Os Spurs esmagam OKC e garantem um Game 7
A série que todos esperavam ver cumprir as suas promessas vai, afinal, oferecer um último capítulo. Depois da derrota no jogo 5, os Spurs responderam com autoridade ao esmagarem Oklahoma City por 118-91, igualando a final da conferência Oeste a três vitórias para cada lado.
Impulsionados por uma enorme exibição coletiva, os texanos impuseram o seu ritmo desde os primeiros minutos e acabaram por fazer explodir os Thunder com um terceiro período de sentido único. No sábado, as duas equipas reencontram-se em Oklahoma City para um jogo 7 que promete ser tão emocionante quanto imprevisível.
Os Spurs entraram a todo o gás
San Antonio deu imediatamente o tom da partida. A equipa orientada por Mitch Johnson converteu oito triplos no primeiro período, um recorde da organização em playoffs desde 1998 num único quarto, assumindo uma vantagem de 35-22 após os primeiros 12 minutos.
A energia dos Spurs foi evidente. Pressão constante sobre o portador da bola, intensidade defensiva e agressividade nos duelos: tudo aquilo que tinha faltado em alguns momentos do jogo 5 esteve presente desta vez.
Numa série em que a arbitragem tem sido frequentemente debatida, a presença de Zach Zarba trouxe também um jogo mais fluido. Houve muitos contactos, por vezes duros, mas os árbitros deixaram jogar e o ritmo da partida beneficiou claramente disso.
Dylan Harper e Victor Wembanyama lideraram a resposta
As duas jovens estrelas dos Spurs foram os grandes motores desta vitória.
Dylan Harper assinou uma exibição particularmente impressionante, com 18 pontos, 6 ressaltos e 4 assistências. O rookie atacou o cesto sem hesitação, converteu lançamentos de três pontos, teve ressaltos importantes e acumulou boas ações defensivas. Mais do que os números, destacou-se a sua total ausência de medo. Jogou como se este jogo decisivo fosse apenas mais um encontro da fase regular.
Já Victor Wembanyama apresentou uma versão muito diferente daquela vista no jogo 5. Com 28 pontos, 10 ressaltos e 3 desarmes de lançamento, o francês atacou com mais convicção, lançou sem hesitar e mostrou-se muito mais confortável nas suas decisões ofensivas. Os seus 22 pontos ao intervalo foram fundamentais para manter os Spurs na frente apesar das tentativas de recuperação do Thunder.
À volta deles, Devin Vassell trouxe enorme energia dos dois lados do campo, enquanto até Harrison Barnes, mais discreto nas últimas semanas, contribuiu com dois triplos importantes.
Os Thunder resistiram… e depois desmoronaram
Apesar da fúria texana, Oklahoma City manteve-se na luta durante bastante tempo. Ao intervalo, os Spurs venciam apenas por 60-53 e a sensação geral era até que os Thunder estavam a escapar com um resultado favorável face ao domínio da equipa da casa.
Como tem sido habitual nesta série, Alex Caruso e Cason Wallace marcaram cestos importantes para impedir a fuga de San Antonio. Chet Holmgren também trouxe a sua habitual atividade perto do cesto, enquanto o regresso de Jalen Williams, ausente no Game 5, deu mais profundidade à rotação de Mark Daigneault.
Mas tudo mudou após o intervalo.
O parcial de 22-0 que mudou a série
O terceiro período foi provavelmente o melhor momento dos Spurs em toda esta final de conferência.
San Antonio aplicou um devastador parcial de 22-0 aos Thunder. Oklahoma City passou quase oito minutos sem converter um único lançamento de campo e perdeu completamente as referências ofensivas perante uma defesa texana excecional.
A falta de eficácia dos Thunder teve influência, claro, mas não explica tudo. Os Spurs multiplicaram as ajudas defensivas, as rotações e as contestações para sufocar o ataque adversário.
Do outro lado, o MVP Shai Gilgeous-Alexander nunca conseguiu assumir o controlo da partida. Bem condicionado pela defesa de San Antonio, terminou com 15 pontos e 4 assistências, convertendo apenas 6 dos seus 18 lançamentos.
O verdadeiro ponto de viragem: os minutos sem Wembanyama
Desde o início da série, os períodos sem o francês em campo costumavam ser um problema para os Spurs. Em várias ocasiões, a equipa perdeu o rumo sempre que a sua superestrela descansava alguns minutos.
Desta vez aconteceu exatamente o contrário.
Durante o parcial decisivo do terceiro período, os Spurs chegaram mesmo a registar um parcial de 15-0 sem Wembanyama em campo. A defesa manteve a mesma intensidade, os suplentes venceram os seus duelos e Oklahoma City não encontrou qualquer solução.
Este momento aumentou drasticamente a vantagem e foi talvez o sinal mais encorajador da noite para San Antonio.
Noite de pesadelo para Luguentz Dort
Se vários jogadores do Thunder passaram por uma noite difícil, Luguentz Dort foi um dos mais afetados.
O canadiano acumulou lançamentos falhados, nunca encontrou ritmo ofensivo e não conseguiu compensar com o habitual impacto defensivo. Algumas faltas evitáveis agravaram ainda mais uma exibição para esquecer.
Para um jogador que foi peça importante na conquista do título de OKC na época passada, esta prestação teve um peso significativo numa partida em que o Thunder precisava de todos os seus recursos.
Tudo se decide na madrugada de Domingo
O último período transformou-se rapidamente num longo momento de “garbage time”. Oklahoma City ainda tentou uma reação tímida antes de aceitar que a noite estava perdida. Os dois treinadores esvaziaram os respetivos bancos.
No final, os Spurs conquistaram a sua vitória mais convincente da série. Sim, Wembanyama respondeu presente. Sim, Harper voltou a impressionar. Mas o principal motivo de esperança talvez esteja noutro ponto: pela primeira vez em muito tempo, San Antonio dominou mesmo quando o seu franchise player estava sentado no banco.
Os Spurs conseguiram aquilo que procuravam: uma última oportunidade.
E depois de seis jogos de altíssimo nível entre duas das equipas mais entusiasmantes da NBA, o jogo 7 promete estar à altura de toda a expectativa criada. 🏀🔥

