Kevin Durant nos Rockets foi um erro?

Quando os Houston Rockets avançaram para a troca por Kevin Durant, a mensagem era inequívoca: vencer e já! A ideia não era manter o mesmo ritmo de crescimento, era dar um salto competitivo no imediato.

A aposta foi clara: trazer um dos melhores criadores de meia-distância da liga para resolver o que faltava nos momentos decisivos. No papel, fazia todo o sentido. Na classificação? Ainda não é evidente.

Houston está com um recorde 34-21, praticamente o mesmo registo que tinha na mesma fase da época passada. A expectativa era dar um passo em frente. O que se vê, até agora, é uma temporada lateral, com mais investimento e mais pressão.

São melhores do que no ano passado?

Nos números brutos, não muito. O registo é semelhante e a posição no Oeste continua na zona intermédia da tabela.

Mas o perfil estatístico mostra nuances:

  • Ataque ligeiramente mais eficiente
  • Defesa um pouco menos sólida
  • Net rating marginalmente superior

Os Rockets continuam a ganhar jogos à sua maneira: dominam os ressaltos (líderes em totais e ofensivos) e criam posses extra. O problema? Não vivem do triplo. Estão perto do fundo da liga em tentativas e conversões de três pontos.

Nos playoffs, quando o jogo abranda e tudo se resume a meio campo, isso pode tornar-se perigoso.

E há outro sinal preocupante: execução nos momentos decisivos. Os Rockets estão entre as piores equipas da liga em eficiência ofensiva no clutch e apresentam uma das taxas de turnovers mais altas nesses momentos. Isto não é detalhe, é alerta vermelho.

Durant está a cumprir?

Individualmente, sim.

Durant apresenta números muito bons:

• 26+ pontos por jogo

• Eficiência acima dos 50% de campo

• 40% de triplo

• True Shooting acima dos 62%

Com ele em campo, o ataque melhora. O impacto estatístico é real.

O problema não é produção. É integração.

Os Rockets continuam a jogar como uma equipa que distribui responsabilidades de forma igualitária, quando a troca exigia algo diferente: uma hierarquia clara. Se trocas talento jovem e picks por Durant, os últimos lançamentos têm de ser dele. Sem ambiguidades.

Neste momento, parece que o sistema ainda tenta resolver primeiro… e só depois entrega a bola a Durant para salvar a posse.

Em fevereiro isso funciona. Em maio pode não chegar.

A polémica do “burner account”

O ruído fora do campo também não ajuda. Alegações de que Durant teria usado uma conta anónima para criticar colegas, incluindo referências a Alperen Şengün e Jabari Smith Jr., criaram distração.

Mesmo que nada seja confirmado, a simples especulação pode afetar confiança interna. E para uma equipa que já demonstra fragilidade nos momentos decisivos, qualquer dúvida sobre hierarquia ou respeito pesa.

Valeu a pena a troca?

Sim, em teoria.

Os Houston Rockets precisavam de um criador e “scorer” comprovado. Durant continua a ser um dos poucos jogadores capazes de fabricar um lançamento de alta qualidade quando tudo falha.

O custo foi elevado, jogadores jovens e capital de draft. Mas o verdadeiro teste nunca seria em fevereiro. Será em abril e maio.

Se os Rockets ajustarem a identidade e assumirem claramente uma estrutura centrada em Durant nos momentos críticos, a troca será validada.

Se continuarem a hesitar, ficarão presos no mesmo limbo: boa equipa, talento real… teto competitivo indefinido.

Filipe Pereira

Alguém que é apaixonado pelo basquetebol e tudo aquilo que o envolve.

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