Lob City Bulls? O novo look de Chicago!

Lobs tirados à medida, afundanços poderosos, passes inacreditáveis… Mas afinal qual é a receita para as vitórias dos Chicago Bulls? A equipa de Chicago acaba de somar a sua 4ª vitória consecutiva, tornando-se na única equipa da conferência Este com registo imaculado!

Sem dúvida que este novo look dos Bulls faz lembrar os antigos Lob City Clippers, uma equipa liderada por Chris Paul, Blake Griffin e Deandre Jordan. Indiscutivelmente uma das equipas que mais gosto dava de ver jogar, porque a diversão e os highlights nunca faltavam. Posters, alley-oops e afundanços que faziam o estádio tremer, eram o prato diário no Staples Center. E como grande fã dos Clippers, a verdade é que não consigo parar de ver certas semelhanças. Recordemos alguns momentos:

E com estes highlights da preseason dos Bulls, conseguem ver as semelhanças?

Vejamos, então, os aspetos comuns destas duas equipas:

Em primeiro lugar, ambas tinham um verdadeiro “floor general”, um base à “moda antiga” que se foca sobretudo em organizar o jogo, criar oportunidades para os seus colegas, e meter a bola onde fosse preciso através de um passe com precisão milimétrica. Estamos, obviamente, a falar de Chris Paul e Lonzo Ball. Para além de ser a chave do jogo ofensivo, também são duas forças no outro lado do campo, sendo ambos excelentes defesas de perímetro com um BBIQ altíssimo, algo que não se ensina.

E se antes falamos do passe, em segundo lugar falamos de quem o vai segurar e afundar para pôr o estádio ao rubro! Nos clippers reinava o Blake Griffin, já em Chicago, o trono pertence a Zach LaVine. Aliás, não é por acaso que ambos já se sagraram Slam Dunk Champions. A junção de força, agilidade e verticalidade é uma mistura partilhada entre estes dois jogadores, que resulta inevitavelmente num verdadeiro show para os fãs! Só falta partir tabelas… E como se LaVine não foi suficiente, os Bulls decidiram “dar tudo” e assinar DeMar Derozan, outro jogador conhecido por não ter medo de afundar a bola na cara do defesa.

Por último, é preciso também dar alguma atenção aos Centers. DeAndre Jordan apesar de não ser o jogador com mais qualidade ofensiva, acabava por desempenhar um papel crucial no ataque. Era um jogador que lutava pelos ressaltos, e sabia estar no melhor sítio possível para receber um alley-oop ou passe para finalizar. Embora Vucevic não seja propriamente conhecido pelos seus afundanços, a verdade é que o natural da Suíça é uma arma ofensiva fulcral para esta equipa!

Mas atenção, estes novos Chicago Bulls não são uma mera cópia da era da Lob City. Os Bulls procuram uma identidade própria, e cada vez mais a estão a alcançar. Apesar de partilharem certos aspetos com a antiga equipa de LA, destacam-se de várias formas. Mas então, qual é a razão para este sucesso recente?

Com a vitória de ontem sobre os raptors, a equipa passa a 4-0, única da conferência Este sem derrotas. E a verdade é que nem na pre-season perdeu! Vendo os highlights do jogo de ontem, é fácil perceber o que está a correr bem nesta equipa:

Os Bulls têm um duo dinâmico no ataque: LaVine e Derozan. Estes dois jogadores estão encarregues de ser as principais armas da equipa. Até ao ao momento, os dois atletas marcaram em média 26 e 23 pontos por jogo respetivamente. E a verdade é que ambos estão a desempenhar esse papel na perfeição, e em niveís praticamente idênticos – para além dos pontos ambos reigstam 5 ressaltos e 5 assitências por jogo. Aliás, basta ver as stats do jogo de ontem: Lavine 22 pontos, 5 assistências, 4 ressaltos e Derozan 26 pontos, 6 assitências e 4 ressaltos. Ora, os Bulls podem contar o ano inteiro com estatísticas a rondar este números. Estamos a falar de dois jogadores de qualidade, que nunca tiveram problemas em apresentar este números na época regular. Se já é bom ter um destes jogadores na equipa, então dois é excelente. O grande salto que os Bulls estão a dar este ano, comparativamente com o anterior, deve-se a esta adição de Derozan.

No entanto, nenhum deste jogadores é propriamente um “play-maker”, são jogadores que conseguem fazer umas quantas assistências, mas sobretudo por atacar o cesto e jogar para fora. Não serão eles a dirigir o ataque ou a criar jogadas inteligentes. É aqui que surge Lonzo Ball. No que concerne à posição de base, Lonzo é provavelmente o melhor role-player da liga: bom defesa, bom atirador, excelente passe e tem uma ótima visão de jogo. Ora, normalmente à beira de uma ou duas estrelas o ideal será ter um jogador 3&D, isto é, que defenda e lance de triplo. Lonzo faz precisamente isso, e ainda mais. O base tem o BBIQ para ser o comandante da ofensiva dos Bulls! Há que tirar o chapéu a Ball, pois ele é prova viva de como o trabalho e esforço dão resultados. Há uns anos dizer que ele era uma mau atirador de 3 pontos, era um elogio… Lançou no seu primeiro ano uma percentagem de apenas 30% de triplo. Contudo, com muito trabalho, e sobretudo trabalhando na sua forma de lançamento, foi gradualmente aumentando esta percentagem, sendo hoje, um dos jogadores mais consistentes na linha de três pontos (43% na época passada). O futuro sorri a Lonzo, já tendo registado um triplo-duplo logo no segundo jogo da época frente aos Pelicans, que vale a pena recordar:

Importa também louvar Nikola Vucevic, pode não ser o Center mais vistoso, mas tem-se enquadrado muito bem na equipa. Continua a ser uma arma ofensiva, e, verdade seja dita, tem vindo a melhorar o seu jogo defensivo. Se continuar neste caminho poderá ser uma peça chave para uma longa corrida nos play-offs! Com uma média de carreira de 16 pontos e 11 ressaltos por jogo, Vucevic vem trazer um corpo muito presente para dentro do campo.

Por último, devemos também fazer o menção a um dos maiores memes da liga, mas que deve ser levado bem a sério. Quem ainda acha que Alex Caruso não passa de um jogador comum que é alvo de muitas piadas, está redondamente enganado! Caruso é um jogador extremamente versátil que pode tanto fazer o passe, como o afundanço. Consegue criar o próprio ataque, e não tem medo de um duelo debaixo do cesto. E como se tal não bastasse, dá tanta atenção à defesa como ao ataque: não é por acaso que atualmente lidera a liga em roubos de bola.

Contudo, imperam certas questões: será sustentável este ritmo acelerado de jogo durante a época toda? Será este plantel suficientemente talentoso para, num futuro próximo, ser considerado contender? Falta aqui alguma peça, eventualmente no lado defensivo? Só o tempo dirá. A verdade é que, para já, o caminho é árduo mas parece estar a dar frutos!

João Araújo Correia

Licenciado em Direito, 23 anos e sou fã incondicional dos Clippers desde a era da Lob-City. Desde pequeno que adoro basquetebol, tanto de ver como jogar! Apesar do Patrick Beverly estar enganado quanto aos próximos 5 anos serem dos Clippers, espero que seja, pelo menos, 1!

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