Espanha de ouro nas asas de Rubio

Habemus campeão. A Espanha é a nova campeã mundial de basquetebol, sucedendo aos Estados Unidos. Na grande final, a equipa de Segio Scariolo derrotou de forma convincente a Argentina por 95-75, numa final bastante desequilibrada. É o segundo título mundial da história do basquetebol espanhol, depois do ouro no Japão, em 2006.

Quanto ao encontro, a seleção argentina acusou desde cedo o nervosismo e a inexperiência, tendo imensos problemas em pontuar nas primeiras jogadas. Nos primeiros 5 minutos, apenas Nicolas Brussino conseguiu pontos, aproveitando a armada espanhola para abrir o jogo com um parcial de 14-2. Sergio Hernandez pediu timeout e a Argentina, com a ajuda de dois triplos de Brussino, ainda conseguiu responder (14-13). Porém, uma run de 9-1 da Espanha colocou o resultado em 23-14 no final do primeiro período. No segundo, Rudy Fernandez marcou dois triplos a abrir, colocando o jogo em 31-14. A Argentina reagiu, mas o resultado ao intervalo era de 43-31. Os 12 pontos de desvantagem pareciam recuperáveis com uma entrada forte no segundo tempo, mas não foi isso que sucedeu: o terceiro período começou com 2 lances livres convertidos por Vildoza, mas a Espanha explodiu para um parcial de 14-0, colocando o jogo a 22 pontos de diferença. Knock-out para os argentinos. Depois, a Espanha acalmou o ritmo de jogo, nunca permitindo aos argentinos diminuir a desvantagem para números abaixo dos dois dígitos, tornando os últimos minutos do encontro meramente protocolares, marcados por um bonito desportivismo de ambos os lados.

Começando pelos vencidos, Brussino iniciou o jogo a todo o gás, com 8 pontos no primeiro período e 100% de aproveitamento, mas não lançou sequer mais vezes ao longo do jogo, acabando até expulso por faltas. Gabriel Deck foi o melhor e único destaque positivo, com 24 pontos e 77% de campo. Nico Laprovíttola elevou a sua pontuação média com 17 pontos, mas com percentagens horríveis (4/15) e zero assistências. Campazzo foi completamente anulado por Rubio, lançando apenas 2/11 (11 pontos), mas ainda fazendo 8 assistências. E o pior de todos foi Luis Scola. O extremo esteve muito aquém do esperado, com apenas 8 pontos e um lançamento de campo concretizado ao longo de todo o encontro – no último período, com o jogo mais do que resolvido -, sofrendo ainda defensivamente com a mobilidade dos interiores espanhóis (4 faltas). No entanto, esta performance em nada apaga a campanha surreal que realizou nesta prova.

Passando para os novos campeões, são muitos os nomes positivos a destacar. Ricky Rubio foi o MVP da final, com 20 pontos (6/11), 7 ressaltos, 3 assistências e um papel central a anular Campazzo. Sergio Llull (um dos melhores suplentes do torneio) acrescentou 15 pontos (embora hoje nenhum triplo) e a fantasia e imprevisibilidade habitual com a bola nas mãos. Marc Gasol até nem esteve inspirado no lançamento (2/9), mas contabilizou 7 ressaltos e esteve em grande a limitar as movimentações de Scola. Rudy Fernandez chegou mesmo ao duplo-duplo com 11 pontos e 10 ressaltos, marcando dois triplos cruciais na run espanhola que matou o jogo. Por fim, destaque para os manos Hernangomez, ambos com 11 pontos (Juancho ainda adicionou 5 ressaltos).

Esta foi uma vitória da agressividade e competência defensiva: a Espanha limitou a Argentina a uns baixíssimos 36% de campo e, quando a isso se junta ao talento ofensivo de atletas como Rubio, Llull, Rudy, Gasol ou Juancho (demonstrado nos 48% de campo), torna-se quase imparável no contexto FIBA. Foi também um encontro que se decidiu muito na área restritiva: os espanhóis esmagaram em ressaltos (47-27) e em pontos no garrafão (44-30), ficando esse domínio patente na pálida exibição de Scola.

Rubio e companhia exorcisam assim os demónios da eliminação nos quartos de final do último Mundial – a jogar em casa – aos pés da França. Já a Argentina sai deste torneio de cabeça erguida: há um core jovem, com Campazzo, Laprovíttola, Deck e Garino à cabeça (a média de idades deste roster, sem Scola, é de cerca de 25 anos) para atacar as próximas competições com confiança. Mérito total para Sergio Hernandez que tem operado uma revitalização da seleção, mantendo-a no topo mundial quando tal seria impensável em face do fim da geração de ouro de Ginobili e Scola.

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