Argentina x Espanha: antevisão e aposta

Go hard or go home: chegamos à grande final deste Mundial. Argentina e Espanha, ambas invictas na prova, tentarão chegar ao segundo título mundial do seu palmarés. A Espanha está na final 13 anos depois. Em 2006, derrotou a Grécia e chegou ao ouro pela primeira vez. Já os argentinos, na última vez que chegaram à final (2002), foram derrotados pela Jugoslávia em Indianápolis, mas são os primeiros vencedores de um mundial de basquetebol (1950, numa edição realizada em casa). Quem sairá por cima? O espetacular ataque argentino ou a defesa de betão dos espanhóis?

Apostar numa final é já de si dificílimo. Quando os campos estatísticos se equiparam desta forma, mais ainda. Percentagens de lançamento, médias de ressaltos, assistências, steals, blocos, pontos a partir de turnover, pontos em contra-ataque, tudo demasiado semelhante para arriscar uma previsão de superioridade. Os argentinos apenas possuem uma curta vantagem nos pontos a vir do banco – questão que em finais se dilui um pouco, devido às rotações mais curtas – e nos pontos no garrafão – saíram-se bem contra Gobert, veremos como se sairão com Gasol.

A maior força desta seleção de Sergio Scariolo é, sem dúvida, a defesa. Com Marc Gasol no interior e Rudy Fernandez e Ricky Rubio no perímetro como principais figuras a este nível, sobram poucos espaços para os adversários aproveitarem. Estas individualidades a juntar à mestria de Scariolo na disposição tática dos seus homens, tornam marcar pontos com consistência a esta Espanha uma tarefa árdua. Nesta competição apenas concederam 69,2 pontos aos seus adversários, média essa um pouco adulterada pelos 88 pontos sofridos contra a Austrália em 50 minutos. Como termo de comparação, a seleção espanhola vencedora do Mundial de 2006 concedeu 66,5 pontos por jogo. No ataque, os principais destaques têm sido os inevitáveis Gasol (14,4 pontos, 3,7 assistências por jogo, um basketball IQ de classe mundial e um domínio de todos os momentos ofensivos – um autêntico full package, embora não esteja particularmente acertivo de 3 neste torneio), Rubio (15,9 pontos, 6,4 assistências e 37,9% de triplo!), Llull (9,9 pontos, 4 assistências e o clutch gene do costume) e Juancho Hernangomez (10,4 pontos, 5,4 ressaltos e um intratável de triplo – 43,5%).

Já a Argentina terá como maior força o seu magistral ataque. Com 87,6 pontos marcados por jogo – tendo já defrontado seleções como Sérvia e França -, o quinto melhor ataque do torneio tem sido guiado pelos bases do Real Madrid Facundo Campazzo (13,6 pontos, 7,7 assistências e 1,7 steals) e Nicolas Laprovíttola (9 pontos e 4 assistências). A dupla tem sido garantia de partilha da bola, boas opções de tiro e, claro, uma série de assistências espetaculares, em especial através de passes por trás das costas . Aos bases junta-se, claro está, a inesgotável lenda de Luis Scola. O extremo, figura do ouro de 2004 e da equipa derrotada na final de 2002, continua a ser o jogador mais desta equipa, aquele que a eleva para um patamar de excelência. Médias de quase duplo-duplo – 19,3 pontos por jogo e 8,1 ressaltos -, percentagens de tiro acima dos 45% em qualquer zona do campo e, sobretudo, uma liderança, experiência, classe, leitura de jogo, coisas que não aparecem nas folhas de estatísticas mas que, no final, fazem toda a diferença. E se a defesa da Espanha é forte, a defesa argentina não fica muito atrás. São 72 pontos sofridos por encontro, impressionando, mais do que a organização, a crença que os comandados de Sergio Hernandez imprimem em cada disputa de bola. São autênticos cães de caça, com o sangue latino na guelra, tornando-se, quando focados, muito difíceis de desmontar, quer coletiva quer individualmente.

Arriscamos uma vitória espanhola, mas um triunfo argentino seria igualmente mais do que merecido. Campazzo tem um matchup dificílimo com Rubio (nunca apanhou um defensor desta qualidade até agora) e, limitando-o, a fluidez do ataque argentino fica muito condicionada. Scola também terá um osso duro de roer com Gasol que, ao contrário de Gobert, conseguirá acompanhá-lo nas suas incursões fora do paint para lançar de três. Se a estes fatores juntarmos a maior experiência dos jogadores espanhóis nestas andanças, o favoritismo compreende-se. Um fator extra que poderá jogar a favor dos espanhóis – ou contra, nunca se sabe – é o facto de 8 jogadores do roster argentino jogarem em Espanha, incluindo todas as principais figuras à exceção de Scola (que também chegou a jogar na Liga ACB noutra fase da carreira). Veremos quem retirará um maior partido dessa familiaridade competitiva.

Os dados estão lançados e, como sempre, valem o que valem. Que comece o show.

Sugestão de aposta: vitória da Espanha – 1.50 ESC Online

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