Westbrook e Lakers: duas peças de puzzles diferentes?

Os LA Lakers somaram ontem a sua primeira vitória da época (e mesmo incluindo os seis jogos da pré-epoca), no entanto uma estrela continua sem brilhar… Cada vez mais os fãs se questionam se Westbrook encaixa nesta equipa dos Lakers.

No passado domingo, frente aos Memphis Grizzlies, Westbrook registou em 37 minutos apenas 13 pontos em 33% FG, 7 ressaltos e uns assombrosos 9 turnovers… O que valeu foram as 13 assistências que fez para não tornar este um dos piores jogos da sua carreira. Na verdade é de louvar a atitude de Westbrook ao ver que não conseguia criar os seus próprios pontos, optando, ao invés, por ajudar os seus colegas de equipa a pontuarem em maior quantidade. Aliás, o que está aqui em causa não é a sua qualidade enquanto jogador. O seu “currículo” fala por si. Efetivamente, o que aqui precisamos de averiguar é se este base foi a opção correta para os Lakers.

Todos sabemos do que o Westbrook é capaz, contudo as suas últimas exibições têm sido dececionantes. Isto é, dececionantes tendo em conta o calibre do jogador em questão. No final de contas estamos a falar de um ex-MVP. Frente aos Suns, o base registou 15 pontos, 11 assistências e 9 ressaltos mas também 4 turnovers. Este foi, possivelmente, o melhor jogo que fez desde que veste a camisola “purple and gold”. No jogo anterior marcou uns míseros 8 pontos em 30% FG, e teve 4 assistências e 5 ressaltos, juntamente com 4 turnovers. Ou seja, perdeu tantas vezes a bola como assistências que fez… Aliás, façamos uma breve análise a este jogo:

O primeiro clipe começa, precisamente, com Westbrook a atrapalhar-se com um colega de equipa… Parece um presságio para a época que agora começa… No segundo, quinto e sexto clipes o base tem uma boa oportunidade para lançar de 3 pontos que acaba por falhar, porque simplesmente não é o seu forte – nunca foi, a sua média de carreira de 3 pontos é penosamente 30%. No quarto clipe, Westbrook sente-se “preso” apesar de ter Davis a pedir a bola no post, e acaba por recorrer a uma ISO que falha. E assim por diante…

É certo que algo aqui está a falhar, e tudo aponta que seja o próprio estilo de jogo de Westbrook neste sistema dos Lakers. Não é segredo nenhum que LeBron James tem sempre mais sucesso quando está rodeado de atiradores, e esse simplesmente não é o forte de Westbrook. Aliás, o natural de Long Beach, Califórnia, é um jogador que precisa de ter a bola nas mãos. Westbrook prima pela sua agressividade e pela explosividade que emprega ao atacar o cesto. Num plantel ideal, Russel Westbrook tem toda a liberdade para atacar o cesto e das duas uma: 1) ou afunda na cara do defesa ou 2) atrai mais defensores e consegue “livrar” a bola para os colegas de equipa que se encontram no perímetro à espera de uma oportunidade destas para lançar de 3 pontos. Ora, apesar de a tática não ser a mesma para James, o pressuposto é comum: ter a bola e atrair mais defensores ou, caso tal não aconteça, ganhar pela força no 1v1.

Confesso que não sei qual vai ser o plano dos Lakers e, tão pouco, como vão solucionar este problema, porque tanto Lebron como Davis vão querer ter a bola nas mãos e atacar o cesto, e estas duas estrelas já têm o hábito e a química entre eles. Westbrook vem destabilizar, e mais que isso, vem prejudicar, pois quando um destes dois estiver a atacar o cesto, Westbrook vai ficar no perímetro para lançar de triplo (e sobre isto já falámos…).

Não querendo pôr sal na ferida, para trocar por Westbrook, os Lakers tiveram de se despedir de Kyle Kuzma e Caldwell-Pope (e Monztrezl Harrell) que de média de carreira lançavam de triplo 34% e 36% respetivamente, que apesar de não serem números excelentes, ainda são um aumento considerável comparativamente a Westbrook. Mas a verdade é que isto não é o pior. Efetivamente, os primeiros relatos que surgiram na off-season quanto à troca deste jogadores, seria em prol de obter Buddy Hield, que lança 41% de 3 pontos… Um jogador que não precisa de bola na mão, que é mestre do lançamento spot-up e que consegue espaçar o campo. Um jogador feito à medida de Lebron James.

Esta equipa dos Lakers não está no bom caminho, pelo menos para já… Aliás, a falta de química na equipa não se esgota no Westbrook. Na derrota frente aos Suns, Anthony Davis e Dwight Howard tiveram uma altercação no banco.

Fazendo nossas as palavras de Magic Johnson: os Lakers têm um problema de equipa e um problema de basquetebol.

João Araújo Correia

Licenciado em Direito, 23 anos e sou fã incondicional dos Clippers desde a era da Lob-City. Desde pequeno que adoro basquetebol, tanto de ver como jogar! Apesar do Patrick Beverly estar enganado quanto aos próximos 5 anos serem dos Clippers, espero que seja, pelo menos, 1!

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