Trades: tudo o que precisas de saber!

Na NBA, entende-se por trade como uma transação que envolve a troca de ativos entre franchises. É uma das ferramentas que a liga possuiu para tornar a liga competitiva (nem sempre funciona, mas isso já está relacionado com a perspicácia dos GMs). Embora os principais ativos de uma trade sejam os jogadores, as escolhas no draft e/ou dinheiro podem ser usados nestes negócios, funcionando geralmente como um complemento.

Na hora de trocar, quais são os fatores que as equipas consideram? Essencialmente são os seguintes:
  • Como encaixa o jogador X com os outros atletas e staff técnico.
  • Qual o plano e a direção a longo prazo da organização.
  • O contrato do jogador correlacionado com a folha salarial e com o fator anterior.
  • Como poderá ser afetada a química da equipa após a troca.

 

Há imensos adeptos que gostam de falar sobre possíveis trocas de jogadores, mas muitas vezes acabam por ignorar algumas disposições sobre o funcionamento das trocas na NBA. Nomeadamente o salary cap (ou em português, o teto salarial).

Abaixo do salary cap: as equipas podem realizar trocas independentemente dos salários dos jogadores, desde que após a troca nenhuma delas se encontre $100.000 acima do teto salarial.
Acima do salary cap: as equipas podem trocar jogadores desde que não ultrapassem a luxury tax, assim como podem receber 100% do salário que enviaram + $5M.

 

Aqui estão algumas situações em que os jogadores que não podem ser trocados:

Free Agents pendentes: os jogadores cujos contratos terminam no dia 30 de junho, não conseguem ser trocados antes dessa data. A partir de julho, eles podem ser trocados por contratos de sign and trade mas são raros os casos (recentemente o Chris Paul assinou um contrato deste tipo com os Clippers sendo, posteriormente, “movido” para os Rockets). Desde o momento que um jogador assina um novo contrato, torna-se inelegível para ser trocado até o dia 15 de dezembro. Trata-se de uma forma de proteger o atleta, ao impedir que seja apenas usado como moeda de troca.

Recém trocados: Se as equipas adquirirem um jogador através de uma troca, elas podem trocá-lo imediatamente por um outro jogador. No entanto, se essas quiserem “empacotar” esse jogador com outro para realizar uma trade, terão que esperar 60 dias após a aquisição.

Recém draftados: os jogadores que são “draftados”, após assinarem os seus contratos de rookie, não podem ser trocados por um período de 30 dias.

Jogadores com opções: os jogadores que têm previsto no contrato uma team option ou player option, não podem ser negociados até que essas opções sejam concretizadas. Por exemplo: uma equipa não pode adquirir um jogador com uma team option em junho e, em seguida, recusar essa opção antes do final do mês como forma de criar espaço salarial.

Jogadores que assinam a Designated Veteran Extension: A Rookie Scale Extensions e a Standard Veteran Extensions impõem algumas restrições de troca aos jogadores, mas nada quando comparado com a Designated Veteran Extension. Esta extensão de contrato impede que os jogadores que o assinaram sejam trocados nos 12 meses seguintes.

Trade Deadline: é uma regra (e ao mesmo tempo uma data) que regula o sistema de trocas na NBA. Após a trade deadline, deixa de ser possível trocar jogadores.

Parecia mais fácil? Neste mercado de troca (assim como na NBA em geral) o que não faltam são regras e exceções às mesmas, que todas juntas culminam num verdadeiro pesadelo para os General Managers da liga. Portanto, sempre que achares que o teu amigo está a “querer” trocar X por Y sem ter em atenção os limites/barreiras que as trocas contêm, envia-lhe este artigo!

Ricardo Gomes

Autor na NBA Portugal. Estuda Economia na Universidade do Porto. Sem currículo na modalidade mas é um grande entusiasta por tudo o que envolve a liga.

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