Novas regras anti-tanking para a lotaria do Draft são oficiais
Adam Silver tinha prometido na primavera que a NBA iria tentar resolver o problema do tanking. A liga passou agora das palavras aos atos com uma reforma profunda da Lotaria do Draft, aprovada esta quinta-feira pelos proprietários das organizações por uma esmagadora maioria (29 votos a favor e apenas 1 contra).
A partir do Draft de 2027, o sistema vai mudar significativamente, com uma ideia simples por trás de tudo isto: tornar as derrotas propositadas muito menos vantajosas.
A nova fórmula “3-2-1 Lottery”
A nova fórmula, denominada “3-2-1 Lottery”, altera desde logo o número de equipas envolvidas na lotaria.
Até agora, apenas as 14 equipas que falhavam os playoffs participavam no sorteio. A partir de 2027, serão 16 equipas, uma vez que as duas formações eliminadas no play-in nos lugares 7 e 8 também terão uma oportunidade, ainda que reduzida, de subir na ordem do Draft.
Ser a pior equipa deixa de compensar
A mudança mais significativa diz respeito aos piores registos da liga.
Durante anos, terminar no fundo da classificação foi praticamente uma estratégia assumida para maximizar as probabilidades de obter a primeira escolha do Draft. A NBA quer acabar com essa lógica.
As três piores equipas da temporada terão agora apenas duas “bolas de pingue-pongue” cada uma na lotaria, enquanto as equipas classificadas entre o 4.º e o 10.º pior registo terão três bolas.
Por outras palavras: ser desastroso deixa de oferecer mais vantagens do que ser simplesmente mau.
A liga acrescentou ainda outra medida anti-tanking: as três piores equipas já não poderão cair abaixo da 12.ª escolha do Draft. Trata-se de uma forma adicional de evitar que algumas organizações vejam uma época perdida como um investimento rentável.
A NBA poderá aplicar sanções
A NBA também vai endurecer a sua atuação disciplinar.
O novo regulamento prevê a possibilidade de a liga:
- Alterar as probabilidades de uma equipa na lotaria;
- Fazer descer a sua posição no Draft;
- Aplicar multas pesadas.
Tudo isto caso considere que existe uma estratégia deliberada de tanking.
É uma mudança importante, já que até agora a NBA procurava sobretudo resolver o problema através de ajustes estatísticos e não através de punições diretas.
Fim dos “first picks” consecutivos
Outra novidade relevante é que uma equipa já não poderá obter a primeira escolha do Draft em anos consecutivos.
Além disso, as equipas também não poderão receber uma escolha do Top 5 durante três épocas seguidas.
Na prática, isto teria impedido situações recentes como as de equipas como os Utah Jazz ou os Washington Wizards, que acumularam várias escolhas muito altas ao longo de reconstruções prolongadas.
Mudanças nas proteções de escolhas
A NBA também decidiu intervir nas proteções de escolhas (pick protections).
As proteções aplicadas às escolhas entre os lugares 12 e 15 deixam de ser permitidas em futuras trocas, evitando alguns mecanismos que permitiam às equipas criar artificialmente uma “zona de conforto” para perder jogos sem grandes riscos.
Será suficiente para acabar com o tanking?
A grande questão continua a ser saber se estas medidas serão suficientes para alterar comportamentos.
Nos últimos anos, apesar das reformas anteriores da lotaria, várias equipas continuaram a aceitar temporadas muito fracas para tentar garantir futuras estrelas universitárias.
Com talentos geracionais como Victor Wembanyama, Cooper Flagg ou AJ Dybantsa a surgirem no horizonte, a tentação do tanking nunca desapareceu por completo.
A NBA, por sua vez, parece determinada a continuar a experimentar novas soluções. Este sistema terá validade apenas até ao final da época de 2029, deixando a porta aberta a futuras alterações ainda mais profundas.
Entre as ideias já discutidas internamente encontra-se um sistema de “créditos de Draft”, que recompensaria ou penalizaria determinadas equipas ao longo de vários anos. 🏀

