Divac explica porque não escolheu Luka Dončić no draft
Oito anos após o Draft de 2018, a decisão dos Sacramento Kings de não selecionar Luka Dončić continua a ser uma das mais criticadas dos últimos anos. Na altura, Vlade Divac e a equipa optaram por Marvin Bagley III com a segunda escolha, deixando o esloveno cair para a terceira posição.
Convidado a revisitar essa decisão, Divac reconheceu o erro… mas apresentou uma explicação que levanta dúvidas.
“Fui a Madrid falar com ele um ano antes do draft. Ele estava claramente no topo da minha lista. Mas, obviamente, parece que cometi um erro”, admitiu.
Uma visão limitada
O antigo dirigente explicou depois o seu raciocínio:
“Todos os meus assistentes diziam que ele podia jogar como extremo, e eu disse que não — o Luka é um base. É um treinador dentro de campo. E pensei que, se o escolhesse, teria de trocar De’Aaron Fox. E eu já tinha uma ótima relação com o Fox.”
Essa leitura levou Sacramento a apostar na continuidade em torno de Fox, em vez de priorizar o talento global de Dončić.
Mas há outra justificação ainda mais difícil de entender:
“Via o Fox como um encaixe perfeito para uma pequena organização como a nossa, enquanto o Luka era um jogador para um grande mercado”, explicou Divac.
Uma distinção pouco habitual no contexto de drafts, que reforça o caráter questionável da decisão.
Desde então, a trajetória dos dois jogadores só aumentou as críticas. Luka Dončić tornou-se um dos melhores jogadores da liga, atualmente líder ofensivo dos Los Angeles Lakers.
Por outro lado, Marvin Bagley III nunca conseguiu corresponder às expectativas associadas à sua posição no draft.
Uma decisão difícil de defender
Com o passar do tempo, as explicações de Divac mostram sobretudo uma aposta estratégica que falhou. E mesmo na altura, já eram difíceis de justificar.
Escolher com base na posição ou nas necessidades imediatas, em vez do talento disponível — especialmente num caso como o de Dončić, onde o potencial era evidente — tende quase sempre a ser um erro. Caso Fox e Dončić não fossem compatíveis, uma troca vantajosa poderia sempre ter sido feita.
O mesmo se aplica à ideia de que Dončić seria “grande demais” para o mercado de Sacramento — algo discutível, tendo em conta exemplos como Giannis Antetokounmpo nos Milwaukee Bucks.
Resumindo: exceto trocá-lo depois de já ter provado ser um dos melhores do mundo, é difícil imaginar um erro maior para um general manager do que não escolher Luka Dončić em favor de Bagley.

