Portugal quebra a barreira espanhola e pisca o olho ao Mundial!

Durante muitos anos, uma deslocação a Espanha seria vista como um dos desafios mais complicados possíveis para a Seleção Nacional. Desta vez, Portugal não entrou em campo apenas para tentar equilibrar o jogo. Entrou para ganhar, e saiu de Saragoça com uma das maiores vitórias da história do basquetebol português.

Os Linces derrotaram a Espanha por 95-89, no arranque da segunda fase de qualificação para o Mundial de 2027, alcançando o primeiro triunfo de sempre sobre os espanhóis num encontro oficial. Portugal já tinha vencido o mesmo adversário por 76-74, num particular disputado em 2025, mas esta vitória teve um significado completamente diferente. Desta vez, o resultado contava. E muito.

Perante mais de seis mil adeptos no Pavilhão Príncipe Felipe, Portugal não demonstrou qualquer receio diante da sexta melhor seleção do ranking mundial. A equipa de Mário Gomes entrou com intensidade, agressividade defensiva e muita confiança no ataque, terminando o primeiro período na frente por 21-14.

A Espanha reagiu no início do segundo quarto e chegou a passar para a liderança depois de um parcial de 17-3. Seria fácil para Portugal perder o controlo do jogo naquele momento, sobretudo perante a pressão do público e a qualidade do adversário. No entanto, a resposta portuguesa mostrou exatamente aquilo que acabaria por definir esta exibição: personalidade.

Com Neemias Queta novamente em campo e Rúben Prey a destacar-se dos dois lados do campo, Portugal recuperou a vantagem e chegou ao intervalo a vencer por 47-41.

A seleção espanhola voltou dos balneários mais agressiva e conseguiu alterar o rumo do encontro durante o terceiro período. Liderada por Álvaro Cárdenas, chegou a construir uma vantagem de nove pontos, colocando o resultado em 68-59. Portugal estava perante o momento mais delicado da partida, mas nunca deixou de acreditar.

Um triplo de Travante Williams ajudou a travar o crescimento espanhol e devolveu confiança à equipa. A defesa portuguesa voltou a subir de nível e os Linces responderam com um parcial de 12-3, entrando nos últimos dez minutos com o marcador empatado a 71 pontos.

O quarto período começou com um afundanço espetacular de Neemias Queta. Foi um daqueles lances que não vale apenas dois pontos: transmitiu energia a toda a equipa e confirmou que Portugal não estava disposto a deixar escapar aquela oportunidade.

Mesmo com Neemias limitado a pouco mais de 24 minutos, devido a problemas num joelho, Portugal encontrou soluções em todo o lado. Travante Williams assumiu a responsabilidade ofensiva e terminou como o melhor marcador português, com 22 pontos. Diogo Ventura esteve igualmente decisivo ao sair do banco, somando 19 pontos e vários lançamentos importantes nos momentos de maior pressão.

Neemias acrescentou 16 pontos e nove ressaltos, ficando muito perto do duplo-duplo, enquanto Rúben Prey realizou uma das melhores exibições da sua ainda curta passagem pela Seleção principal. O jovem português registou 15 pontos, quatro ressaltos e três roubos de bola, mostrando que está preparado para assumir um papel importante nesta equipa. Rafael Lisboa também chegou aos dois dígitos, com 11 pontos e quatro assistências.

Mais do que as prestações individuais, esta foi uma vitória coletiva. Portugal soube sofrer quando a Espanha aumentou o ritmo, não se desorganizou nos momentos de desvantagem e tomou melhores decisões na fase decisiva. Nos últimos minutos, jogou com a maturidade de uma seleção habituada a disputar este tipo de encontros.

O resultado ganha ainda mais importância tendo em conta o momento da qualificação. Portugal passa a apresentar um registo de quatro vitórias e três derrotas no Grupo I, mantendo-se totalmente envolvido na luta por um dos três lugares que dão acesso ao Mundial de 2027, no Qatar.

A vitória em Saragoça não garante o apuramento, mas muda a forma como esta equipa deve ser encarada. Portugal não derrotou Espanha através de um golpe de sorte ou de um lançamento no último segundo. Foi superior durante largos períodos e marcou 95 pontos fora de casa diante de uma das maiores potências do basquetebol europeu.

O próximo desafio será já na segunda-feira, diante da Geórgia, num CDC de Matosinhos completamente esgotado. Depois de uma noite histórica em Espanha, Portugal regressa a casa com a confiança reforçada e com o sonho de chegar pela primeira vez a um Campeonato do Mundo mais vivo do que nunca.

O basquetebol português continua a crescer. Em Saragoça, deu mais uma prova de que já não entra em campo apenas para competir. Entra para vencer.

Filipe Pereira

Alguém que é apaixonado pelo basquetebol e tudo aquilo que o envolve.

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