Neemias assume lugar “histórico” nos Celtics e diz tudo: “Isto pesa.”
Ser poste titular nos Boston Celtics não é um detalhe. É ocupar uma cadeira com história, uma posição que, ao longo de décadas, foi sinónimo de grandeza e liderança dentro da organização. Neemias Queta sabe-o e não esconde o que isso representa para si.
Após o treino de sábado no Auerbach Center, o internacional português deixou claro que encara o momento com uma mistura de gratidão e responsabilidade. Para Queta, vestir a camisola dos Celtics tem um significado especial: não é apenas mais uma equipa na NBA, é uma das franquias mais vencedoras e com maior tradição na liga.
E essa mentalidade tem sido acompanhada por rendimento dentro de campo. Boston venceu 10 dos últimos 13 jogos, subindo para 15-10 na temporada, num período em que o poste luso tem sido uma presença constante e cada vez mais influente.
Números com impacto e liderança estatística
Queta está a viver a melhor fase da carreira em termos de produção: soma máximos pessoais em pontos (10,3), ressaltos (8,3) e desarmes de lançamento (1,3) por jogo, com uma eficácia de 65,2% nos lançamentos de campo. Mais do que isso, lidera a equipa em vários desses indicadores, mostrando consistência num papel que exige muito mais do que “apenas” marcar.
Nos dados avançados, a tendência é a mesma: Neemias tem sido um dos principais motores do equilíbrio coletivo. Aparece entre os melhores da equipa em métricas como defensive rating, net rating e percentagem de ressaltos, confirmando aquilo que se vê no jogo: com ele, os Celtics tornam-se mais sólidos, mais físicos e mais estáveis.
Reconhecimento fora de Boston
O seu crescimento não passou despercebido a adversários. Mike Brown, treinador dos Knicks e alguém que já trabalhou com Neemias em Sacramento, destacou publicamente as características que tornam o português difícil de enfrentar: mobilidade, ameaça vertical, capacidade de finalizar e domínio nas tabelas. O elogio ganha peso por vir de um técnico que conhece o jogador desde fases anteriores do seu percurso.
“Posicionamento” e comunicação: a chave da evolução
Quando explica a própria evolução, Queta aponta menos para estatísticas e mais para aspetos invisíveis: posicionamento, comunicação e leitura das dinâmicas da equipa. Diz que tem crescido a entender melhor os colegas, a jogar de forma mais inteligente e a explorar com consistência as suas forças, algo que Joe Mazzulla valoriza muito no modelo dos Celtics.
Essa maturidade nota-se sobretudo na forma como Neemias executa o básico em alto nível: ocupa espaços certos, mantém-se disciplinado defensivamente, dá linhas de passe e toma decisões simples sem comprometer o coletivo.
Pick-and-roll, “dunker spot” e eficiência máxima
Ofensivamente, o seu encaixe está a funcionar por duas vias principais:
- Pick-and-roll, beneficiando da criação de Payton Pritchard e Derrick White;
- e a presença no dunker spot, onde se mantém como ameaça constante junto ao cesto, abre espaço para penetrações e aparece no sítio certo para finalizar ou ganhar ressaltos ofensivos.
É precisamente essa combinação, eficácia, ameaça vertical e leitura, que tem tornado o seu jogo mais completo e valioso no ataque, mesmo sem ser uma opção de alto volume.
De papel limitado a titular nos Celtics
O percurso torna tudo ainda mais relevante: de minutos reduzidos em Sacramento, ao trabalho duro na G League, a aparições pontuais num plantel campeão, até chegar ao estatuto atual de titular. Queta sublinha que a confiança nas suas capacidades nunca desapareceu, e que o foco diário foi sempre o mesmo: trabalhar, evoluir e esperar pela oportunidade.
Agora, com esta oportunidade nas mãos, Neemias tem respondido com rendimento e maturidade. E, acima de tudo, com a sensação de que em Boston encontrou um contexto onde pode crescer a sério, com objetivos altos e uma identidade que combina com o seu estilo.

