LeBron avisa, será preciso fazer sacrifícios

LeBron James não chegou a Philadelphia para se contentar com um plantel para impressionar. Aos 41 anos, prestes a iniciar a sua 24.ª temporada na NBA, o jogador explicou durante o Media Day dos Sixers aquilo que será necessário para esta nova aventura ser bem-sucedida. E a conclusão, citada pela ESPN, não podia ser mais clara.

“Temos de aprender a estar confortáveis com o desconforto. É a melhor forma de acelerarmos a nossa evolução rumo à excelência. Temos de aprender a gostar de fazer coisas que nos deixam desconfortáveis. Se conseguirmos fazer isso, podemos tornar-nos numa grande equipa. Caso contrário, vamos acabar por dizer: ‘Éramos uma grande equipa no papel, tínhamos muito talento e perdemos na segunda ronda.’

Eu não quero passar por isso. Não deixei a minha família para perder na segunda ronda. Disso tenho a certeza. Por isso, há trabalho para fazer e estou preparado para o fazer.”

James deixou a mulher e a família na costa Oeste para se juntar aos Sixers. Um sacrifício pessoal que utilizou para explicar os esforços que serão necessários para que este projeto tenha sucesso.

E dentro do campo também será preciso abdicar de algumas coisas.

“Se dizemos que queremos alcançar algo especial, serão necessários sacrifícios coletivos, no bom sentido da palavra. Por vezes, no desporto, quando as pessoas ouvem a palavra ‘sacrifício’, pensam imediatamente em algo negativo. Não é negativo.

Ao longo da minha carreira, muitos jogadores passaram pela nossa liga sem nunca fazer um sacrifício. Marcam 20 ou 22 pontos por jogo, foram aos Playoffs uma ou duas vezes e nunca ganharam uma série. Se é essa a carreira que querem, tudo bem. Cada pessoa tem objetivos diferentes. Mas não acredito que alguém no nosso balneário tenha essa mentalidade ou queira uma carreira assim. Caso contrário, não estaríamos aqui.”

A divisão de responsabilidades será, inevitavelmente, uma das grandes questões desta equipa.

Jaylen Brown vem de uma temporada em que teve médias de 28,7 pontos por jogo, o quarto melhor registo da NBA, ligeiramente à frente de Tyrese Maxey, que terminou com 28,3 pontos.

A estes dois juntam-se Joel Embiid e o melhor marcador da história da NBA.

Questionado sobre quem será o “alfa” desta equipa, Brown preferiu não alimentar a discussão:

“Pergunta seguinte.”

“Este ano, queremos passar o máximo de tempo possível juntos.” — Joel Embiid

Maxey explicou melhor como encara as mudanças que terá de fazer no seu jogo.

O base dos Sixers mostra-se disponível para aproveitar todas as possibilidades que os seus novos companheiros lhe vão proporcionar.

“Nesta fase da minha carreira, sinto-me confortável em qualquer situação. Já joguei em tantas circunstâncias diferentes. Vou continuar a jogar com a bola nas mãos, nomeadamente em ações de pick-and-roll. Mas também poder jogar sem bola, receber lançamentos em situações de catch-and-shoot, sair de bloqueios, receber passes em hand-off e correr em transição será, penso eu, positivo para a nossa equipa.”

As quatro estrelas já começaram a trabalhar juntas.

Na segunda-feira, treinaram no centro de treinos dos Sixers antes dos compromissos com a comunicação social, sem sequer esperarem pelo início oficial do training camp, marcado para terça-feira.

Embiid quer aproveitar ao máximo estes momentos para criar entrosamento dentro do grupo.

“Este ano, queremos passar o máximo de tempo possível juntos, dentro e fora do campo, fortalecer as relações que já temos e construir a partir daí. Todos os dias, nas vitórias e nas derrotas, aprender alguma coisa e continuar a evoluir. Obviamente, todos temos o mesmo objetivo e temos de descobrir como o alcançar. Evoluir dia após dia.”

Philadelphia procura conquistar o seu primeiro título desde 1983.

Para LeBron, o trabalho diário e a capacidade de os jogadores se responsabilizarem uns aos outros serão fundamentais para que este grupo consiga lidar com a enorme atenção que terá sobre si.

Os nomes estão reunidos. Agora, falta provar que estão dispostos a fazer os sacrifícios necessários.

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