O small-ball pode ser a chave destas Finais?

Durante grande parte da temporada, Knicks e Spurs construíram a sua identidade à volta de jogadores dominantes na área pintada. De um lado, Karl-Anthony Towns; do outro, Victor Wembanyama.

À primeira vista, estas finais pareciam destinadas a ser decididas junto ao cesto, entre duas equipas capazes de controlar os ressaltos, proteger o aro e fazer o seu ataque funcionar através dos jogadores interiores.

No entanto, ao longo dos três primeiros jogos, começou a surgir outra conclusão. Os momentos mais interessantes da série talvez não sejam aqueles em que os dois gigantes se enfrentam diretamente, mas sim aqueles em que estão rodeados por quatro jogadores móveis, capazes de abrir o campo, trocar marcações nos bloqueios e acelerar o ritmo.

Por outras palavras: o small-ball pode tornar-se uma das grandes chaves destas finais NBA.

Os Knicks encontraram algo

Uma das principais conclusões do jogo 3 surgiu nos períodos em que New York utilizou uma formação mais leve. Quando Towns foi condicionado pelas faltas e os Spurs retiraram Wembanyama do jogo, o treinador Mike Brown apostou num quinteto composto apenas por bases, extremos e alas.

E funcionou.

Os Knicks passaram a ter cinco jogadores capazes de transportar a bola, criar movimento e multiplicar ameaças exteriores.

O resultado foi imediato:

  • O ataque tornou-se mais fluido.
  • Surgiram mais espaços.
  • A defesa dos Spurs foi obrigada a fazer mais rotações.
  • O ritmo do jogo aumentou.

E mesmo quando Wembanyama está em campo, se a circulação de bola acelera e as decisões são tomadas mais rapidamente, até um defensor tão extraordinário como o francês tem dificuldades em cobrir todas as zonas do campo ao mesmo tempo.

Os Spurs também têm a sua versão de small-ball

É aqui que o tema se torna ainda mais interessante.

À primeira vista, falar de small-ball numa equipa cujo jogador principal mede mais de 2,20 metros parece contraditório. Mas Wembanyama altera completamente as regras habituais.

Como consegue proteger o aro como um poste tradicional e, ao mesmo tempo, defender longe do cesto, os Spurs podem rodeá-lo de jogadores rápidos e versáteis sem perder consistência defensiva.

O jogo 3 foi um excelente exemplo disso.

Stephon Castle, Dylan Harper e De’Aaron Fox atacaram constantemente a área pintada.

Os Spurs multiplicaram as penetrações, criaram desequilíbrios e obrigaram a defesa dos Knicks a fazer rotações difíceis.

Por trás deles, Wembanyama funcionou simultaneamente como ponto de referência ofensivo e rede de segurança defensiva.

Esta fórmula permitiu a San Antonio recuperar uma circulação de bola muito semelhante àquela que tinha sido uma das suas maiores forças durante a época regular.

Uma arma que pode decidir o jogo 4

Nesta fase da série, cada ajuste conta.

As grandes estrelas continuarão a fazer a diferença. Brunson continuará a ser o motor ofensivo dos Knicks. Wembanyama continuará a ser o jogador mais influente dos Spurs em ambos os lados do campo.

Mas muitas vezes as Finais da NBA são decididas por detalhes menos visíveis.

O small-ball é um desses detalhes.

Permite criar mais espaço, obriga as defesas a tomar mais decisões, coloca os jogadores interiores adversários em situações desconfortáveis e aumenta o ritmo dos encontros — algo que normalmente beneficia as equipas mais criativas ofensivamente.

O jogo 3 deixou vários sinais nesse sentido.

As duas equipas descobriram combinações particularmente eficazes quando privilegiaram a mobilidade, o movimento e a versatilidade.

O jogo 4 dirá se esses momentos foram apenas ajustes pontuais ou se representam uma evolução mais profunda da série.

Uma coisa é certa: por trás das exibições de Brunson e Wembanyama, já está a ser travada outra batalha.

A batalha do tamanho, do espaço e da velocidade.

E ela pode muito bem acabar por decidir quem será o campeão da NBA.

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