de aumentar o seu número de títulos para cimentar ainda mais o seu estatuto lendário.

LeBron James para além de 3 títulos e outros tantos finals MVP, foi 15× all-star, 3× MVP do all-star, 4× MVP da fase regular, 12× incluído na 1a equipa da NBA, 5× incluído na 1a equipa defensiva do ano, rookie do ano em 2004, melhor marcador em 2008, campeão olímpico em 2008 e 2012 e 2× atleta do ano para a Sports Illustrated, em 2012 e 2016, um currículo que não deve nada a ninguém.

A ESPN votou LeBron James como o 3° melhor jogador de sempre, apesar de ainda estar em actividade.

N°3 – Magic Johnson

No último lugar do pódio de lendas está Magic Johnson, o melhor base de sempre.

Earvin Johnson, que seria conhecido como Magic Johnson para os amantes de basket, tornou-se um fenómeno ainda no basket universitário, criando uma rivalidade que seria uma das maiores da história do basket com outro gigante da modalidade, Larry Bird.

Magic Johnson destacava-se pela visão de court única, com olhos nas costas, e com grande inteligência de jogo, aliados a uma técnica de passe nunca antes vista, antes ou depois, fizeram de Magic Johnson um base revolucionário, capaz de aliar espetáculo a eficácia.

Após o título universitário em 1979 pela universidade de Michigan, frente à equipa liderada por Larry Bird, e também o título de Most outstanding player da final four do NCAA tournament, Magic Johnson seria naturalmente a 1a escolha do draft de 1979, estreando-se no mesmo ano do seu rival Larry Bird, que havia sido jogador universitário do ano, mas que já havia sido escolha do draft no ano anterior, apesar de ter continuado mais um ano na universidade.

Logo na época de estreia, Magic fez jus à sua alcunha, e com um basket de uma beleza raramente vista afirmou-se como uma estrela numa equipa dos Lakers que já contava com Kareem Abdul Jabbar, outra lenda do basket. Seria nesse mesmo ano votado para o all-star pela 1a vez, tal como Larry Bird, e mais incrível ainda, seria MVP das finais no ano de rookie, algo inédito. As suas médias na época seriam de 18 pontos, 7.7 ressaltos e 7.3 assistências, que lhe valeram lugar na equipa rookie do ano, só não sendo rookie do ano porque Larry Bird também esteve a um nível muito elevado. Nas finais frente aos Sixers, Magic Johnson teve uma performance fantástica após a lesão de Kareem Abdul Jabbar no jogo 5, com 42 pontos, 15 ressaltos, 7 assistências e 3 roubos de bola no 6° e último jogo das finais. Na série toda, Magic teve médias de 21.5 pontos, 11.2 ressaltos, 8.7 assistências e 2.7 roubos de bola. Incrível, e apesar da lesão de Kareem Abdul Jabbar ter ajudado, o prémio de MVP das finais estava bem entregue. De relembrar que nesse jogo, Magic Johnson fez várias posições, incluíndo a de poste, a substituir Kareem, uma prova da sua versatilidade.

No ano seguinte foi a vez do seu rival Larry Bird levar o título pelos Celtics, Johnson por sua vez teve uma lesão grave que o afastou durante a maior parte da época, regressando a tempo dos play-offs, mas para serem eliminados pelos Rockets, futuros finalistas.

Em 81-82 Magic Johnson voltou à sua melhor forma, e voltou a ser incluído no all-star, para além de ser incluído na 2a equipa da NBA, para isso contribuiram as suas médias de quase triplo-duplo, 18.6 pontos, 9.6 ressaltos, 9.5 assistências e ainda 2.7 roubos de bola, um máximo da época. Magic Johnson era já treinado por Pat Riley, e seria campeão outra vez ao derrotar os Sixers de Erving e Malone em 6 jogos, sendo MVP das finais pela 2a vez, com médias de 16.2 pontos, 10.8 ressaltos, 8 assistências e 2.5 roubos de bola.

Na época seguinte Magic Johnson seria incluíndo na 1a equipa da NBA pela primeira vez e afirmava-se cada vez mais como um dos 2 melhores jogadores do Mundo, o outro sendo Larry Bird, com médias de assistências incríveis, fazendo da NBA um espetáculo e atraindo novo público, numa altura em que a NBA tinha passado por uma profunda crise em termos de popularidade, assim Magic estava a ajudar a NBA a tornar-se um fenómeno de popularidade. Nesse ano de 82-83, Johnson falhou o título, ao perder nas finais para os Sixers, que se vingaram e venceram em 4 jogos. Seria pela primeira vez líder de assistência, ele que passava melhor que qualquer outro jogador na liga.

Em 1983-1984 começou o pico da rivalidade de Magic com Bird, ao disputar a primeira de várias finais com Celtics. A nível individual, Bird levaria a melhor e seria MVP pela primeira vez em 84, com Magic a ter a vantagem de títulos ganhos.

As finais de 84 foram das mais memoráveis de sempre, com as finais a serem decididas no jogo 7. Apesar de Bird ter levado a melhor, Magic Johnson voltou a dar show e teve médias de 18 pontos e 13.6 assistências. Nessa época seria líder de assistências outra vez, com média de 13.1 assistências.

Em 1985, apesar de Larry Bird ter sido de novo MVP, título que ainda lhe escapava, seria de novo campeão, noutra final contra os Celtics, vencida em 6 jogos, com Magic em grande nível, apesar de o MVP das finais ter sido Kareem Abdul Jabbar.

Em 1986 Magic Johnson teria outra grande época, outra vez melhor assistente da liga, e com médias de 18.8 pontos e 12.6 assistências, mas nem assim seria MVP, com Larry Bird outra vez a levar a melhor. Nos play-offs a sua forma ajudou a equipa a chegar às finais de conferência, onde seriam derrotados pelos Rockets, já com Hakeem Olajwon.

Em 1986-1987, Magic Johnson teria para muitos a melhor época da sua carreira, conseguiria ser MVP pela 1a vez, seria campeão e MVP das finais de novo. Era a sua plena vitória sobre Larry Bird e os Celtics, seria pela 4a e última vez líder de assistências. As suas médias de época foram de 23.9 pontos, 12.2 assistências e 6.3 ressaltos por jogo. Nas finais os Lakers precisariam de 6 jogos para vencerem, Magic esteve sublime nessas finais, com médias de 26.2 pontos, 13 assistências, 8 ressaltos e 2.3 roubos de bola.

Nesta altura Magic Johnson era já considerado o melhor do Mundo, por cima de Bird e do emergente Jordan.

Magic Johnson voltaria a fazer magia na época seguinte, sendo de novo campeão, desta vez frente aos Pistons de Isiah Thomas em 7 jogos, mas seria James Worthy o MVP apesar das grandes exibições de Magic Johnson. Nessa época falharia o MVP para Michael Jordan.

Johnson seria de novo MVP em 89, com mais uma temporada de grande nível, com médias de 22.5 pontos, 12.8 pontos e 7.9 ressaltos por jogo, ficando com um a menos que o seu rival Larry Bird, que começava a ter problemas físicos. Mais uma vez os Lakers iriam às finais, mas desta vez os Bad Boy Pistons varreriam a equipa de Los Angeles, com Magic a lesionar-se no jogo 2.

Magic Johnson teria mais uma época fenomenal em 1989-1990, com mais um prémio de MVP, igualando os 3 de Larry Bird. Contudo, o nível dos Lakers de Pat Riley já não era o mesmo, uma mistura de vetetania e o aparecimento de outras equipas ditaram o declínio dos Lakers, que já haviam sido atropelados no ano anterior. Também já não havia Kareem Abdul Jabbar. A nível individual foi das melhores temporadas de Magic, a juntar o MVP da fase regular ao MVP do all-star game pela 1a vez. As suas médias de época foram de 22.3 pontos, 11.5 assistências e 6.6 assistências. Nos play-offs foram os Suns de Charles Barkley a eliminar os Lakers.

A sua média de pontos cairia na época de 90-91 (19.4), aumentando em assistências (12.5). Contudo, continuava a ser um dos 2 melhores jogadores da liga, só perdendo para o MVP da época Michael Jordan. Os seus Lakers já tinham Divac e Worthy estava já muito veterano, e Pat Riley já não era o treinador. Mesmo assim conseguiu levar os Lakers a mais uma final, perdendo para aos Bulls de Jordan, que eram simplesmente impossíveis de conter. A série foi decidida em 5 jogos. Magic Johnson jogaria então a sua última final.

Na época seguinte Magic Johnson anunciaria o fim da sua carreira, por causa do infame vírus HIV, anunciando a retirada em Novembro, numa conferência de imprensa. Apesar da sua retirada, seria votado pelos fãs para o jogo do all-star, no 5 inicial, sendo MVP do jogo pela 2 e última vez na carreira. A sua verdadeira despedida do basket seria nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, como parte da melhor equipa de basket alguma vez reunida. Magic Johnson teve atuações a lembrar o melhor Magic do final da década de 80, um final de carreira que Magic Johnson bem mereceu, junto aos melhores do Mundo.

Magic Johnson anunciou que ainda tentou voltar à NBA, mas que desistiu por oposição de outros jogadores, apesar de ter jogado nos Olímpicos após ser detectado com o vírus.

Magic Johnson desde então tem sido um embaixador da NBA, e tem desempenhado vários cargos, incluíndo o de GM dos Lakers, cargo ao qual renunciou recentemente.

Magic Johnson entrou para a história como o melhor base de sempre, o jogador com melhor técnica de passe, e pelo movimento característico de no-look pass, copiado por muitos outros jogadores como Steve Nash ou Jason Williams.

No seu legado estão 5 títulos da NBA, 3 MVPs da fase regular, 3 MVPs de finais, 2 MVPs do all-star game, 12 inclusões no all-star game, 9 inclusões na 1a equipa da NBA, 4 títulos de melhor assistente, 2 títulos de líder em roubos de bola e o ouro olímpico, a culminar uma ímpar carreira.

O seu número, 32, foi retirado pelos Lakers, enquanto a universidade de Michigan retirou o número 33, que ele usava.

Para a ESPN, Magic Johnson foi o 4° melhor jogador de sempre, atrás somente de Michael Jordan, Kareem Abdul Jabbar e LeBron James.

N°2 – Kareem Abdul Jabbar

No número 2 da nossa lista de maiores lendas da NBA temos Kareem Abdul Jabbar, o ainda maior pontuador da história da liga.

Kareem Abdul Jabbar, Lewis Alcindor antes de mudar de nome, tornou-se num fenómeno ainda no basket universitário, tal como outras lendas da modalidade.

Pela sua universidade, da Califórnia, conseguiu o feito de ter ganho 3 títulos seguidos, sendo o MVP dessas conquistas, e jogador universitário do ano por 3 anos seguidos, sem dúvida, que já na universidade o então Lewis Alcindor tinha algo de diferente dos outros.

Lewis Alcindor era assim em 1969 o jogador mais desejado no draft da NBA, e calhou aos Milwaukee Bucks a sorte de ser a equipa com a 1a escolha.

Logo na sua época de estreia, Lewis Alcindor tornou-se um verdadeiro fenómeno, com uma capacidade para dominar debaixo das tabelas e dos dois lados do campo raramente vista, e com um movimento característico, o skyhook, que se tornaria no lançamento mais temível de sempre, simplesmente indefensável.

A boa forma de Lewis Alcindor valeu aos Bucks a entrada nos play-offs, após serem 2°s na conferência Este, com registo de 56-26, enquanto no ano anterior os Bucks tinham tido um registo de 27-55, sem dúvida que poucos jogadores na história da liga mudaram tanto o rumo de uma equipa como Lewis Alcindor, e logo na época de rookie. Os Bucks chegariam à final de conferência, onde perderiam para os Knicks. As suas médias foram de 28.8 pontos e 14.5 ressaltos, que lhe valeram o prémio de rookie do ano e também a sua primeira inclusão no all-star game assim como na equipa do ano da NBA, na 2a equipa.

Na época seguinte Lewis Alcindor teria na sua equipa outra vedeta, o base Oscar Robertson, capaz de o ajudar a tornar os Bucks em equipa campeã, algo que só com ele na equipa não aconteceu por pouco. Com uma das melhores duplas da era na liga, os Bucks tiveram uma época incrível, em que foram a melhor equipa da fase regular, com registo de 66-16, e 20 vitórias seguidas, na altura um recorde. Lewis Alcindor era um verdadeiro fenómeno a todos os níveis, com números inacreditáveis, dignos de um Wilt Chamberlain, mas um jogo colectivo digno de um Bill Russell, com grande capacidade defensiva, sendo dos melhores marcadores, ressaltadores e shot blockers da liga, apesar de ainda não serem contabilizados os desarmes de lançamento,. Sem surpresa foi eleito MVP pela 1a vez na carreira, num ano em que seria campeão e MVP das finais, quando os Bucks varreram os Bullets 4-0, depois de só perderem um jogo nos play-offs, nessas finais Lewis Alcindor teve médias de 27 pontos e 18.5 ressaltos, que mais que justificaram o prémio de MVP das finais. Em relação à fase regular, as suas médias foram de 31.7 pontos e 16 ressaltos, tendo sido melhor marcador pela primeira vez.

Lewis Alcindor era o novo fenómeno da NBA, depois de ter sido o melhor jogador universitário de sempre, estava a juntar o seu nome aos maiores da história, com 24 anos completados mesmo antes de terminada a época, o futuro não tinha limites para Lewis. Foi nesse mesmo ano que mudaria o nome para aquele que é conhecido hoje, Kareem Abdul Jabbar.

Na época seguinte, Kareem seria melhor marcador da liga outra vez, com inacreditáveis 34.8 pontos por jogo, que juntando aos 16.6 ressaltos por jogo, e também 4.6 assistências por jogo, incrível sendo ele um poste, fizeram dele MVP da fase regular pelo 2° ano seguido. A boa forma dos Bucks continuou, mas não deu para serem campeões, perdendo as finais de conferência Oeste para os Lakers por 4-2.

Kareem Abdul Jabbar mantinha as suas médias assombrosas, sendo para além das qualidades já referidas um jogador com grande físico e incansável, para além de regular e raramente se lesionar. Na época de 72-73 Kareem Abdul Jabbar não conseguiu levar os Bucks às finais, perdendo nas meias-finais de conferência Oeste para os Warriors. O MVP também fugiu a Kareem, apesar dos seus 30.2 pontos, 16.1 ressaltos e 5 assistências de média.

Na sua penúltima época em Milwaukee Kareem foi mais uma vez MVP, pela 3a vez em 4 épocas, para além de ter conduzido os Bucks a mais uma final da liga, perdendo em 7 jogos para os Celtics, apesar da grande prestação de Kareem nessas finais, com médias de 32.6 pontos, 12.1 ressaltos, 5.4 assistências, e 2.1 desarmes de lançamento, no primeiro ano em que eram contabilizados, com Kareem a ser dos melhores nesse capítulo durante a época.

Na sua última época nos Bucks Kareem seria pela 1a vez líder em desarmes de lançamento, na 2a época em que eles eram contabilizados, com 3.3 desarmes de média. Apesar dos bons números individuais, Kareem falhou muitos jogos por lesão, o que levou os Bucks a falharem o objetivo dos play-offs, uma prova da importância de Kareem na equipa.

Kareem Abdul Jabbar tinha assim, uma despedida com pouco glamour de uma equipa que ele fez grande.

Seria então trocado para os Lakers, que também estavam em crise. Na sua primeira época nos Lakers, Kareem voltou a ser ele próprio, e teria uma época estratosférica, com médias de 27.7 pontos, 16.9 ressaltos, 5 assistências, 4.1 desarmes de lançamento e 1.5 roubos de bola, sem dúvida das melhores épocas individuais de um jogador na NBA, com Kareem fantástico dos dois lados do campo, e o prémio de MVP a coroar a sua grande época. Mas a nível colectivo, não conseguiu levar os Lakers aos play-offs, desta vez sem nenhuma lesão a servir de motivo. Seria a única época em que seria melhor ressaltador, e a 2a até então como jogador com mais desarmes de lançamento.

Kareem Abdul Jabbar mantinha uma forma infernal nos Lakers, e seria MVP pela 5a vez na sua carreira, estavamos no ano de 1977 e Kareem ainda tinha muitos anos pela frente. Faltava o 2° título na carreira, que não chegaria tão cedo, com os Lakers a perderem as finais de conferência de 77 para os Trail Blazers, marcadas pelo enorme duelo entre Kareem Abdul Jabbar e Bill Walton, um dos seu maiores rivais.

Nas próximas 2 épocas, Kareem não venceu nenhum prémio MVP nem esteve perto de vencer o título, apesar do seu enorme jogo. Os Lakers foram derrotados em ambos os anos pelos Seattle Supersonics.

Em 1979 os Lakers escolheriam no draft um tal Magic Johnson, e isso iria revitalizar a carreira do já veterano de 10 épocas Kareem, que tinha sido MVP em metade dos seus anos na NBA, mas campeão em apenas 1. Com Magic tudo mudou, e Kareem Abdul Jabbar faria parte de uma dupla lendária pela última vez na carreira. Os Lakers tornaram-se uma das forças, se não a força, dominante da NBA. Kareem Abdul Jabbar seria MVP pela 6a vez na carreira, ainda hoje um recorde, e ajudaria os Lakers a serem campeões frentes aos Sixers numa séria decidida em 6 jogos. Com Kareem, que estava a ser o MVP das finais, a lesionar-se no 5° jogo, e com isso a oferecer a Magic Johnson a possibilidade de ser MVP das finais. Nos 5 jogos em que jogou, Kareem Abdul Jabbar teve médias de 33.4 pontos, 13.6 ressaltos, 3.2 assistências, 4.6 desarmes de lançamento e 0.6 roubos de bola. Talvez as suas melhores finais, mas sem possibilidade de ser MVP por falhar o jogo 6, numa decisão também discutível.

Nesta altura, Kareem Abdul Jabbar era já considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos, tendo mantido essa posição na hierarquia da NBA até um tal de Jordan assumir o trono. A sua durabilidade e consistência eram tão incríveis como o seu skyhook ou os seus desarmes de lançamento, apoiados nuns braços que pareciam não ter fim, sendo líder dessa categoria pela 4a vez em 6 anos, e em 7 anos que os mesmos eram contabilizados.

Na época de 80-81 dividiu cada vez mais as despesas da equipa com Magic Johnson, que se ia afirmando como um dos novos rostos da NBA, a par de Larry Bird. Os Lakers não conseguiriam ir às finais de 81, perdendo para os campeões de conferência, os Houston Rockets de Sampson. Na época seguinte Kareem Abdul Jabbar voltaria a ser campeão, ao derrotar os Sixers de novo nas finais, 4-2 seria o resultado. Pat Riley já era o treinador dos Lakers, e os Lakers eram conhecidos como ShowTime Lakers, pelo basket espetacular da equipa. Kareem não seria MVP das finais, apesar da sua excelente prestação.

Após 2 derrotas seguidas em finais, 1° frente aos Sixers numa varridela, e depois em 84 numa das melhores finais de sempre, em que os Celtics de Larry Bird derrotaram os ShowTime Lakers em 7 jogos, a vingança da equipa de Kareem viria em 85, com Kareem a ganhar o seu 4° título da liga, e o seu 2° MVP das finais, ele que facilmente teria 3 se não fosse a lesão em 80 quando ainda era o melhor jogador do Mundo. A vitória dos Lakers surgiu em 6 jogos, e Kareem teve médias de 25.7 pontos, 9 ressaltos, 5.2 assistências, 1.5 desarmes e 1 roubo de bola, dos melhores da sua equipa em todos os parâmetros do jogo, e quando já tinha 38 anos na altura das finais. Essa seria a última vez que Kareem seria MVP das finais, apesar de ter mais 2 títulos, em 87, vingança sobre os Celtics com Magic Johnson em grande, e no ano seguinte em 88, já com dificuldades a vencerem os Bad Boy Pistons, equipa que acabara com o reinado dos Celtics no Este. Pelo meio, houve a desilusão de 86, com os Rockets a impedir nova final contra os eventuais campeões Celtics, num ano em que a nível individual voltou a estar soberbo, sendo incluído pela última vez na 1a equipa da NBA.

A época de 1988-1989 seria a sua última na NBA. Incrível a sua longevidade, contava já com 41 anos no início da época, e terminaria a carreira já com 42 anos completados, e com sabor agridoce, pois os Lakers, que já tinham tido dificuldades em vencer os Pistons na época anterior, foram derrotados por 4-0 nas finais, impedindo Kareem de vencer um 7° anel.

Em sua homenagem, depois de anunciar a sua decisão, Kareem seria alvo de várias homenagens, incluíndo várias ovações de pé por parte de adeptos de equipas adversárias, e com Kareem a jogar o all-star game também. Terminaria a carreira como um grande jogador ainda, com um legado que se pensava impossível de sequer igualar na altura, com vários recordes, como o de maior número de jogos na liga, entretanto quebrado, e maior número de pontos, com 38.387 pontos, que ainda detém.

Kareem Abdul Jabbar é talvez o mais decorado jogador de sempre, não esquecendo que foi o melhor jogador universitário de sempre.

Os Bucks, Lakers e Universidade da Califórnia retiraram a sua camisola, a N°33, sendo Kareem Abdul Jabbar uma das maiores lendas de todas as equipas em que jogou.

No seu legado estão 6 títulos da NBA, 6 prémios MVP da fase regular, 2 MVP das finais, 2 títulos de melhor marcador, título de campeão dos ressaltos em 76, 4 títulos de jogador com mais desarmes de lançamento, que até 1973 não existia, 19 presenças no all-star, que é um recorde, 10 presenças na 1a equipa da NBA e 6 presenças na 1a equipa defensiva da liga, isto para além do rookie do ano em 1970.

Ainda hoje Kareem Abdul Jabbar é considerado o melhor poste de sempre, e um dos mais completos de sempre na sua posição.

É amplamente considerado um dos melhores jogadores de sempre, sendo eleito pela ESPN o 2° melhor jogador de sempre.

N°1 – Michael Jordan

No topo da nossa lista de maiores lendas da modalidade que amamos só poderia estar Michael Jordan, o Deus da modalidade.

Michael Jordan tornou-se um fenómeno no basket graças a inúmeras qualidades, como atleticismo, velocidade, agilidade, inteligência, impulsão e um jogo de pés extraordinário, fazendo dele imparável quando tinha a bola e decidia atacar o cesto, Michael Jordan tinha todos os fundamentos necessários para se tornar uma estrela.

Após vencer o título universitário em 1982, pela Universidade da Carolina do Norte, Michael Jordan ganhou reputação de uma das maiores promessas do jogo, sendo também aí que ganhou reputação de ser um clutch player.

Seria jogador universitário do ano em 1984, ano inesquecível para Michael Jordan, que seria campeão olímpico com os Estados Unidos, e se estrearia na NBA, após ser 3a escolha no draft, uma surpresa, apesar de ter sido um ano especial do draft, sendo escolhido pelos Chicago Bulls, uma equipa em grande crise na altura, e sem historial.

Michael Jordan, com o n°23, tal como era na universidade da Carolina do Norte, mudou para sempre a história dos Bulls, da NBA e do desporto Mundial.

A sua capacidade de voar em direção ao cesto, tendo uma elegância a conduzir a bola que era ímpar, aliado à sua grande capacidade de marcar pontos, muitos com o seu característico mid-range jump shot, que seria dos mais temíveis de sempre, fizeram de Jordan um fenómeno imediato, numa liga dominada por Larry Bird e Magic Johnson.

Na sua época de rookie não seria só rookie do ano, como também seria incluíndo no all-star game, e como parte do 5 inicial, um feito, ajudado pelos números surreais de Michael Jordan, com médias de 28.2 pontos, 6.5 ressaltos, 5.9 assistências, 2.4 roubos de bola e 0.8 desarmes de lançamento, sem dúvida excelentes números em todas as linhas. Jordan mostrou ainda uma competitividade fora do comum, uma mentalidade que faria dele um psicopata em campo, a quem só interessava vencer, e com um trash talk ao nível de um Larry Bird. Jordan leveria os Bulls aos play-offs, mas não deu para superar os Milwaukee Bucks na 1a ronda dos play-offs, com Jordan a conseguir ajudar os Bulls a vencer um jogo, 3-1 a favor dos Bucks seria o desfecho, Michael Jordan só tinha motivos para sorrir com o futuro, que se adivinhava radiante. Seria também na sua 1a época de profissional que seria incluíndo numa equipa all-NBA, neste caso na 2a.

Na época seguinte, muitas expectativas estavam depositadas em Michael Jordan. Esperava-se que lutasse pelo título de melhor marcador, e fosse dos principais candidatos a MVP da época. Mas a época foi azarada para Jordan, o 23 dos Bulls com apenas 3 jogos decorridos na época lesionaria-se com muita gravidade, partindo um pé. Jordan, sendo um animal competitivo, não baixou os braços, e recuperou a tempo de ainda conseguir ajudar os Bulls a apurarem-se para os play-offs, falhando no processo 64 jogos. Mas nos play-offs o melhor de Jordan surgiria. Como é costume nos grandes jogadores, Jordan mostrou a sua melhor versão nos jogos mais difíceis. Na 1a ronda dos play-offs os Bulls teriam pela frente os Celtics de Larry Bird, com vários jogadores lendários, para muitos a melhor equipa de sempre até então, e com Larry Bird Como melhor do Mundo, tendo 3 MVPs seguidos. Mas Jordan mostrou que era de outro planeta, e apesar de ter perdido os 3 jogos da série, conseguiu números de outro Mundo na série, levando Bird a dizer que Deus jogou disfarçado de Michael Jordan, após Jordan forçar a mítica equipa dos Celtics a um duplo prolongamento, marcando 63 pontos, um máximo em play-offs até hoje. Nessa série teve médias de 43.7 pontos, 6.3 ressaltos, 5.7 assistências, 2.3 roubos de bola e 1.3 desarmes de lançamento.

Na época seguinte, Jordan teria uma grande época individual, naquela que seria a sua 2a época de princípio a fim. Jordan seria pela primeira vez melhor marcador, ele que viria a ser melhor marcador nas épocas de princípio a fim até à sua 2a retirada, seria também incluído sem surpresa no all-star e na 1a equipa da liga, algo que também seria sempre até à sua 2a retirada. As suas médias foram de 37.1 pontos, 5.2 ressaltos, 4.6 assistências, 2.9 roubos de bola e 1.5 desarmes de lançamento, números dignos de um MVP, e que ajudaram os Bulls a ir de novo aos play-offs, mas mais uma vez os Celtics de Larry Bird eram demasiado fortes para os Bulls, apesar das grandes exibições de Jordan.

Em 87-88 teve para muitos a sua melhor época individual antes do 1° abandono. Jordan esteve absolutamente imperial em todos os aspectos do jogo, incluíndo a defesa, cujas capacidades finalmente foram reconhecidas, com o prémio de defensor do ano. Nessa época Jordan seria MVP pela 1a vez, que juntando ao prémio de defensor do ano, melhor marcador, MVP do all-star game e ainda o prémio de vencedor do concurso de afundanços, que ele já havia ganho em 87, tornaram a época de Jordan das mais impressionantes de sempre de um jogador em toda a história da NBA, sendo também o jogador com mais roubos de bola na liga. A sua forma ajudou os Bulls a tornaram-se um caso sério na liga, com um registo de 50-32, e conseguindo passar a 1a ronda dos play-offs pela 1a vez, vencendo os Cleveland Cavaliers em 5 jogos. Contudo, os novos reis do Este, os Bad Boys Pistons, mais experientes e com uma estratégia definida para parar Jordan, as chamadas “Jordan rules”, venceriam a série em 5 jogos, com Jordan sem nenhuma outra estrela a ser insuficiente para os Pistons, apesar de Pippen já jogar nos Bulls, mas sendo apenas um role player na sua época de rookie, e muito longe de ser uma estrela.

Esse era o único objectivo pendente de Jordan, ser campeão, já que individualmente varria tudo na liga, com todos os prémios já ganhos. A liga aproveitou o facto de Jordan ser o jogador mais popular do Mundo para expandir a modalidade e torná-la global, com as audiências a subirem em todo o Mundo, havia um novo Deus da modalidade, com uma habilidade nunca antes vista. As marcas e patrocinadores também iam tirando proveito de Michael Jordan, com a Nike a tornar-se um fenómeno em todo o Mundo muito por causa de Michael Jordan.

A rivalidade com os Pistons aumentaria de patamar, com as duas equipas a disputarem a final antecipada da NBA, visto que o vencedor desses encontros seria campeão, numa altura em que a conferência Este estava ao rubro.

Na época de 1988-1989 não revalidou o título de MVP, apesar de ter tido médias de 32.5 pontos, 8 assistências, 8 ressaltos, 2.9 roubos de bola e 0.8 desarmes de lançamento. Pensou-se que nessa época Jordan ia ter a sua consagração, após chegar às finais de conferência, tendo nessa campanha eliminado os Cavaliers com o seu famoso “The Shot”, mas o jogo rude e muitas vezes a roçar e ilegalidade dos Pistons prevaleceria, com 4-2 na série.

Os “Jordan rules, tinham vencido, e Jordan teve motivos de queixa por muitas faltas violentas que sofreu, quer de Laimbeer quer de Rodman ou até Isiah Thomas. Mas Jordan, como animal competitivo que era não baixou os braços e voltou melhor ainda, com grande vontade de finalmente ser campeão em 1989-1990. Phil Jackson já era o treinador dos Bulls e nesse ano Scottie Pippen apresentou-se a grande nível, tendo sido escolhido para o all-star, e os jovens jogadores da equipa estavam já num excelente patamar.

Os Bulls voltaram a defrontar os Pistons na final de conferência, na chamada final antecipada, e desta vez tiveram ainda mais razões para se queixarem do jogo violento dos Pistons, que mesmo assim precisaram de 7 jogos para vencer os Bulls. Não era o resultado que os amantes do bom basket queriam, mas seria também a última vez que os Pistons levavam a melhor sobre os Bulls.

Em 1990-1991 Jordan conduziu os Bulls a 61 vitórias na época, um recorde da equipa na altura. Sem surpresas venceu o MVP da fase regular pela 2a vez, com médias de 31.5 pontos, 6 ressaltos, 5.5 assistências e 2.7 roubos de bola. Desta vez não houve como parar os Bulls, com Jordan a vingar-se dos Pistons e conseguir disputar a sua 1a final da NBA após varrer os Pistons na final de conferência. Estava ultrapassado o maior e mais duro obstáculo, faltando os Lakers de Magic Johnson na final. Jordan teve umas finais verdadeiramente assombrosas, perdendo apenas o 1° jogo, no qual falhou o lançamento que poderia dar a vitória, mas depois vencendo os próximos 4 jogos, e com números de outro planeta, 31.2 pontos, 11.4 assistências, 6.6 ressaltos, 2.8 roubos de bola e 1.4 desarmes de lançamento, sendo líder da sua equipa em 4 dessas 5 estatísticas. Seria campeão e MVP pela 1a vez na carreira, Jordan aos 27 anos era não só o melhor jogador do Mundo, era também o atleta mais extraordinário do planeta.

Na época seguinte Jordan não parou e voltou a levar os Bulls às finais, após mais uma enorme fase regular, com 67-15 de registo, sendo MVP pela 3a vez na carreira, e pelo 2° ano seguido. Nos play-offs, Jordan teve mais concorrência que nunca, ao eliminar os Knicks dos seus rivais Ewing e Starks em 7 jogos, e nas finais de conferência ao eliminar os Cavaliers em 6. Nas finais seriam os Trail Blazers de Clyde Drexler as vítimas de Jordan. Jordan teve uma das suas melhores finais de sempre, com jogos notáveis como o “shrug game”, em que marcou 6 triplos seguidos, ele que não era um triplista. Os seus 35.8 pontos por jogo (e não só) valeram-lhe o 2° prémio de MVP das finais. Nesse verão de 92 faria parte da melhor equipa alguma vez reunida, o Dream Team, que arrasou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, com Jordan a usar a camisola N°9.

Em 1992-1993 não conseguiu o 3° título de MVP consecutivo, tendo ganho o seu amigo Charles Barkley, para além de também não ter conseguido ganhar o prémio de defensor do ano, ficando em 2°. Contudo, o que mais contava para Jordan, mais que o individual, eram os títulos, e os Bulls voltaram a ser a equipa a abater. Chegando à 3a final consecutiva, os Bulls teriam de vencer os Phoenix Suns de Charles Barkley. Não sendo tarefa fácil, os Bulls voltaram a ganhar o título, e outra vez em 6 jogos, com Jordan MVP das finais outra vez. As suas médias foram outra vez espetaculares, 41 pontos, 8.5 ressaltos, 6.3 assistências, 1.7 roubos de bola e 0.7 desarmes de lançamento. Difícil de acreditar, mas Jordan era capaz de ter média de mais de 40 pontos em finais, marcar 55 pontos num jogo das de finais, e jogar dos 2 lados do campo, e com boas percentagens de lançamento.

Era o auge da Jordanmania, nenhum atleta havido sido tão consensual no seu desporto como Jordan. Jordan era um Deus do basket, alguém que estando em forma era mais de meio caminho andado para o sucesso.

Esperava-se uma dinastia dos Bulls, mas o destino assim não quis. Em Outubro, pouco antes da época começar, Michael Jordan decidia então abandonar a carreira de basquetebolista, citando então falta de desejo pelo jogo, depois citando também a morte do seu pai como motivo.

Assim Jordan teve uma aventura pouco bem sucedida pelo baseball. Os Bulls sem ele não venceriam mais, apesar da boa campanha na fase regular em 1993-1994. Em 1994-1995 a época dos Bulls estava a ser muito abaixo das expectativas, com dificuldades em apurarem-se para os play-offs. Então Jordan decide voltar, após quase 2 anos fora, anunciando o seu regresso com o famoso “I’m Back”. Jordan chegou a tempo de jogar alguns jogos da fase regular, ajudando os Bulls a carimbar o bilhete para os play-offs. Jordan usou a N°45 nesse final de época, ele que sempre usaria o 23. Jordan ainda estava enferrujado, mas conseguiu de forma incrível voltar a ter médias fantásticas, com 26.9 pontos por jogo nos 17 jogos da fase regular, e 31.5 nos play-offs, sem dúvida difícil de acreditar, para alguém que esteve quase 2 épocas sem jogar. Os Bulls melhorariam imenso, mas contudo foi insuficiente para afastar os Orlando Magic de Shaquille O’Neal e Penny Hardaway na 2a ronda dos play-offs, perdendo em 6 jogos.

Já depois de ter decidido voltar a usar o N°23 nos últimos jogos das finais, Jordan regressaria à forma que o caracterizou em 1995-1996, numa das melhores equipas de sempre, com o Dennis Rodman a acrescentar poder de ressalto a uma equipa que teria o melhor Jordan de volta. As audiências televisivas regressariam, e Michael Jordan estava no centro de tudo. Seria outra vez MVP da liga, e teria outra vez média de mais de 30 pontos por jogo, 30.4 e seria MVP do all-star game pela 2a vez. Após uma época de recorde na fase regular, com registo de 62-10, os Bulls seriam demasiado fortes para serem derrotados, chegando às finais após perder apenas um jogo para os New York Knicks, uma das equipas rivais de Jordan e dos Bulls, e após varrer nas finais de conferência os Magic, numa vingança pela derrota do ano anterior. Os adversários da final eram os Seattle Supersonics, de Gary Payton, um dos melhores defensores de sempre, e também um dos melhores trash talkers de sempre, tal como Jordan. Gary Payton foi encarregue da marcação a Jordan, mas Jordan e os Bulls conseguiriam ultrapassar o último obstáculo em 6 jogos. Jordan seria MVP das finais pela 4a vez, com média de 27.3 pontos, sem dúvida as suas finais mais discretas, em parte graças ao excelente defensor que era Payton.

Os Bulls e Jordan continuariam a vencer tudo. Na época de 96-97, em que Jordan perderia o MVP para um dos seus maiores rivais Karl Malone, os Bulls seriam outra campeões, tendo a 1a de 2 finais seguidas com os Jazz, do MVP Malone e de John Stockton. As finais foram vencidas mais uma vez em 6 jogos, com o MVP a ser novamente Jordan, desta vez com números melhores, 32.3 pontos, 7 ressaltos e 6 assistências. Jordan tinha já no currículo 5 títulos, 5 MVP das finais e 4 prémios de MVP da fase regular, apenas a um título dos 6 de Kareem Abdul Jabbar.

A ambição de Jordan não diminuiu com a vetetania, e após mais um época fantástica, a sua última antes da sua 2a retirada, seria MVP pela 5a vez, e MVP do all-star game pela 3a vez, para além do já habitual título de melhor marcador, o seu 10° e último. A sua média de pontos foi de 28.7, a mais baixa das 10 épocas em que foi melhor marcador, mas fantástica a todos os níveis.

Nas finais, as suas últimas, Jordan voltou a estar sublime, com os Bulls a vencerem em 6 jogos, com Jordan a decidir o 6° jogo, num dos seus lances mais memoráveis, em que rouba a bola a Karl Malone, e depois marcaria o cesto do título a poucos segundos do fim numa finta espetacular. O prémio de MVP das finais foi dele pela 6a vez, um recorde. A sua média de pontos nas suas últimas finais foram de 33.5, ao nível dos seu melhores anos.

Michael Jordan, não tendo mais nada a provar ou a ganhar abandonaria assim de novo a modalidade. Numa despedida que se pensaria definitiva. Em sua homenagem os Bulls retiraram a camisola 23, o mesmo fizeram os Miami Heat, apesar de Jordan nunca lá ter jogado. Uma justa homenagem ao melhor jogador de sempre.

Contudo, e numa jogada de marketing, para tentar aumentar o interesse na equipa da qual era acionista, os Washington Wizards, Michael Jordan decide em 2001 voltar à NBA, quase com 39 anos, e para jogar mais 2 épocas.

Jordan naturalmente não era o mesmo, apesar de ter feito excelentes jogos, mas a idade e o facto de ter estado 3 anos sem jogar impediram Jordan de fazer mais, não conseguindo apurar os Wizards para os play-offs.

Houve bons momentos de Jordan contudo, marcando 51 pontos na sua primeira época, e 43 pontos frente aos finalistas da liga e então melhor equipa do Este, os New Jersey Nets de Jason Kidd, isto aos 40 anos.

As suas médias foram de 22.9 e 20 pontos por jogo respectivamente.

Michael Jordan participou no all-star nessas 2 épocas.

Na sua última época, e sabendo que a despedida desta vez seria definitiva, os adeptos prestaram-lhe homenagens nos últimos jogos, com várias ovações de pé prolongadas, a mais marcante no seu último jogo, contra os Sixers em Filadélfia.

Chegava ao fim a carreira de um dos mais ilustres desportistas de sempre.

No seu legado estão 6 títulos da liga, 6 MVPs das finals, 5 MVPs da fase regular, 10 títulos de melhor marcador, o prémio de defensor do ano em 88, 3× o jogador com mais roubos de bola, 11 presenças na equipa da NBA, 10 na 1a e 1 na 2a, presenças na 1a equipa defensiva da liga, 14 inclusões no all-star game, 3 MVPs do all-star game, 2 títulos Olímpicos, 2 títulos no concurso de afundanços e ainda o título universitário em 1982.

Michael Jordan é hoje o maior embaixador da NBA, e é amplamente considerado o melhor jogador da história.

Sem surpresas, a ESPN colocou Jordan no 1° na sua lista de melhores jogadores de sempre, tal como havia feito a revista Slam.

Pedro Ribeiro

Formado em Ciências da Comunicação, trabalhou como Jornalista e Assessor de Comunicação. Fã da NBA, participou em vários projetos sobre esta liga. Fundador do site www.nbaportugal.com https://twitter.com/pedrofmribeiro

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