A regra que está a destruir a corrida aos prémios da NBA!

A regra dos 65 jogos mínimos voltou a marcar a reta final da época da NBA e, mais uma vez, da forma mais polémica possível. Com lesões a surgirem numa fase decisiva da temporada, vários jogadores de topo ficaram automaticamente fora da corrida aos prémios individuais, mesmo depois de terem feito épocas de nível All-NBA ou até de MVP.

Os casos mais recentes e mediáticos são os de Luka Dončić e Anthony Edwards, mas estão longe de ser os únicos. No total, há vários nomes sonantes que já não poderão entrar nas votações finais por não atingirem o número mínimo de jogos exigido pela liga.

Luka Dončić: um jogo de distância… e tudo muda

O caso de Luka é provavelmente o mais duro de todos. O esloveno saiu lesionado do jogo dos Lakers frente aos Thunder, com problemas no tendão posterior da coxa esquerda, e a situação colocou imediatamente em causa a sua disponibilidade para o resto da fase regular.

O problema é simples: Dončić ficou parado nos 64 jogos.
Faltava apenas um para garantir elegibilidade.

Isso significa que uma possível lesão tardia pode afastar totalmente um jogador que estava a fazer uma temporada de nível absoluto de MVP. Antes do problema físico, Luka liderava a liga em pontuação, com mais de 33 pontos por jogo, e vinha de um mês de março impressionante, no qual elevou ainda mais a sua candidatura graças à forma dos Lakers e à produção absurda que apresentava noite após noite.

Mesmo que não fosse o principal favorito ao prémio, tinha tudo para fechar a época no mínimo com uma presença forte na All-NBA First Team. Agora, pode ficar sem qualquer distinção.

Anthony Edwards: caso encerrado

Se com Luka ainda existia incerteza, com Anthony Edwards já não há discussão possível. O jogador dos Timberwolves falhou mais um encontro devido a problemas no joelho direito e a contas ficaram feitas: já não consegue chegar aos 65 jogos.

Edwards estava a realizar uma época fortíssima, com médias próximas dos 30 pontos por jogo, mantendo-se como uma das principais figuras do Oeste. Talvez não estivesse no topo da corrida ao MVP, mas tinha argumentos muito sérios para integrar uma das equipas All-NBA.

No seu caso, o mais frustrante é que não foi uma gestão de esforço ou descanso planeado a afastá-lo dos prémios. Foram lesões reais, acumuladas ao longo das últimas semanas, que acabaram por fechar a porta.

Cade Cunningham reacende a polémica

Outro nome importante nesta discussão é Cade Cunningham. O base dos Pistons tinha feito uma temporada de enorme crescimento, liderando a equipa e entrando na conversa para All-NBA, com algum apoio até para uma candidatura mais externa ao MVP.

No entanto, um colapso pulmonar sofreu um enorme impacto no seu calendário competitivo, e a sua elegibilidade ficou praticamente comprometida. O caso tornou-se um dos mais citados por quem defende alterações à regra dos 65 jogos, precisamente porque mostra como a norma não distingue lesões sérias de simples ausências evitáveis.

Uma regra criada para punir descansos… que agora castiga lesões

Este é o centro do debate. A regra dos 65 jogos foi criada para evitar que jogadores descansassem em excesso durante a fase regular e, ainda assim, fossem recompensados no final do ano. A intenção era premiar disponibilidade e compromisso competitivo.

Mas a realidade desta época voltou a mostrar o outro lado: a regra também apaga temporadas de grande nível por causa de lesões legítimas.

E isso gera um problema difícil de ignorar. Um jogador pode fazer 64 jogos extraordinários e ficar fora de todas as equipas All-NBA, enquanto outro com produção inferior, mas mais disponibilidade, continua elegível.

Outros nomes sonantes afetados

Para além de Luka, Edwards e Cunningham, há mais estrelas que ficaram sem hipótese de entrar nas votações por causa do mesmo critério:

  • Stephen Curry
  • Giannis Antetokounmpo
  • LeBron James
  • Jimmy Butler
  • Anthony Davis
  • Joel Embiid
  • Jalen Williams
  • Austin Reaves
  • Ja Morant

Alguns ficaram longe do mínimo, outros falharam por margem curta. Mas o resultado final é sempre o mesmo: temporada de prémios encerrada.

A discussão vai continuar

A NBA quis reforçar a importância da fase regular. Conseguiu. Mas, ao mesmo tempo, criou um sistema que, em certos casos, parece demasiado rígido.

Quando jogadores como estes ficam fora das votações por uma ou duas ausências causadas por lesão, a discussão deixa de ser apenas regulamentar, passa a ser também sobre justiça competitiva.

Este ano, a regra dos 65 jogos voltou a cumprir o seu papel. A questão é se o fez da melhor forma…

Filipe Pereira

Alguém que é apaixonado pelo basquetebol e tudo aquilo que o envolve.

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