Adaptar o futuro

Adaptar o futuro

Antes da chegada da tua ansiada trade deadline, tivemos várias movimentações de última hora no mercado da NBA. Uma das trocas mais mediáticas, os Warriors trocaram Russell, Evans e Spellman, por Andrew Wiggins e duas picks do draft de 2021(1st e 2nd rounders).
 
Uma troca que acaba por se revelar,  como uma “win and win” trade para ambos os lados.
Do lado dos Wolves, era realmente necessário pensar em alternativas a Wiggins, pelo contrato extremamente elevado que o mesmo auferia, que nunca chegou a justificar o investimento e aposta que foi feito pelo franchise com a propositura de um max contract a Wiggins, que tem passado por vários altos e baixos na sua carreira, e revela problemas de consistência no seu jogo, apesar do enorme potencial que possui. Estes problemas apresentados por Wiggins em se afirmar como uma superstar levaram os responsáveis dos Wolves a começar a pensar em negociar uma trade, deixando para trás a aposta que tinha feito no jogador e pensar numa readaptação do roster, numa clara aposta no futuro. Surgiu a possibilidade deste “deal” e os Wolves decidiram abdicar de Wiggins em troca de D´angelo Russell, havendo uma aposta forte nas qualidades que o base pode trazer a equipa de Minnesota. Ganham assim um “scorer” de elite, que alia à sua capacidade individual a sua capacidade de envolver os colegas e contribuir para o sucesso coletivo da equipa, ao ser o primeiro base da equipa, que comandará o rumo do jogo ofensivo dos Wolves, e será uma peça essencial na ligação com o principal poste e figura da equipa, KAT, com o qual possui uma forte relação de amizade.


Em relação à postura de Golden State em trocar Russell, revela-se uma opção puramente estratégica. A decisão já vinha a ser noticiada há varias semanas pela imprensa, e estará relacionada com a dificuldade de Russell em manter-se saudável e em um bom”fit”no sistema de jogo de Steve Kerr, na medida em que vem lidando com pequenas lesões ao longo da primeira metade da regular season, falhando inclusive varios jogos. Os planos para esta época de juntar Russell a Curry e apostar num sistema com dois bases caiu por terra com a lesão de Curry e , já com Thompson lesionado o resto da temporada, esta é uma epoca atípica para uma equipa que ao longo dos últimos anos dominou por completo a NBA e este ano ocupa a última posição da tabela,o que levou os responsáveis de GS a terem de adaptar-se ao insucesso desportivo esta época.

Desta forma, sendo Russell um ativo valioso no mercado, inúmeras eram as equipas interessadas , e os GSW procuraram encontrar o melhor deal que conseguiram.
Abdicam de um jogador que não conseguiu encaixar no sistema da equipa e vão à procura de uma solução diferente, ao ir buscar um SF capaz de fazer múltiplas funções dentro do court, e que pode revelar-se como uma peça bastante útil para uma equipa que gosta de “correr”.  Encontra numa fase da carreira que exigia esta mudança de ares para poder levar o seu jogo a outro patamar, num contexto de uma equipa com uma mentalidade vencedora, que para o ano voltará em força para se reafirmar como candidata.

Como referiu Steve Kerr, Wiggins tinha em Minnesota o estatuto de estrela, com a inerente função de carregar e impulsionar a equipa para as vitórias. Em Golden State nao se pretende que ele seja a principal estrela, mas que seja capaz de evoluir e contribuir para uma equipa que possui já algumas estrelas . E diga-se, o retirar deste peso das costas e toda a carga emocional de ter de ser o número 1 poderá ser mesmo aquilo que Andrew Wiggins precisava nesta fase da sua carreira.

João Pinto

Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa; Apaixonado pelo desporto e pela melhor competição de basquetebol do mundo

Deixe uma resposta