Trocas que Ainda Assombram a NBA: Denver Nuggets
No draft da NBA, a distância entre a visão e a realidade pode ser colossal. Jogadores que parecem apostas seguras desaparecem em poucos anos; talentos discretos tornam-se estrelas incontornáveis. E, por vezes, uma troca aparentemente banal transforma-se numa das maiores histórias de arrependimento da liga.
Na série “Trocas que Ainda Assombram a NBA”, já revisitámos as decisões erradas várias equipas. O Episódio 8 leva-nos agora até ao Colorado, onde os Denver Nuggets cometeram um erro que só o tempo tratou de expor, e de forma particularmente cruel.
Quando uma avaliação enganada custa uma estrela
Na noite do Draft de 2017, os Nuggets tinham em mãos a 13.ª escolha, com a qual selecionaram Donovan Mitchell, um combo guard cheio de potencial, mas ainda envolto em dúvidas. Minutos depois, decidiram enviá-lo para os Utah Jazz em troca de Trey Lyles e da 24.ª escolha, usada para selecionar Tyler Lydon.
À época, não houve indignação. Nem em Denver, nem na comunidade de analistas. A troca parecia apenas mais uma movimentação estratégica. Kevin Pelton, da ESPN, por exemplo, atribuiu um C- a Denver e um B a Utah, avaliações mornas que espelhavam a percepção geral.
A realidade, porém, tratou de demolir por completo essa narrativa.
O custo de subestimar um talento
Os Nuggets acreditavam que Lyles, a 12.ª escolha de 2015, ainda tinha margem para explodir, e que Lydon poderia crescer num sistema estruturado. Mas nenhuma das apostas rendeu.
Trey Lyles cumpriu duas épocas irregulares em Denver antes de sair em free agency, enquanto Tyler Lydon nunca encontrou espaço na rotação e estava fora da NBA em 2019. Dois ativos, zero impacto.
Do outro lado da balança, Donovan Mitchell transformou-se rapidamente num dos scorers mais eletrizantes da liga, líder ofensivo imediato em Utah e uma presença constante no All-Star Game, onde soma seis presenças consecutivas, um número que só parece destinado a crescer.
Um erro raro numa organização exemplar
Ironicamente, os Nuggets têm sido uma das equipas mais competentes da NBA na última década, tanto no draft como no desenvolvimento de talento. Jokic, Murray, MPJ, Braun, uma série de acertos que construíram um campeão.
Mas nem as organizações mais brilhantes escapam a um deslize monumental. E este, para Denver, foi exatamente isso: um presente oferecido a um rival do Oeste, sem qualquer retorno significativo.
Hoje, enquanto Mitchell continua a ganhar protagonismo, a troca permanece como uma das páginas mais infelizes na história recente de Denver, e um lembrete de que, no draft, basta um único erro para perder uma superestrela.
Às vezes, a diferença entre uma dinastia e um simples capítulo vitorioso é um talento que escapou no momento errado. Denver conhece bem essa sensação.

