Entusiamo no regresso de Seattle à NBA
No final do mês, deverá ser confirmada a expansão da NBA com as chegadas de Seattle e Las Vegas. Estas duas confirmações, numa mudança para uma liga de 32 equipas, obviamente despertarão curiosidade e entusiasmo. Devemos, no entanto, ser honestos, Seattle é um pouco mais emocionante para alguns fãs, especialmente aqueles que acompanham a NBA desde o século passado. Talvez os fãs mais jovens, aqueles que não viram uma NBA sem os Thunder, mas com os Sonics, estejam a questionar porque Seattle é diferente.
A resposta reside, em primeiro lugar, no contexto em que Seattle perdeu a sua equipa. Quando Howard Schultz vendeu os SuperSonics em 2006 para o grupo liderado por Clay Bennett, muitos fãs rapidamente sentiram que o futuro da equipa já estava a ser escrito longe do estado de Washington. Dois anos depois, a mudança para Oklahoma City deixou uma memória extremamente amarga. Em Seattle, Schultz continuou a ser quem abriu a porta, Bennett quem levou o clube embora. Foi como uma traição.
É sem dúvida daí que vem parte da emoção atual. Enquanto a expansão clássica cria curiosidade, Seattle desperta uma história que muitos consideram inacabada. Para alguns fãs, especialmente os mais velhos, existe a ideia de que a NBA finalmente corrigiria um erro de quase 20 anos.
A ligação, porém, não passa apenas sobre esta velha ferida. Seattle continua a ser uma verdadeira cidade do basquetebol. A cidade continuou a estar ao mais alto nível graças às Seattle Storm, uma das maiores equipas da história da WNBA, recordadas por lendas como Sue Bird, Lauren Jackson e Breanna Stewart.
A região também continua a produzir jogadores e figuras ligados à liga. Jamal Crawford, agora retirado e consultor, continua a ser um embaixador natural da cidade. Isaiah Thomas, outro produto puro de Seattle, também frequentemente personificava essa ligação local, mesmo quando brilhava com os Celtics. Hoje, Paolo Banchero parece ser o representante mais óbvio desta linhagem. O All-Star de Orlando nasceu em Seattle, foi criado lá antes de partir para Duke. Esta continuidade conta. Recordar que Seattle não é apenas uma cidade nostálgica pelo seu passado na NBA, mas um lugar ainda ligado ao basquetebol de hoje.
Seattle, cultura e passado
Há também tudo o que se relaciona com a própria identidade da cidade. Seattle não é uma metrópole parada. No imaginário americano, é uma cidade à parte, marcada por uma cultura forte, quase imediatamente reconhecível. É a cidade de Jimi Hendrix, Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, uma certa ideia de contracultura americana. Seattle também tem uma história no hip-hop, de Sir Mix-a-Lot a Macklemore, incluindo os projetos Blue Scholars ou Shabazz Palaces.
É também por isto que o possível regresso da equipa é tão emocionante. Tudo, ou quase tudo, já existe na cabeça das pessoas. O nome SuperSonics, antes de tudo, é um dos mais reconhecidos na história da NBA. Depois as cores verde e amarelo, imediatamente associadas à grande era da organização. E depois as memórias deixadas pelas equipas dos anos 90, as de Gary Payton e Shawn Kemp, que tinham carácter, estilo e uma verdadeira singularidade. Localmente, há também uma verdadeira reverência pela equipa de 1979 que ganhou o único título da NBA na história da organização, com Dennis Johnson, Gus Williams, Jack Sikma e o seu treinador Lenny Wilkens.
Soma-se a isto um argumento muito concreto, Seattle também preenche todos os requisitos modernos. O mercado é sólido, a cidade é economicamente poderosa, a Climate Pledge Arena oferece um cenário pronto. Apesar de uma compra anunciada entre 7 e 10 biliões de dólares, deve haver pessoas para investir. Mais uma vez, a diferença com outros projetos é clara. Não compram apenas um lugar na liga, compram uma marca, uma memória e uma imaginação já estabelecidas.
É provavelmente por isso que Seattle está a gerar mais entusiasmo, mal podemos esperar para ver os Sonics novamente!

