Miami Heat em busca do trono no Este!

Após a vitória por 125-110 sobre os Mavericks na noite de ontem, os Miami Heat detêm a melhor classificação da liga com 6 vitórias e apenas 1 derrota. Há dois anos os Heat foram finalistas da NBA, e parece que este ano querem voltar ao mesmo palco mas, desta vez, saindo vitoriosos.

Os Heat começaram a época com o pé direito, e tudo se deve ao plantel equilibrado e completo que apresentam. Certamente, a ida às finais na época de 19-20 deixou um travo amargo na boca, e, neste momento, parece que a equipa de Miami é uma séria concorrente ao título. Vejamos, então, os aspetos mais importantes para o sucesso desta equipa:

Em primeiro lugar, vamos, obviamente, falar de Jimmy Butler. O jogador que foi o mais recente vencedor do prémio “jogador da semana” tem estado “on fire” sendo o líder que esta equipa precisa. Até ao momento, Butler regista uma média de 25 pontos (10º melhor da liga), 7 ressaltos, 6 assistências e um Player Efficiency Rating de 30.88 (3º melhor da liga). Aliás, no jogo de ontem Jimmy teve mais uma ótima performance com 23 pontos, 6 ressaltos e 6 assistências. Butler é o capitão da equipa, a alma, a força e, sem dúvida, o fator mais importante. Todos sabemos que este jogador puxa pelos colegas. Ele não se satisfaz com pouco e aponta o dedo a quem tiver de apontar. Aliás, todos nos recordamos do famoso treino no tempo em que jogava nos Timberwolves, e decidiu jogar da equipa do suplentes para dar uma “coça” aos restantes titulares que não se estavam a esforçar. Jimmy é um jogador completo, consegue finalizar debaixo do cesto lançar do perímetro; consegue passar a bola e criar jogadas; consegue defender o perímetro e proteger o cesto. Portanto, o que ele precisa é de uma equipa que tenha a mesma garra que ele, e que consiga produzir resultados quando tem uma noite menos boa. E, ao que parece, foi isso que encontrou em Miami… Revejam os highlights frente aos Magic:

De facto, entre esta época e a última, houve uma enorme diferença na equipa dos Heat: Kyle Lowry. Muitos podem dizer que Lowry já não está nos seus melhores dias, ou, quando muito, continua a ser um bom jogador mas não há de fazer uma diferença assim tão grande em Miami. E essas pessoas não podiam estar mais erradas. Aliás, o impacto de Lowry foi imediato! Os Heat estão a jogar a um ritmo muito mais rápido, e tudo graças a Lowry. O campeão da época de 18-19 tem acelarado o ritmo de jogo, o que tem apanhado muitas defesas desprevenidas por não terem tempo de se organizar, e tem, também, levado a pontos fáceis com passes de um lado ao outro do campo para jogadores em desmarcação. Na época passada o “pace” dos Heat era apenas 97.09 (segundo mais baixo da liga), este ano está nos 100.34 (15º da liga) – pode parecer pouca, mas é uma diferença enorme. É certo que Lowry está a ter um começo lento no que toca a marcar a quantidade de pontos que está habituado, mas tudo isso faz parte da integração numa equipa nova. Aliás, há 10 anos que Lowry jogava na mesma equipa, portanto vai sempre haver um período de adaptação. Mas para além de ser um bom defesa, Lowry está a trazer a organização de jogo que tem faltado aos Heat nos últimos anos, uma tarefa que ajuda muito Butler e diminui o seu cansaço. E a verdade é que Lowry vai ser sempre uma ameaça no ataque, e portanto vai atrair defesas, o que liberta os colegas de equipa, especialmente quando falamos na habilidade de Lowry de arranjar espaço para o mid-range dos colegas como Butler e Adebayo. Vejam os highlights frente do jogo de ontem contra os Mavs, provavelmente o seu melhor jogo desde que chegou a Miami – Lowry faz tudo o que é preciso, desde triplos, cortes para o cesto para libertar colegas no mid-range, passes longos no contra-ataque, pressão na defesa:

Por falar em Bam Adebayo, o braço direito de Butler no que concerne à pontuação, tem evoluído de época para época. Bam, para já, regista uma média de 21 pontos por jogo, e 14 ressaltos. Esta é uma ajuda fulcral para Butler, especialmente agora que Lowry ainda está a procurar integrar-se melhor na equipa. A versatilidade de Adebayo traz para o plantel uma ameaça perigosa para qualquer defesa. O jogador não tem necessariamente pontos fracos no seu jogo a não ser o lançamento de 3 pontos, algo que o jovem certamente vai desenvolver nos próximos anos. Cada ano que passa melhora, por exemplo, quanto ao ataque na últimas 2 épocas registou uma média de 16 e 18 pontos, e agora os tais 21. Portanto, tudo indica que este ano, já com mais experiência, tanto no geral, como para os playoffs, será mais perigoso que nunca!

Importa, também, fazer uma breve menção a P.J. Tucker. Este jogador foi a “grande” aquisição dos Heat no final do mercado de transferências da época passada. Efetivamente, este é um jogador talhado ao estilo de Jimmy Butler: um atleta com muita determinação e vontade de jogar, que não se afasta de nenhum desafio e é capaz de defender qualquer jogador da liga. Ele é um verdadeiro bulldog! Pode não ser o jogador que mais vai contribuir no ataque, mas é inquestionavelmente a alma da defesa.

Por último, caso ainda não tenham reparado, este ano Tyler Herro tem luz verde para lançar. Aliás, nem é só luz verde, Tyler Herro tem um carro da polícia com as sirenes ligadas e ninguém o vai impedir de lançar. Estando a registar uma média de 22 pontos por jogo, vindo do banco, e com uma percentagem de 40% de triplo, não há razão para não o deixar ser o sniper que ele verdadeiramente é. Herro está a jogar os mesmos minutos que o ano passado, mas está a lançar muito mais: em 19-20 lançava uma média de 13 vezes, sendo 5 de triplo (para uma média de 15 pontos) e este ano está a lançar 18 vezes, sendo 7 de triplo (para uma média de 22 pontos) ambos anos jogando em média 30 minutos por jogo. Não foi por acaso que Herro foi o melhor marcador do jogo de ontem, mesmo vindo do banco, vejam:

Para além de tudo isto, os Heat têm uma equipa muito profundo, tendo peças cruciais para o sucesso da qualquer equipa. Por exemplo, Duncan Robinson desempenha um papel chave no ataque conseguindo marcar uma boa quantidade de pontos sem necessitar muito de ter a bola na mão. E Markieff Morris, que é conhecido por ser um defesa “raçudo” que consegue enervar os adversários e defender desde um base até um poste.

Ainda é demasiado cedo para tecer considerações sérias, mas a verdade é que “no papel” os Heat têm tudo para ficar em primeiro lugar na conferência Este, e fazer estragos nos playoffs.

João Araújo Correia

Licenciado em Direito, 23 anos e sou fã incondicional dos Clippers desde a era da Lob-City. Desde pequeno que adoro basquetebol, tanto de ver como jogar! Apesar do Patrick Beverly estar enganado quanto aos próximos 5 anos serem dos Clippers, espero que seja, pelo menos, 1!

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