O MVP, MIP e ROY das primeiras semanas de NBA

Passaram duas semanas desde o começo da temporada 2025/26 da NBA. É cedo para tirar conclusões, mas torna-se sempre divertido olhar para este início e apontar os principais candidatos aos prémios individuais, nomeadamente o de “Most Valuable Player” (MVP), “Most Improved Player” (MIP) e “Rookie of The Year” (ROY).


É útil estabelecer os critérios destas condecorações, algo que varia consoante as preferências de cada um. A análise é uma mistura de estatística com performance individual e o impacto do desempenho do jogador na equipa.

Para o MVP, por exemplo, é crucial olhar para números úteis, e não vagos. Para mim, um jogador com bons números individuais mas sem sucesso coletivo afasta-se dos principais eleitos, a não ser que aconteça algo normal, o que não verifico até agora.

Quanto ao MIP, considero a condecoração mais aberta entre todas relativamente aos critérios. Do meu ponto de vista, é mais justo atribuir esta nomeação a jogadores dos quais ninguém esperava a produção que estão a ter. Alguém que evoluiu a nível de números, relevância na equipa e certas características, num contexto onde se nota impacto também no sucesso coletivo.

Passando para o ROY, a importância da performance da equipa pode ser menos relevante. Penso que é injusto exigir que um novato tenha impacto ao nível dos melhores da liga. Mesmo que seja muito bom dentro de campo, a adaptação faz sempre parte do processo.

Num debate sobre os candidatos, não quer dizer que algum jogador não escolhido esteja a fazer uma época menos boa, simplesmente a competição é a melhor do mundo, e existem outras candidaturas mais apetecíveis.


MVP – Most Valuable Player

LUKA DONCIC

Estatísticas Individuais

7 GP | 35.7 MPG | 38.3 PPG | 8.0 RPG | 8.1 APG | 1.9 SPG | 0.7 BPG | 5.0 TPG

49.7% FG (11.7-23.6) | 42.7% 3PT (5.9-13.7) | 88.7% FT (9.0-10-1)

“Luka Magic” é o melhor jogador ofensivo de toda a NBA. Médias absurdas e uma eficácia excelente. A equipa dos Los Angeles Lakers está totalmente entregue ao base esloveno. O coletivo funciona bem à volta de Doncic, com as adições de Walker Kessler, Ziaire Williams e Matisse Thybulle no cinco inicial. Aos 27 anos de idade, pode ser esta a época em que conquista o prémio individual. A maior questão vai ser o sucesso da equipa de LA, e até agora são das melhores da liga, com um recorde de 6-2. Acredito que Luka mantenha um nível de produção semelhante, e estou curioso para ver os duelos contra as melhores equipas da NBA, algo que vai pesar na decisão final.

Os Lakers são a equipa da NBA com melhor percentagem de lançamentos de campo, a segunda da linha de três e o segundo melhor ataque de toda a liga. Não há dúvidas sobre o potencial ofensivo do conjunto de Los Angeles com Doncic no comando, portanto a principal questão desta candidatura vai ser a defesa. Não acho que o base vá ter uma grande melhoria a nível defensivo pois também leva com muita carga no ataque, mas é um trabalho coletivo que pode ser conseguido conforme a temporada.

Menções Honrosas: Victor Wembanyama, Shai Gilgeous-Alexander, Cade Cunningham…


MIP – Most Improved Player

TY JEROME

Estatísticas Individuais

6 GP | 31.0 MPG | 28.2 PPG | 3.5 RPG | 5.7 APG | 1.2 SPG | 0.2 BPG | 2.3 TPG

50.4% FG (9.5- 18.8) | 42.1% 3PT (2.7-6.3) | 88.6% FT (6.5-7.3)

Os Memphis Grizzlies são a sensação deste começo de temporada. O nome do líder desta equipa chama-se Ty Jerome. Segundo lugar do Oeste com um recorde de 6-1 e o base de 29 anos de idade é um ótimo exemplo de “Most Improved Player”. É a segunda época em Memphis, e na anterior disputou apenas 15 partidas, apesar dos 19.7 pontos por jogo e 5.7 assistências de média. Em 2024/25 foi um dos candidatos a “Sixth Man of The Year”, ao assinalar 12.5 pontos por jogo e 3.4 assistências. A temporada atual está a ser a explosão de Jerome, mais volume de lançamento e a corresponder.

Confio que esteja nestas conversas até ao final da temporada a ser um dos principais candidatos a este prémio. Foi a 24º escolha do Draft de 2019, passou as primeiras cinco temporadas na NBA sem ter um papel muito relevante em Phoenix, Oklahoma, Golden State e Cleveland, até à temporada 24/25. Agora tem uma equipa nas suas mãos e as primeiras impressões são bastante positivas. A maior questão do conjunto de Tuomas Iisalo e do desempenho de Jerome vai ser a consistência.

Menções Honrosas: Davion Mitchell, Ajay Mitchell…


ROY – Rookie of The Year

CAMERON BOOZER

Estatísticas Individuais

7 GP | 32.0 MPG | 17.4 PPG | 10.3 RPG | 5.6 APG | 0.3 SPG | 0.9 BPG | 3.0 TPG

37.5% FG (5.1-13.7) | 36.4% 3PT (2.3-6.3) | 94.4% FT (4.9-5.1)

Este é o mais difícil. É uma classe que entrou na NBA com muita qualidade. Dos Grizzlies já se falou, então porque é que Boozer se distancia do resto? É um jogador muito completo e maduro, entrega em várias vertentes do campo como na construção e nos ressaltos, para além de conseguir marcar pontos. Esta última área pode ser a maior questão neste começo. Boa percentagem da linha de três, mas abaixo em lançamentos de campo, algo que acredito ver melhorado no decorrer da competição.

Acuff Jr e Wilson assemelham-se entre os dois no âmbito de terem boas estatísticas numa equipa pouco competitiva, apesar de estilos de jogo diferentes. Lendeborg está a dar uma primeira impressão de alto calibre numa equipa que precisa exatamente do que está a entregar, sendo neste momento o meu segundo classificado. Dybantsa perde pontos devido a ainda termos visto menos jogos, mas é o principal candidato ao “Rookie of The Year”.

Menções honrosas: Yaxel Lendeborg, Darius Acuff Jr, Caleb Wilson, AJ Dybantsa…


Marco Torres

Adepto de desporto, NBA e dos Portland Trail Blazers. A estudar Ciências da Comunicação.

Deixe um comentário