Julian Champagnie, o presente improvável dos Sixers aos Spurs

Dispensado pelos Philadelphia 76ers em 2023 para abrir espaço a Mac McClung, Julian Champagnie transformou-se num jogador valioso para os San Antonio Spurs e voltou a ser decisivo no jogo 7 frente aos Oklahoma City Thunder.

Numa equipa dos Spurs liderada por Victor Wembanyama, De’Aaron Fox e Stephon Castle, o nome de Julian Champagnie nem sempre salta à vista. No entanto, tornou-se um daqueles jogadores que mudam a dinâmica de um coletivo. Um atleta fiável, competitivo e útil, capaz de castigar qualquer distração do adversário e de enfrentar um jogo 7 sem vacilar.

Esta madrugada, na vitória de San Antonio em Oklahoma City, Champagnie voltou a demonstrar a sua importância para a equipa texana: 20 pontos, 6 ressaltos, 6 triplos convertidos e 37 minutos em campo num dos jogos mais importantes da temporada. Enquanto os Thunder procuravam desesperadamente apoio para Shai Gilgeous-Alexander, os Spurs encontravam soluções por todo o lado. Champagnie foi uma das mais preciosas.

O que torna a sua história ainda mais interessante é a forma como chegou ao Texas. Champagnie não foi escolhido no Draft. Não chegou com o rótulo de futuro titular. Surgiu quase por acaso, graças a uma decisão bastante discutível dos Philadelphia 76ers.

Em fevereiro de 2023, Philadelphia decidiu contratar Mac McClung para um contrato two-way. Para lhe abrir espaço, dispensou Champagnie, que também estava sob um contrato two-way. Na altura, McClung era sobretudo uma atração mediática: um jogador espetacular, popular e conhecido pelo público graças ao concurso de afundanços. Poucos dias depois, venceria esse concurso, tornando-se posteriormente o primeiro jogador da história a conquistar três títulos consecutivos no Slam Dunk Contest, em 2025.

Do ponto de vista dos Sixers, a ideia fazia sentido naquele momento: aproveitar a exposição do All-Star Weekend, ter um representante carismático e capitalizar uma história simpática. O problema é que os Spurs viram algo diferente. Viram um extremo de 2,01 metros, jovem, com capacidade de lançamento exterior, disciplinado, formado num sólido programa universitário em St. John’s e com tamanho e dureza suficientes para se tornar útil numa rotação NBA.

Apenas dois dias após a sua saída de Philadelphia, San Antonio reclamou-o através da lista de dispensas e ofereceu-lhe um contrato two-way. Alguns meses depois, os Spurs assinaram com ele um contrato de quatro anos e 12 milhões de dólares, com o último ano sob opção da equipa. Uma aposta discreta e de baixo risco, exatamente o tipo de movimento que passa despercebido na altura mas que ganha enorme importância quando uma equipa começa a competir ao mais alto nível.

Três anos depois, Champagnie já não é apenas uma descoberta interessante. Tornou-se uma peça essencial da rotação dos Spurs. Aos 25 anos, continua a ter margem para evoluir. O seu perfil encaixa perfeitamente no projeto construído em torno de Wembanyama: tamanho, lançamento exterior, poucas decisões desnecessárias com a bola, intensidade, capacidade para aceitar o seu papel e estar preparado quando a oportunidade surge.

Os Sixers já têm histórico nestas situações…

Nada garante que Champagnie se tivesse tornado este jogador em Philadelphia. O contexto importa, e os Spurs ofereceram-lhe estabilidade, paciência e uma oportunidade real. Ainda assim, o simples facto de os Sixers o terem dispensado por uma operação tão ligada ao espetáculo do All-Star Weekend diz muito sobre algumas decisões questionáveis da organização nos últimos anos.

Philadelphia teve frequentemente talento nas mãos. O problema, demasiadas vezes, foi saber desenvolvê-lo. Champagnie não é um All-Star perdido nem uma futura superestrela. Mas é exatamente o tipo de jogador que as grandes equipas precisam em maio e junho: um role player fiável, jovem, económico e capaz de converter seis triplos num jogo 7 de uma final de conferência.

Os Sixers já tinham reaberto este debate com Jared McCain, trocado para Oklahoma City por uma escolha de primeira ronda de 2026 e três escolhas de segunda ronda, antes de se tornar uma peça importante da rotação dos Thunder. Cada caso tem o seu contexto, claro. Mas quando tantos jovens jogadores deixam Philadelphia e prosperam em organizações mais estruturadas, a pergunta torna-se inevitável: quantas oportunidades deixaram os Sixers escapar?

Os Spurs, por outro lado, não precisaram de fazer muito barulho. Simplesmente aproveitaram uma oportunidade, desenvolveram o jogador e colheram os frutos. É menos mediático do que uma grande troca ou uma contratação sonante, mas é muitas vezes assim que se constrói uma equipa de topo.

No Game 7, Champagnie não se limitou a marcar lançamentos. Lembrou a todos que uma grande equipa também se constrói através destas decisões. Um jogador dispensado por outra organização, recuperado sem alarido, bem desenvolvido e capaz de responder quando está em jogo uma presença nas Finais da NBA.

Philadelphia procurava algum brilho para o All-Star Weekend.

San Antonio encontrou um jogador de playoffs.

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