Houston, we have a problem

O universo NBA entrou em polvorosa com a troca que levou Russell Westbrook para os Houston Rockets. Ainda longe da bola começar a rolar, é nesta fase de época que as equipas técnicas estudam as melhores táticas e movimentações, de forma a esconder as fraquezas e exponenciar as virtudes dos seus jogadores. Com a adição de Brodie, Mike D’Antoni vê agravar-se um dos problemas da sua equipa: devido ao elevadíssimo ritmo que o ataque imprime (e que com Westbrook subirá ainda mais), a quantidade de turnovers é também muito elevada.

Recorrendo a estatísticas básicas, percebemos que Harden e Westbrook são, ao nível do volume de perdas de bola, dos melhores de sempre. Vejamos. Em toda a história da NBA, as 5 épocas individuais com mais turnovers totais foram protagonizadas por estes dois jogadores: Harden em 16-17 (464), Westbrook em 16-17 (438), Harden em 18-19 (387), Westbrook em 17-18 (381) e Harden em 15-16 (374).

Nas últimas 11 épocas, apenas em 3 o campeão dos turnovers totais não se chamou James Harden ou Russell Westbrook.

E por fim, nas últimas 7 épocas, apenas numa (13-14) os nomes destes dois bases não coincidiram no top 5 de jogadores com mais turnovers. De recordar que nessa temporada Westbrook jogou apenas 46 jogos na fase regular, devido a uma lesão no joelho direito que obrigou a intervenção cirúrgica.

Os Houston Rockets versão 2019-20 juntam, assim, dois dos maiores ball hogs da história da competição. Dois extraordinários pontuadores, assistentes, desequilibradores, ressaltadores, máquinas de triplos-duplos. Juntar esta dupla certamente proporcionará uma avalanche ofensiva devastadora para os adversários. No entanto, são dois dos jogadores com maior usage rate da liga e ambos dependem bastante da utilização da bola para render ao nível esperado. Não há dúvida de que, devido à idade de Chris Paul, esta troca fortalece os Rockets. Mas é importante que D’Antoni tenha em mente que Westbrook não tem o basketball IQ, a leitura de jogo, a capacidade de jogar off the ball de Paul. Só há uma bola para jogar, e esta equipa só terá a ganhar em encontrar uma forma de conjugar os talentos destes dois craques em simultâneo, em vez de assistirmos a cada um jogando ‘à vez’. Um enorme desafio nas mãos de coach D’Antoni, que acompanharemos com muita atenção e curiosidade.

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