Portugal Caiu de Pé Diante da Alemanha no EuroBasket

Portugal chegou aos oitavos de final do Eurobasket já com a sensação de ter feito história, mas quis mostrar ainda mais. Frente à campeã do mundo, a Alemanha, os Linces começaram sem receio: agressivos na defesa, rápidos no ataque e com Neemias Queta a abrir as hostilidades. O marcador assinalava 7-2 para os lusos, cenário que deixou muitos de boca aberta.

Ainda assim, o poderio germânico apareceu e, com Franz Wagner e Dennis Schröder em destaque, a Alemanha virou o resultado para 17-12 no final do primeiro quarto. Mas Portugal não se deixou intimidar. No segundo período, a equipa nacional voltou a acelerar, beneficiando do desacerto alemão no tiro exterior (apenas 1 em 18 triplos convertidos na primeira parte), e conseguiu chegar ao intervalo em vantagem: 32-31.

Três períodos de sonho

O terceiro quarto manteve o equilíbrio. Portugal continuava a acreditar e Neemias, eficaz na linha de lance livre e autor de um afundanço vibrante, alimentava a esperança. Travante Williams acrescentava energia e um floater de Rafael Gameiro deixava a seleção a apenas um ponto da campeã do mundo no final do período (52-51).

Era o prolongamento de uma exibição defensiva monumental, que limitava uma das equipas mais letais da competição. Até ali, a diferença teórica entre as duas seleções não se via em campo.

O colapso decisivo

No último quarto, contudo, o sonho desfez-se. A Alemanha finalmente encontrou o caminho da linha de três pontos e, com Maodo Lo a acertar três triplos consecutivos, abriu um fosso intransponível. Portugal não conseguiu reagir e sofreu um parcial de 13-0 que praticamente fechou o encontro. O resultado final, 85-58, não reflete a luta que durou durante 30 minutos.

Ainda assim, Portugal mostrou uma imagem competitiva e digna, provando que consegue discutir jogos frente a gigantes do basquetebol europeu.

Declarações de Mário Gomes

No final do jogo, o selecionador nacional, Mário Gomes, não escondeu o orgulho nos seus jogadores:

“Se ganhássemos, atingíamos o nosso objetivo. Perdendo, íamos para casa amanhã. Mas o que fica é o trabalho desta equipa. Quero dedicar este feito a quatro jogadores que nos ajudaram na qualificação: André Cruz, Ricardo Monteiro, Anthony da Silva e Gonçalo Delgado. Mostrámos o mais importante: caráter.”

Com mais de 50 anos de carreira, o técnico sublinhou o peso do momento:

“Treino desde 1975 e o sentimento é sempre o mesmo. A profissão tem momentos muito duros, mas também nos dá dias como este. Hoje abrimos o melão e era doce.”

Questionado sobre Neemias Queta, preferiu não alongar-se:

“Não vou dizer muito, pelo respeito que tenho pelo jogo. Apenas sei que é muito fácil assinalar faltas a jogadores portugueses. Mas, o mais importante, é que a equipa nunca desistiu. Sabia que iam reagir e que não iam atirar a toalha ao chão.”

O selecionador terminou reforçando que a caminhada portuguesa não se fez de um jogo, mas de uma identidade:

“Temos de descansar o corpo e a cabeça. Vamos continuar a trabalhar com a mesma honestidade e seriedade que nos trouxe até aqui.”

Orgulho no adeus

Portugal despediu-se do EuroBasket com uma derrota pesada, mas com uma exibição que ficará para a memória. O apuramento histórico para os oitavos de final e a forma como fez frente à campeã do mundo deixam claro que o basquetebol português vive um dos momentos mais altos da sua história.

Filipe Pereira

Alguém que é apaixonado pelo basquetebol e tudo aquilo que o envolve.

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