MVPG: um candidato inesperado

Cinco jogos após o início da época, Paul George regista uma média de 28 pontos (5º mais alto da liga), 8 ressaltos, 4 assistências e quase 4 roubos de bola por jogo (1º da liga) arrecadando, também, o 5º melhor PER (Player Efficiency Rating) da NBA com 29.64.

Não é notícia que a ausência de Kawhi Leonard será prolongada ou, eventualmente, total para a presente época. Mas quais serão as consequências desta baixa? Classificação mais baixa na fase regular, mais derrotas, menor competitividade da equipa… No meio de tantos aspetos negativos, inevitáveis de uma perda tão grande, surge um benefício enorme: um palco individual para Paul George como estrela única.

Aliás, o facto de ter o palco só para si, permitiu que Paul George batesse um recorde pessoal logo no terceiro jogo da época, contra os Blazers, colecionando uns estonteantes 8 roubos de bola, o mais alto da sua carreira! Neste momento, George é o líder da NBA em roubos de bola por jogo, com uma média de 3.4! Vale a pena recordar o referido jogo:

Tanto é, que Paul George conta já com dois jogos com mais de 40 pontos. 41 pontos frente aos Grizzlies e 42 pontos frente aos Blazers. De facto, no jogo de ontem frente à equipa de Portland, George marcou 42 pontos, juntamente com 8 ressaltos e 2 assistências. Infelizmente, tendo em conta que o resto dos titulares arrecadaram apenas 16 pontos no total, o seu esforço não foi suficiente para segurar a vitória. Contudo, foi sem dúvida uma brilhante exibição que mostra perfeitamente do que este jogador é capaz, vejamos:

Possivelmente muitos estranham a junção do nome deste jogador na conversa para MVP, tendo em conta o seu desempenho nos play-offs da “bubble” e alcunha “Play-off P”, contudo há que recordar certos factos.

Em primeiro lugar, quando o Kawhi se lesionou nos últimos play-offs, todos davam os Clippers como “arrumados”. Certamente, a equipa de Los Angeles não teria hipóteses contra uma equipa dos Jazz que parecia muito promissora, tendo inclusive segurado o primeiro lugar na conferência Oeste na época regular. Mas como sabemos, a história foi outra. Não só os Clippers conseguiram derrotar a equipa de Utah, como o fizeram nos dois jogos imediatamente a seguir à lesão da sua estrela, o primeiro em Salt Lake, e estando com uma desvantagem de 25 pontos no 3º período do último jogo (jogo 6). Nesses dois jogos George registou no primeiro uns monstruosos 37 pontos, 5 assistências e 16 ressaltos e no segundo 28 pontos, 7 assistências e 9 ressaltos. Infelizmente, a equipa acabaria por perder o lugar nas finais, em virtude da derrota perante os Suns, num série extremamente renhida, apesar do George ter acabado com uma média de 29 pontos, 6 assistências e 11 ressaltos nesse duelo.

Em segundo lugar, todos nos lembramos do George dos Indiana Pacers, mas mais importante será recordar o seu último ano em Oklahoma City. Efetivamente, Paul George esteve à frente da corrida de MVP durante a primeira metade do ano, antes de ter sofrido a lesão no ombro. Apesar de ter acabado em 3º na corrida por trás de Giannis e Harden, a verdade é que teve uma brilhante perfomance manchada pela sua lesão. Uma época que, sem dúvida deixou muito a desejar, e prometia um espetáculo para as épocas vindouras. PG13 registou uma média de 28 pontos, 4 assistências, 8 ressaltos e um recorde de carreira de 2.2 roubos de bola. E como se tal não bastasse, nesse mesmo ano George acabou entre os finalistas para o prémio de melhor jogador defensivo, perdendo o troféu para Rudy Gobert.

Por último, todos sabemos que o ano dos play-offs em Orlando durante o pico da pandemia, foi, quiçá, o pior da carreira de George. Como o atleta explicou, um dos grandes fatores para essa performance dececionante foi a seu bem-estar (ou melhor, falta dele) mental e emocional. O jogador informou que toda a situação do isolamento, afastamento da família, etc… em muito dificultou os seus tempos na “bolha”, o que teve uma influência direta no seu jogo. Ora, como dá para perceber, Paul George é um jogador que, eventualmente, pode ceder mentalmente perante críticas/expetativas. Contudo, este ano os olhos não estão virados para os Clippers, pelo que George vai poder ser ele mesmo, e mostrar o que vale, silenciando todos aqueles que duvidaram do seu potencial.

É certo que ainda é muito cedo para prognósticos, e sem dúvida não faltam boas apostas: Ja Morant está a ter um começo monstruoso; Embiid quer dar continuidade à entrega do prémio para outro Center; Durant continua a ser um dos melhores pontuadores que este jogo já viu; Curry quer calar os haters; Jokic pretende defender o título e Giannis, o recém-campeão nunca para de surpreender. No entanto, devemos todos estar atentos ao “underdog” que George se poderá tornar.

Uma coisa é certa, para Paul George ter, sequer, uma possibilidade para ganhar ganhar este prémio, os Clippers têm de começar a ganhar mais jogos, este início lastimável não será suficiente…

João Araújo Correia

Licenciado em Direito, 23 anos e sou fã incondicional dos Clippers desde a era da Lob-City. Desde pequeno que adoro basquetebol, tanto de ver como jogar! Apesar do Patrick Beverly estar enganado quanto aos próximos 5 anos serem dos Clippers, espero que seja, pelo menos, 1!

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