Lendas da NBA: N°1 – Michael Jordan

Hoje chegamos ao topo da nossa lista de maiores lendas da modalidade que amamos, e no topo só poderia estar Michael Jordan, o Deus da modalidade.

Michael Jordan tornou-se um fenómeno no basket graças a inúmeras qualidades, como atleticismo, velocidade, agilidade, inteligência, impulsão e um jogo de pés extraordinário, fazendo dele imparável quando tinha a bola e decidia atacar o cesto, Michael Jordan tinha todos os fundamentos necessários para se tornar uma estrela.

Após vencer o título universitário em 1982, pela Universidade da Carolina do Norte, Michael Jordan ganhou reputação de uma das maiores promessas do jogo, sendo também aí que ganhou reputação de ser um clutch player.

Seria jogador universitário do ano em 1984, ano inesquecível para Michael Jordan, que seria campeão olímpico com os Estados Unidos, e se estrearia na NBA, após ser 3a escolha no draft, uma surpresa, apesar de ter sido um ano especial do draft, sendo escolhido pelos Chicago Bulls, uma equipa em grande crise na altura, e sem historial.

Michael Jordan, com o n°23, tal como era na universidade da Carolina do Norte, mudou para sempre a história dos Bulls, da NBA e do desporto Mundial.

A sua capacidade de voar em direção ao cesto, tendo uma elegância a conduzir a bola que era ímpar, aliado à sua grande capacidade de marcar pontos, muitos com o seu característico mid-range jump shot, que seria dos mais temíveis de sempre, fizeram de Jordan um fenómeno imediato, numa liga dominada por Larry Bird e Magic Johnson.

Na sua época de rookie não seria só rookie do ano, como também seria incluíndo no all-star game, e como parte do 5 inicial, um feito, ajudado pelos números surreais de Michael Jordan, com médias de 28.2 pontos, 6.5 ressaltos, 5.9 assistências, 2.4 roubos de bola e 0.8 desarmes de lançamento, sem dúvida excelentes números em todas as linhas. Jordan mostrou ainda uma competitividade fora do comum, uma mentalidade que faria dele um psicopata em campo, a quem só interessava vencer, e com um trash talk ao nível de um Larry Bird. Jordan leveria os Bulls aos play-offs, mas não deu para superar os Milwaukee Bucks na 1a ronda dos play-offs, com Jordan a conseguir ajudar os Bulls a vencer um jogo, 3-1 a favor dos Bucks seria o desfecho, Michael Jordan só tinha motivos para sorrir com o futuro, que se adivinhava radiante. Seria também na sua 1a época de profissional que seria incluíndo numa equipa all-NBA, neste caso na 2a.

Na época seguinte, muitas expectativas estavam depositadas em Michael Jordan. Esperava-se que lutasse pelo título de melhor marcador, e fosse dos principais candidatos a MVP da época. Mas a época foi azarada para Jordan, o 23 dos Bulls com apenas 3 jogos decorridos na época lesionaria-se com muita gravidade, partindo um pé. Jordan, sendo um animal competitivo, não baixou os braços, e recuperou a tempo de ainda conseguir ajudar os Bulls a apurarem-se para os play-offs, falhando no processo 64 jogos. Mas nos play-offs o melhor de Jordan surgiria. Como é costume nos grandes jogadores, Jordan mostrou a sua melhor versão nos jogos mais difíceis. Na 1a ronda dos play-offs os Bulls teriam pela frente os Celtics de Larry Bird, com vários jogadores lendários, para muitos a melhor equipa de sempre até então, e com Larry Bird Como melhor do Mundo, tendo 3 MVPs seguidos. Mas Jordan mostrou que era de outro planeta, e apesar de ter perdido os 3 jogos da série, conseguiu números de outro Mundo na série, levando Bird a dizer que Deus jogou disfarçado de Michael Jordan, após Jordan forçar a mítica equipa dos Celtics a um duplo prolongamento, marcando 63 pontos, um máximo em play-offs até hoje. Nessa série teve médias de 43.7 pontos, 6.3 ressaltos, 5.7 assistências, 2.3 roubos de bola e 1.3 desarmes de lançamento.

Na época seguinte, Jordan teria uma grande época individual, naquela que seria a sua 2a época de princípio a fim. Jordan seria pela primeira vez melhor marcador, ele que viria a ser melhor marcador nas épocas de princípio a fim até à sua 2a retirada, seria também incluído sem surpresa no all-star e na 1a equipa da liga, algo que também seria sempre até à sua 2a retirada. As suas médias foram de 37.1 pontos, 5.2 ressaltos, 4.6 assistências, 2.9 roubos de bola e 1.5 desarmes de lançamento, números dignos de um MVP, e que ajudaram os Bulls a ir de novo aos play-offs, mas mais uma vez os Celtics de Larry Bird eram demasiado fortes para os Bulls, apesar das grandes exibições de Jordan.

Em 87-88 teve para muitos a sua melhor época individual antes do 1° abandono. Jordan esteve absolutamente imperial em todos os aspectos do jogo, incluíndo a defesa, cujas capacidades finalmente foram reconhecidas, com o prémio de defensor do ano. Nessa época Jordan seria MVP pela 1a vez, que juntando ao prémio de defensor do ano, melhor marcador, MVP do all-star game e ainda o prémio de vencedor do concurso de afundanços, que ele já havia ganho em 87, tornaram a época de Jordan das mais impressionantes de sempre de um jogador em toda a história da NBA, sendo também o jogador com mais roubos de bola na liga. A sua forma ajudou os Bulls a tornaram-se um caso sério na liga, com um registo de 50-32, e conseguindo passar a 1a ronda dos play-offs pela 1a vez, vencendo os Cleveland Cavaliers em 5 jogos. Contudo, os novos reis do Este, os Bad Boys Pistons, mais experientes e com uma estratégia definida para parar Jordan, as chamadas “Jordan rules”, venceriam a série em 5 jogos, com Jordan sem nenhuma outra estrela a ser insuficiente para os Pistons, apesar de Pippen já jogar nos Bulls, mas sendo apenas um role player na sua época de rookie, e muito longe de ser uma estrela.

Esse era o único objectivo pendente de Jordan, ser campeão, já que individualmente varria tudo na liga, com todos os prémios já ganhos. A liga aproveitou o facto de Jordan ser o jogador mais popular do Mundo para expandir a modalidade e torná-la global, com as audiências a subirem em todo o Mundo, havia um novo Deus da modalidade, com uma habilidade nunca antes vista. As marcas e patrocinadores também iam tirando proveito de Michael Jordan, com a Nike a tornar-se um fenómeno em todo o Mundo muito por causa de Michael Jordan.

A rivalidade com os Pistons aumentaria de patamar, com as duas equipas a disputarem a final antecipada da NBA, visto que o vencedor desses encontros seria campeão, numa altura em que a conferência Este estava ao rubro.

Na época de 1988-1989 não revalidou o título de MVP, apesar de ter tido médias de 32.5 pontos, 8 assistências, 8 ressaltos, 2.9 roubos de bola e 0.8 desarmes de lançamento. Pensou-se que nessa época Jordan ia ter a sua consagração, após chegar às finais de conferência, tendo nessa campanha eliminado os Cavaliers com o seu famoso “The Shot”, mas o jogo rude e muitas vezes a roçar e ilegalidade dos Pistons prevaleceria, com 4-2 na série.

Os “Jordan rules, tinham vencido, e Jordan teve motivos de queixa por muitas faltas violentas que sofreu, quer de Laimbeer quer de Rodman ou até Isiah Thomas. Mas Jordan, como animal competitivo que era não baixou os braços e voltou melhor ainda, com grande vontade de finalmente ser campeão em 1989-1990. Phil Jackson já era o treinador dos Bulls e nesse ano Scottie Pippen apresentou-se a grande nível, tendo sido escolhido para o all-star, e os jovens jogadores da equipa estavam já num excelente patamar.

Os Bulls voltaram a defrontar os Pistons na final de conferência, na chamada final antecipada, e desta vez tiveram ainda mais razões para se queixarem do jogo violento dos Pistons, que mesmo assim precisaram de 7 jogos para vencer os Bulls. Não era o resultado que os amantes do bom basket queriam, mas seria também a última vez que os Pistons levavam a melhor sobre os Bulls.

Em 1990-1991 Jordan conduziu os Bulls a 61 vitórias na época, um recorde da equipa na altura. Sem surpresas venceu o MVP da fase regular pela 2a vez, com médias de 31.5 pontos, 6 ressaltos, 5.5 assistências e 2.7 roubos de bola. Desta vez não houve como parar os Bulls, com Jordan a vingar-se dos Pistons e conseguir disputar a sua 1a final da NBA após varrer os Pistons na final de conferência. Estava ultrapassado o maior e mais duro obstáculo, faltando os Lakers de Magic Johnson na final. Jordan teve umas finais verdadeiramente assombrosas, perdendo apenas o 1° jogo, no qual falhou o lançamento que poderia dar a vitória, mas depois vencendo os próximos 4 jogos, e com números de outro planeta, 31.2 pontos, 11.4 assistências, 6.6 ressaltos, 2.8 roubos de bola e 1.4 desarmes de lançamento, sendo líder da sua equipa em 4 dessas 5 estatísticas. Seria campeão e MVP pela 1a vez na carreira, Jordan aos 27 anos era não só o melhor jogador do Mundo, era também o atleta mais extraordinário do planeta.

Na época seguinte Jordan não parou e voltou a levar os Bulls às finais, após mais uma enorme fase regular, com 67-15 de registo, sendo MVP pela 3a vez na carreira, e pelo 2° ano seguido. Nos play-offs, Jordan teve mais concorrência que nunca, ao eliminar os Knicks dos seus rivais Ewing e Starks em 7 jogos, e nas finais de conferência ao eliminar os Cavaliers em 6. Nas finais seriam os Trail Blazers de Clyde Drexler as vítimas de Jordan. Jordan teve uma das suas melhores finais de sempre, com jogos notáveis como o “shrug game”, em que marcou 6 triplos seguidos, ele que não era um triplista. Os seus 35.8 pontos por jogo (e não só) valeram-lhe o 2° prémio de MVP das finais. Nesse verão de 92 faria parte da melhor equipa alguma vez reunida, o Dream Team, que arrasou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, com Jordan a usar a camisola N°9.

Em 1992-1993 não conseguiu o 3° título de MVP consecutivo, tendo ganho o seu amigo Charles Barkley, para além de também não ter conseguido ganhar o prémio de defensor do ano, ficando em 2°. Contudo, o que mais contava para Jordan, mais que o individual, eram os títulos, e os Bulls voltaram a ser a equipa a abater. Chegando à 3a final consecutiva, os Bulls teriam de vencer os Phoenix Suns de Charles Barkley. Não sendo tarefa fácil, os Bulls voltaram a ganhar o título, e outra vez em 6 jogos, com Jordan MVP das finais outra vez. As suas médias foram outra vez espetaculares, 41 pontos, 8.5 ressaltos, 6.3 assistências, 1.7 roubos de bola e 0.7 desarmes de lançamento. Difícil de acreditar, mas Jordan era capaz de ter média de mais de 40 pontos em finais, marcar 55 pontos num jogo das de finais, e jogar dos 2 lados do campo, e com boas percentagens de lançamento.

Era o auge da Jordanmania, nenhum atleta havido sido tão consensual no seu desporto como Jordan. Jordan era um Deus do basket, alguém que estando em forma era mais de meio caminho andado para o sucesso.

Esperava-se uma dinastia dos Bulls, mas o destino assim não quis. Em Outubro, pouco antes da época começar, Michael Jordan decidia então abandonar a carreira de basquetebolista, citando então falta de desejo pelo jogo, depois citando também a morte do seu pai como motivo.

Assim Jordan teve uma aventura pouco bem sucedida pelo baseball. Os Bulls sem ele não venceriam mais, apesar da boa campanha na fase regular em 1993-1994. Em 1994-1995 a época dos Bulls estava a ser muito abaixo das expectativas, com dificuldades em apurarem-se para os play-offs. Então Jordan decide voltar, após quase 2 anos fora, anunciando o seu regresso com o famoso “I’m Back”. Jordan chegou a tempo de jogar alguns jogos da fase regular, ajudando os Bulls a carimbar o bilhete para os play-offs. Jordan usou a N°45 nesse final de época, ele que sempre usaria o 23. Jordan ainda estava enferrujado, mas conseguiu de forma incrível voltar a ter médias fantásticas, com 26.9 pontos por jogo nos 17 jogos da fase regular, e 31.5 nos play-offs, sem dúvida difícil de acreditar, para alguém que esteve quase 2 épocas sem jogar. Os Bulls melhorariam imenso, mas contudo foi insuficiente para afastar os Orlando Magic de Shaquille O’Neal e Penny Hardaway na 2a ronda dos play-offs, perdendo em 6 jogos.

Já depois de ter decidido voltar a usar o N°23 nos últimos jogos das finais, Jordan regressaria à forma que o caracterizou em 1995-1996, numa das melhores equipas de sempre, com o Dennis Rodman a acrescentar poder de ressalto a uma equipa que teria o melhor Jordan de volta. As audiências televisivas regressariam, e Michael Jordan estava no centro de tudo. Seria outra vez MVP da liga, e teria outra vez média de mais de 30 pontos por jogo, 30.4 e seria MVP do all-star game pela 2a vez. Após uma época de recorde na fase regular, com registo de 62-10, os Bulls seriam demasiado fortes para serem derrotados, chegando às finais após perder apenas um jogo para os New York Knicks, uma das equipas rivais de Jordan e dos Bulls, e após varrer nas finais de conferência os Magic, numa vingança pela derrota do ano anterior. Os adversários da final eram os Seattle Supersonics, de Gary Payton, um dos melhores defensores de sempre, e também um dos melhores trash talkers de sempre, tal como Jordan. Gary Payton foi encarregue da marcação a Jordan, mas Jordan e os Bulls conseguiriam ultrapassar o último obstáculo em 6 jogos. Jordan seria MVP das finais pela 4a vez, com média de 27.3 pontos, sem dúvida as suas finais mais discretas, em parte graças ao excelente defensor que era Payton.

Os Bulls e Jordan continuariam a vencer tudo. Na época de 96-97, em que Jordan perderia o MVP para um dos seus maiores rivais Karl Malone, os Bulls seriam outra campeões, tendo a 1a de 2 finais seguidas com os Jazz, do MVP Malone e de John Stockton. As finais foram vencidas mais uma vez em 6 jogos, com o MVP a ser novamente Jordan, desta vez com números melhores, 32.3 pontos, 7 ressaltos e 6 assistências. Jordan tinha já no currículo 5 títulos, 5 MVP das finais e 4 prémios de MVP da fase regular, apenas a um título dos 6 de Kareem Abdul Jabbar.

A ambição de Jordan não diminuiu com a vetetania, e após mais um época fantástica, a sua última antes da sua 2a retirada, seria MVP pela 5a vez, e MVP do all-star game pela 3a vez, para além do já habitual título de melhor marcador, o seu 10° e último. A sua média de pontos foi de 28.7, a mais baixa das 10 épocas em que foi melhor marcador, mas fantástica a todos os níveis.

Nas finais, as suas últimas, Jordan voltou a estar sublime, com os Bulls a vencerem em 6 jogos, com Jordan a decidir o 6° jogo, num dos seus lances mais memoráveis, em que rouba a bola a Karl Malone, e depois marcaria o cesto do título a poucos segundos do fim numa finta espetacular. O prémio de MVP das finais foi dele pela 6a vez, um recorde. A sua média de pontos nas suas últimas finais foram de 33.5, ao nível dos seu melhores anos.

Michael Jordan, não tendo mais nada a provar ou a ganhar abandonaria assim de novo a modalidade. Numa despedida que se pensaria definitiva. Em sua homenagem os Bulls retiraram a camisola 23, o mesmo fizeram os Miami Heat, apesar de Jordan nunca lá ter jogado. Uma justa homenagem ao melhor jogador de sempre.

Contudo, e numa jogada de marketing, para tentar aumentar o interesse na equipa da qual era acionista, os Washington Wizards, Michael Jordan decide em 2001 voltar à NBA, quase com 39 anos, e para jogar mais 2 épocas.

Jordan naturalmente não era o mesmo, apesar de ter feito excelentes jogos, mas a idade e o facto de ter estado 3 anos sem jogar impediram Jordan de fazer mais, não conseguindo apurar os Wizards para os play-offs.

Houve bons momentos de Jordan contudo, marcando 51 pontos na sua primeira época, e 43 pontos frente aos finalistas da liga e então melhor equipa do Este, os New Jersey Nets de Jason Kidd, isto aos 40 anos.

As suas médias foram de 22.9 e 20 pontos por jogo respectivamente.

Michael Jordan participou no all-star nessas 2 épocas.

Na sua última época, e sabendo que a despedida desta vez seria definitiva, os adeptos prestaram-lhe homenagens nos últimos jogos, com várias ovações de pé prolongadas, a mais marcante no seu último jogo, contra os Sixers em Filadélfia.

Chegava ao fim a carreira de um dos mais ilustres desportistas de sempre.

No seu legado estão 6 títulos da liga, 6 MVPs das finals, 5 MVPs da fase regular, 10 títulos de melhor marcador, o prémio de defensor do ano em 88, 3× o jogador com mais roubos de bola, 11 presenças na equipa da NBA, 10 na 1a e 1 na 2a, presenças na 1a equipa defensiva da liga, 14 inclusões no all-star game, 3 MVPs do all-star game, 2 títulos Olímpicos, 2 títulos no concurso de afundanços e ainda o título universitário em 1982.

Michael Jordan é hoje o maior embaixador da NBA, e é amplamente considerado o melhor jogador da história.

Sem surpresas, a ESPN colocou Jordan no 1° na sua lista de melhores jogadores de sempre, tal como havia feito a revista Slam.

Pedro Ribeiro

Formado em Ciências da Comunicação, trabalhou como Jornalista e Assessor de Comunicação. Fã da NBA, participou em vários projetos sobre esta liga. Fundador do site www.nbaportugal.com https://twitter.com/pedrofmribeiro

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