A Economia da NBA

A NBA, para além da bola no cesto praticada em campo, tem uma faceta muito profunda e complexa no que toca à parte financeira. Este artigo servirá, portanto, como uma espécie de glossário e uma boa introdução para qualquer novo fã da NBA ou até de consolidação para os mais experientes. São abordados vários temas de forma simplificada que ajudarão a compreender o esquema global. Dito isto, aqui vai:

Salary Cap: um limite imposto a todas as 30 equipas da Liga em que restringe a quantidade máxima que cada equipa pode gastar no seu plantel. Isto garante a manutenção da competitividade da Liga e impede que equipas de grandes mercados tenham uma vantagem demasiado grande (como acontece no futebol). Por exemplo, equipas como os Knicks, Lakers e Warriors facilmente dominariam a Liga pois teriam um orçamento muito maior que os permitiria contratar todas as super-estrelas com contratos que as equipas como Bucks, Timberwolves e Pelicans, por exemplo, não estariam em posição de oferecer. O Salary Cap para a época 2018/19 foi de 101.896$ milhões.

Luxury Tax: Há toda uma série de exceções que permitem uma equipa ultrapassar o Salary Cap, como os Larry Bird Rights, Mid-Level Exception (MLE), Traded Player Exception e League Minimum Exception, sendo estas as principais. Depois de ultrapassado o Salary Cap com qualquer uma das diversas exceções a equipa está sujeita a pesadas coimas, o chamado Luxury Tax, caso ultrapassem o Tax Cap, ou Luxury Cap . O Tax Cap é outro limite imposto um pouco acima do Salary Cap. A partir daqui, quanto mais uma certa equipa ultrapassa este limite mais o Luxury Tax aumenta. Uma equipa também pode ultrapassar o Salary Cap através de contratos anteriores que tenham aumentos anuais. Isto, na teoria, garante que mesmo ultrapassando o Salary Cap com qualquer exceção não há um abuso destas mesmas, obrigando as equipas que ultrapassam o Salary Cap em demasia a sofrerem consequências. Para 2018/19 o Luxury Cap está situado nos 123.733$ milhões.

Mínimo: também é imposto um mínimo a todas as equipas de forma a evitar o infame ‘tanking’, quer para procurar ficar nos últimos lugares da tabela de forma a conseguirem picks altas no Draft ou de forma a o dono cortar nas despesas. Isto promove um mínimo de competitividade para todas as equipas da Liga.

Bird Rights: os Bird Rights permitem que uma equipa ultrapasse o Salary Cap para re-assinar com os seus próprios jogadores e com contratos com melhores salários e de maior duração do que qualquer outra equipa pode oferecer. Isto, novamente, promove um maior equilíbrio na Liga pois evita que os mercados pequenos percam os seus melhores jogadores dando-lhes mais armas para os manter na equipa. Na essência, uma equipa ganha os Bird Rights sobre um jogador desde que ele tenha passado 3 anos com esta mesma equipa. O Bird Rights, uma vez obtidos, são transferíveis através de trocas.

Cap Hold: Cap Hold garante o uso de forma justa e não abusiva dos Bird Rights. Por exemplo, uma equipa poderia gastar todo o seu cap space de forma a ficar 1$ abaixo do salary cap e depois oferecer a um dos seus jogadores um contrato máximo desde que tivesse os Bird Rights do mesmo. De forma a evitar situações destas existe o Cap Hold, em que mesmo jogadores que ainda não assinaram por qualquer equipa contam para o Salary Cap da equipa anterior até que ou re-assine pela equipa anterior, assine por qualquer outra equipa ou que a antiga equipa se comprometa com a Liga a não contratar o atleta em questão (perdendo assim também os seus Bird Rights).

Mid-Level Exception: Esta exceção permite às equipas, uma vez por ano, contratar um jogador até um certo montante previamente estabelecido, variando de forma a recompensar as equipas que estão abaixo do Luxury Cap.

League Minimum Exception: também conhecido como Minimum Salary Exception, esta exceção dita que qualquer equipa pode contratar os jogadores que quiser desde que lhes seja oferecido o salário mínimo estabelecido pela Liga, independentemente de estarem acima do Salary Cap ou não. Isto é útil principalmente para preencher os últimos lugares do plantel ou em caso de algum imprevisto como uma lesão ou outra ausência por que motivo seja.

Traded Player Exception: no caso de uma equipa trocar o jogador X pelo jogador Y e este último tiver um salário muito menor que o primeiro a equipa que enviou o jogador com o salário mais alto recebe uma exceção no valor da diferença entre os dois salários, tendo esta a validade de 1 ano.

Contract Buyout: acaba por ser uma rescisão de contracto como em qualquer outra modalidade mas, como em tudo na NBA no que toca à parte financeira, também tem a sua complexidade. Quando uma equipa e um jogador acordam em rescindir o seu contrato durante as próximas 48h todas as equipas da Liga têm a hipótese de alegar que querem o atleta na sua equipa sob exatamente o mesmo contrato, sendo este forçado a assinar por esta mesma. Caso mais que uma equipa o faça o jogador vai para a pior equipa do lote. Passando as 48h sem que nenhuma equipa esteja interessada no jogador este está finalmente livre de assinar por qualquer equipa sem qualquer tipo de restrição.

Two-way Contracts: estes são contratos que permitem uma equipa assinar com um jogador da G-League, uma espécie de 2ª divisão da NBA, e que este possa fluidamente jogar por ambas as equipas consoante a necessidade de cada uma.

Team/Player Options: são opções incluídas nos contratos em que, no fim deste mesmo, ou a equipa ou o jogador tem o poder de decisão de estender este mesmo ou não.

Max Contract: este é o contrato máximo que uma equipa pode oferecer a um jogador da NBA. Este valor varia entre 25% a 35% do Salary Cap consoante os anos de experiência do jogador na Liga.

Unrestricted Free Agent: estes são simplesmente jogadores livres de assinar por qualquer outra equipa sem qualquer tipo de restrição.

Restricted Free Agent: estes são jogadores que não têm o futuro totalmente nas próprias mãos. Caso uma nova equipa lhes proponha um contrato a antiga equipa tem 3 dias para igualar a proposta e, caso o faça, este jogador é obrigado a re-assinar por ela. Por norma, os Restricted Free Agents são rookies que acabaram de ver o seu primeiro contrato expirar mas também há outras condições que podem qualificar um free agent como Restricted Free Agent.

CBA: Collective Bargaining Agreement é onde são estabelecidas todas estas regras e restrições. São acordos feitos entre os representantes dos jogadores e os representantes da Liga.

Confuso? Não te preocupes, mesmo nós não compreendemos isto na íntegra. Dito isto, vai acompanhando as notícias e sempre que vires um termo que não compreendes podes sempre voltar aqui. De notar que há muitas outras exceções e regras que não foram mencionadas aqui devido à complexidade das mesmas, não sendo necessárias de compreender na totalidade para aproveitar o espetáculo que é a NBA. Aqui foram abordadas as mais relevantes mas, de qualquer das formas, deixámos nas fontes links que explicam o confuso mundo que é o dinheiro na NBA.

Fontes:

Afonso Mendonça

Desde cedo descobriu a sua paixão pela modalidade, começando a jogar basquetebol aos 9 anos para só parar 9 anos depois. Verdade seja dita, nunca foi muito bom. Tenta então agora compensar a sua carreira falhada a meter a bola no cesto ao meter artigos na net. Não é bem a mesma coisa mas promete deixar nas teclas do computador o mesmo empenho que outrora deixou em campo.

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