Dallas Mavericks: muito talento, muitas incertezas

Depois da época do título de 2011, os Dallas fizeram esforços durante vários anos para se manterem relevantes. Depois de várias épocas falhadas e saídas prematuras dos Playoffs sem um grande jovem núcleo para oferecer sustentabilidade ao futuro do franchise, Mark Cuban decidiu mudar o panorama da equipa de Dallas e decidiu dar um passo atrás para, se tudo correr bem, começar agora a dar uns bons passos à frente. Depois do processo de rebuilding começado em 2016 com a adição de jovens jogadores como Seth Curry, Harrison Barnes, Nerlens Noel e Yogi Ferrel, apesar das dores de crescimento evidenciadas nos fracos resultados desportivos, criou-se uma fundação algo sólida para o futuro dos Mavericks.

Com a época 2018/19 à porta, os Mavericks apresentam um projeto desportivo interessante, principalmente depois da adição da 3ª escolha no Draft: Luka Doncic. Escolhido pelos Atlanta Hawks, foi então trocado por Trae Young e uma pick do draft de 2019. Agora sim o processo de rebuilding ganha toda a força e fulgor com a adição de um peça que, certamente, tem potencial para se tornar no franchise player que Dallas tanto procuravam: o descendente de Nowitzki. Abordar-se-á, daqui em diante, vários aspectos essenciais do roster atual do franchise de Dallas.

Saídas: Para além do processo de rebuilding pelo qual Dallas tem passado, também este verão o banco teve que ser reconstruído. Yogi Ferrel revelou-se uma importante peça da rotação ao longo da passada época e meia com os Mavericks, tendo médias sempre superiores aos 10PPG. Partiu esta offseason para os Kings, depois de estes terem oferecido um contrato ligeiramente melhor. Saíram também Doug McDermott, para os Pacers, e Seth Curry, para os Trail Blazers. O primeiro, tal como Yogi, mostrou-se um sólido jogador ofensivo da rotação, tendo acabado a época com 9PPG e a lançar 49.4% de 3PT. Já Curry teve a sua melhor época da carreira em 2016/17, tendo acabado com médias de 12.8PPG e quase 30MPG. Infelizmente, a sua excelente forma não se seguiu na época seguinte, tendo ficado de fora durante toda a mesma devido a lesões. Também Nerlens Noel assinou pelos Thunder, embora este nunca tenha oferecido os resultados desportivos que o staff estava à espera. A par destes destaques, saíram também do plantel Aaron Harrison, Johnathan Motley e Kyle Collinsworth.

Entradas: Aqui, como não haveria de ser, destacam-se dois sonantes nomes: Luka Doncic e DeAndre Jordan. O primeiro, escolhido na 3ª posição do Draft por Atlanta e depois trocado para Dallas, assume-se como a grande esperança do franchise, o grande descendente de Dirk Nowtizki. Já Jordan veio para Dallas num contrato de 1 ano no valor de $22.9M, 3 anos depois de se ter comprometido com este mesmo franchise numa longa novela que implicou ser feito refém na sua própria casa (história para outra altura). Continuando, Dallas também trouxe de volta Devin Harris, já na sua 3ª estadia com o franchise. Junta-se a JJ Barea e Wesley Matthews como o núcleo maduro para dar algum suporte ao jovem plantel. Entraram também Ryan Broekhoff, Jalen Brunson, Ray Spalding e Kostas Antetokounmpo.

O que esperar da época 2018/19? Dallas apresenta-se para a nova época com um projeto algo interessante. Luka Doncic vem para o franchise com a esperança de se tornar o grande franchise-player que Dallas tanto procurava. Um base jovem, muito mais maduro do que outros jogadores da sua idade, inteligentíssimo, excelente capacidade de passe e decision-making, boas armas ofensivas, tanto de tiro exterior como jogadas interiores. Junta-se assim a Dennis Smith Jr. como as grandes promessas da equipa. O que este tem em falta em termos de basketball-IQ e maturidade quando comparado a Doncic, tem certamente em atléticismo e energia, apesar de ainda ter que melhorar o seu lançamento.
Já Jordan veio solucionar dois dos grandes problema desta equipa na época passada: defesa interior e ressaltos. Vai também oferecer outras armas aos jovens Doncic e Smith Jr. Um big-man dinâmico e móvel como ele é sempre um grande centro de gravidade para as defesas adversárias, oferecendo muitas possibilidades no que toca a cortes interiores e pick-and-roll plays.
 Harrison Barnes também será uma boa arma, principalmente a meia distância e no bloco mais interior. Wes Matthews e JJ Barea, apesar das suas idades, também são ambos jogadores sólidos que conseguem oferecer alguma maturidade à equipa. E quem pode esquecer Dirk Nowtizki? A lenda da Liga jogará mais uma época e, apesar do seu físico e capacidade já não serem como outrora foram, será certamente um excelente mentor para os mais novos. Salah Mejri re-assinou e Maxi Kleber é útil poste para o banco, com bom tiro exterior e atléticismo.

Não é um plantel fenomenal, mas também não é o objetivo do mesmo. Antes de tudo, deve ser visto como uma espécie de playground para os  jovens jogadores terem liberdade para evoluírem o seu jogo e adaptarem-se à Liga. Vai ser interessante acompanhar o franchise durante a época que se aproxima: ver se Dennis Smith Jr melhorará as suas lacunas, principalmente no que toca ao seu lançamento e lapsos defensivos. Doncic, apesar do seu largo skill-set, também tem um desafio frente a uma NBA que é muito mais atlética e fisicamente exigente que o basquetebol europeu. Harrison Barnes é apenas ele próprio com a bola nas mãos e Doncic e Dennis ainda não mostraram as melhores habilidades sem bola. Como será a química entre os três?  Felizmente, poucos dias faltam para a NBA começar e todas estas perguntas e muitas outras serão respondidas ao longo da época. Fiquem atentos!

 

Afonso Mendonça

Desde cedo descobriu a sua paixão pela modalidade, começando a jogar basquetebol aos 9 anos para só parar 9 anos depois. Verdade seja dita, nunca foi muito bom. Tenta então agora compensar a sua carreira falhada a meter a bola no cesto ao meter artigos na net. Não é bem a mesma coisa mas promete deixar nas teclas do computador o mesmo empenho que outrora deixou em campo.

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