Sacramento deixou sair Fox, Haliburton e Mike Brown… e agora vê-os agradecer à distância
Há um cenário que deve enlouquecer os adeptos dos Sacramento Kings. Dentro de poucos dias, a NBA pode ter umas finais disputadas entre De’Aaron Fox e Mike Brown — duas figuras centrais que Sacramento decidiu deixar escapar nos últimos meses.
E tudo se torna ainda mais cruel quando recordamos que, um ano antes, tinha sido Tyrese Haliburton — também ele sacrificado pelos Kings — a disputar as finais da NBA pelos Indiana Pacers.
O mais impressionante nesta história é que Sacramento parecia finalmente ter encontrado uma direção. É verdade que o trauma da escolha falhada de Luka Doncic no Draft de 2018 continuará durante muitos anos associado à organização, mas os Kings tinham conseguido reconstruir algo coerente.
Tinham dois bases All-Star e All-NBA em Fox e Haliburton, um treinador respeitado como Mike Brown, uma identidade ofensiva forte, um pavilhão vibrante e, finalmente, um regresso aos playoffs após dezasseis anos de sofrimento.
Depois… tudo desabou a uma velocidade inacreditável.
Haliburton foi trocado. Mike Brown foi despedido. E Fox acabou por sair também.
Resultado? Enquanto os antigos líderes da equipa brilham noutras organizações e se aproximam das finais da NBA, os Kings acabaram uma temporada de 60 derrotas para receber… a 7.ª escolha do Draft.
É difícil resumir de forma mais brutal a regressão de uma organização. O português Neemias Queta também conseguiu mudar completamente o seu impacto quando saiu para os Celtics, onde foi aposta.
E o problema nem é apenas desportivo. Sacramento transmite sobretudo a sensação de já não saber para onde vai.
Os Kings estão agora presos aos contratos gigantes de Zach LaVine e Domantas Sabonis, sem grande margem de progressão imediata e com poucos jovens talentos capazes de alimentar esperança num regresso rápido à competitividade.
O que torna toda esta situação fascinante — e quase trágica — é que Fox, Haliburton e Mike Brown recuperaram imediatamente credibilidade assim que saíram de Sacramento.
Como se o problema nunca tivesse sido eles.
Como se os Kings tivessem voltado a ser aquela equipa que a NBA conhece demasiado bem há mais de vinte anos: uma organização capaz de identificar e desenvolver talento… apenas para depois ver esse talento triunfar noutro lugar.

